Banco de Moçambique: Auditor independente abstém-se de emitir opinião sobre contas intercalares
A Forvis Mazars, empresa de auditoria independente que analisou as “demonstrações financeiras intercalares” apresentadas pelo Banco de Moçambique (BdM), escudou-se de emitir a sua avaliação sobre as contas, porque os procedimentos usados para um diagnóstico daquele tipo são limitados.
“Uma revisão limitada de demonstrações financeiras intercalares é um trabalho de garantia limitada de fiabilidade. Os procedimentos que efectuamos consistiram, fundamentalmente, em indagações junto dos responsáveis pela contabilidade, finanças e gestão de risco do banco, bem como na aplicação de procedimentos analíticos à informação financeira e na avaliação da prova obtida”, pode ler-se nas “Demonstrações Financeiras Intercalares” do Banco Central, referentes até 30 de Junho, a que o SAVANA teve acesso.
“Os procedimentos efectuados numa revisão limitada são significativamente mais reduzidos do que os procedimentos efectuados numa revisão numa auditoria executada de acordo com as Normas Internacionais de Auditoria. Consequentemente, não expressamos uma opinião de auditoria sobre estas demonstrações financeiras intercalares”, avança o auditor independente.
Conclusão com reserva
Apesar de se ter abstido de exprimir a sua opinião, a Forvis Mazars avança com uma “conclusão com reserva” sobre os resultados.
“À data de 30 de Junho de 2026, mantém-se por regularizar a matéria já reportada no nosso relatório de auditoria sobre as demonstrações financeiras do banco relativas ao exercício findo de 31 de Dezembro de 2025. Nos termos do artigo 14, da Lei número 1/92, de 3 de Janeiro – Lei Orgânica – os saldos devedores das flutuações cambiais devem ser reconhecidos pelo Estado moçambicano, mediante emissão de título de dívida pública a favor do banco. Contudo, o Estado moçambicano não assume estas responsabilidades desde 2005”, refere o auditor.
Por outro lado, subsistem limitações na validação da rubrica de flutuação de valores em moeda estrangeira, devido à incapacidade do sistema em extrair o mapa de reavaliação cambial por moeda.
Ainda assim, aquela entidade assinala que nada chegou ao seu conhecimento que leve a concluir que as demonstrações financeiras intercalares anexas do Banco de Moçambique, em 30 de Junho de 2026, não estão preparadas, em todos os aspectos materiais.
Na rubrica “outras matérias”, a Forvis Mazars realça que as demonstrações financeiras relativas ao período de seis meses findo em 30 de Junho de 2025, apresentadas para efeitos comparativos, não foram objecto de auditoria nem de revisão limitada da parte daquela entidade nem de qualquer outro auditor independente.
“Consequentemente, não expressamos qualquer opinião de auditoria ou conclusão de revisão limitada sobre as referidas demonstrações financeiras comparativas”, lê-se no documento.
Contudo, as demonstrações financeiras do banco relativas ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2025 foram auditadas, tendo sido emitida opinião com reservas, frisa a Forvis Mazars.
No “Relatório sobre a revisão limitada das demonstrações financeiras intercalares”, o Banco de Moçambique diz que registava um resultado líquido de pouco mais de quatro biliões de meticais, até 30 de Junho deste ano.
O banco dispõe de um capital próprio de cerca de 14 biliões de meticais, de um total de activos financeiros no valor de pouco mais de 743 biliões de dólares e de passivos financeiros superiores a 960,5 biliões de dólares.










