TECNOLOGIA

Dolby aposta em games e experiência imersiva para aproximar tecnologia do consumidor brasileiro

Conhecida há décadas por suas tecnologias de áudio e imagem, a Dolby está ampliando sua atuação voltada diretamente ao consumidor na América Latina. Durante a SET Expo 2026, a empresa apresentou desde experiências com games até soluções utilizadas na produção de conteúdos para cinema e streaming.Continua após a publicidadeA estratégia faz parte de uma mudança de posicionamento da companhia, historicamente concentrada no mercado B2B. Segundo Paula Pimentel, diretora de Marketing e Comunicação de Marcas da Dolby para a América Latina, 2026 marcou o primeiro ano de uma atuação de marketing estruturada para a região com maior foco no consumidor final.“A Dolby sempre foi muito B2B, então ela não tinha esse investimento, essa ideia de B2C”, explicou Pimentel.

O objetivo não é lançar produtos próprios para disputar espaço com fabricantes de TVs, celulares ou fones de ouvido. A empresa quer tornar nomes como Dolby Atmos e Dolby Vision mais reconhecidos para que essas tecnologias também sejam consideradas pelo consumidor na hora de escolher um novo aparelho.Games ajudam a mostrar o que Dolby Atmos pode fazerImagem: Olhar Digital/ Reprodução Um dos caminhos escolhidos para apresentar essa diferença está nos videogames. No estande da Dolby na SET Expo, a companhia montou uma experiência em parceria com a Microsoft, utilizando Xbox, cockpit e fones de ouvido para demonstrar a aplicação de suas tecnologias durante uma partida de Forza.A escolha dos games ajuda a transformar conceitos técnicos em uma experiência mais fácil de compreender. Com áudio tridimensional, por exemplo, diferentes sons podem ser percebidos ao redor do jogador, contribuindo para a sensação de estar dentro daquele ambiente.A mesma lógica vale para outras formas de entretenimento. Segundo Pimentel, a tecnologia pode estar presente em diferentes dispositivos, passando por celulares, TVs, soundbars e fones de ouvido, além das salas de cinema.Para a executiva, essa característica também cria um desafio para o marketing: explicar Dolby apenas por especificações técnicas não é suficiente. A estratégia, por isso, tem sido criar situações nas quais o público possa experimentar as tecnologias.“A Dolby é muito difícil de explicar. Você não explica, você não descreve, você tem que sentir”, afirmou.Dolby também mira toda a cadeia de produção audiovisualContinua após a publicidadeApesar da aproximação com o consumidor, a atuação da Dolby continua começando muito antes de um filme, série ou jogo chegar às telas. A empresa trabalha com tecnologias aplicadas desde a produção do conteúdo até sua reprodução nos dispositivos utilizados pelo público.Na SET Expo, uma das demonstrações foi realizada em conjunto com a Colorfront, com uma estação de conversão de imagens, controle de qualidade e processamento de vídeo semelhante às utilizadas por grandes produtores de cinema e streaming.Segundo Luciano Abreu, da NMF, representante da Colorfront, o software da companhia é especializado na conversão entre espaços de cor, permitindo trabalhar, por exemplo, com conteúdos SDR e HDR e processos envolvendo Dolby Vision.Abreu afirmou ainda que as soluções da Colorfront já estão preparadas para trabalhar com metadados do Dolby Vision 2.0, tecnologia que, segundo ele, foi demonstrada pela empresa durante a NAB deste ano.Continua após a publicidadeDe tecnologia dos bastidores para uma marca reconhecida pelo públicoImagem: Dolby/ Divulgação A estratégia da Dolby na América Latina passa justamente por aproximar essas duas pontas. De um lado estão produtores, estúdios e fabricantes utilizando suas tecnologias; do outro, consumidores assistindo a filmes, acompanhando séries ou jogando videogame em equipamentos compatíveis.Para Pimentel, a intenção é fazer com que Dolby Vision e Dolby Atmos deixem de ser apenas nomes encontrados nas especificações dos aparelhos e passem a fazer parte da decisão de compra do consumidor.A presença na SET Expo também acompanha esse movimento. Além das demonstrações no estande, representantes da companhia participaram de painéis sobre tecnologias aplicadas à televisão, produções audiovisuais e efeitos visuais.Para os games, a proposta fica especialmente clara: mais do que explicar o funcionamento do áudio espacial por meio de especificações, a Dolby quer colocar o jogador diante da tela, entregar um controle e permitir que a própria experiência demonstre a diferença.

Rachele Victoria

Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer.

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