TECNOLOGIA

Cientistas criam óculos que permitem enxergar luz infravermelha em cores

Cientistas desenvolveram um protótipo de óculos capaz de converter luz infravermelha em imagens coloridas visíveis, permitindo que usuários enxerguem simultaneamente o mundo ao seu redor e informações normalmente invisíveis ao olho humano.Continua após a publicidadeA tecnologia ainda está em fase experimental, mas pode abrir caminho para novas aplicações em próteses visuais e na ampliação das capacidades sensoriais humanas. O avanço foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Pequim (Japão) e descrito em um estudo publicado na revista científica Science Advances.Como a tecnologia amplia a visão humana além da luz que enxergamos
Os olhos humanos não conseguem enxergar a luz infravermelha porque os fótons dessa faixa do espectro possuem energia insuficiente para estimular a retina;

Atualmente, equipamentos, como câmeras térmicas e óculos de visão noturna, permitem detectar esse tipo de radiação, mas normalmente exibem as imagens em uma única cor — geralmente verde ou em preto e branco;

A nova tecnologia propõe uma abordagem diferente. Em vez de representar apenas a intensidade da radiação infravermelha, ela converte diferentes comprimentos de onda e níveis de intensidade em múltiplas cores;

Como o cérebro humano distingue cores com facilidade, essa conversão permite identificar diferenças sutis na luz infravermelha com muito mais precisão do que nos sistemas tradicionais;

Segundo os autores do estudo, a tecnologia “redefine a visão infravermelha ao transcender o paradigma monocromático, traduzindo assinaturas espectrais e de intensidade do infravermelho em variações de cor discerníveis, em vez de meras mudanças de brilho”.

Diagrama conceitual; o conversor ascendente de infravermelho para cores plenas é aplicado como (A) óculos vestíveis e (B) fotorreceptor retiniano de nova geração – Imagem: Science Advances (2026). DOI: 10.1126/sciadv.aed0245Como funcionam os óculos de luz infravermelhaO protótipo utiliza partículas microscópicas conhecidas como pontos quânticos coloidais de telureto de mercúrio. Quando atingidas pela luz infravermelha, essas partículas absorvem a radiação e a convertem em cargas elétricas.Essas cargas são então direcionadas para um diodo orgânico emissor de luz (OLED, na sigla em inglês), composto por duas regiões emissoras: uma vermelha e outra ciano.Sinais infravermelhos de menor energia geram carga suficiente para iluminar apenas a região vermelha. Já sinais de maior energia ativam simultaneamente as duas regiões do OLED, produzindo diferentes combinações de cores que representam as características da radiação recebida.

Leia mais:Protótipo pesa apenas 23 gramasOs pesquisadores construíram um protótipo de óculos com apenas 23 gramas e o testaram utilizando luz infravermelha projetada através de diferentes objetos e formas em movimento.Nos experimentos, o dispositivo produziu imagens nítidas e codificadas por cores, ao mesmo tempo em que permitia a passagem da luz visível. Dessa forma, o usuário consegue enxergar simultaneamente o ambiente normal e as informações provenientes da radiação infravermelha.A equipe também registrou respostas elétricas na retina humana, confirmando que a luz convertida pelo sistema foi capaz de estimular normalmente os olhos dos participantes.
Óculos vestíveis para visualização infravermelha – Imagem: Science Advances (2026). DOI: 10.1126/sciadv.aed0245Continua após a publicidadeAplicações futurasEmbora o dispositivo ainda esteja na fase de protótipo, os pesquisadores acreditam que a tecnologia poderá ter aplicações muito além da visão infravermelha.No artigo científico, eles afirmam que, ao “superar os limites evolutivos da fotorrecepção biológica”, a inovação pode abrir caminho para uma nova geração de próteses visuais e sistemas capazes de expandir os sentidos humanos.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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