TECNOLOGIA

Índia quer conectar moedas digitais dos países do BRICS

A Índia pretende conectar as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países do BRICS para facilitar pagamentos transfronteiriços. A proposta deve ser discutida na cúpula do grupo, marcada para 12 e 13 de setembro, em Nova Délhi.Continua após a publicidadeDuas fontes familiarizadas com as discussões disseram à Reuters que o plano enfrenta obstáculos políticos e técnicos. A baixa adoção das moedas digitais também pode dificultar a implementação da iniciativa.
Baixa adoção das moedas digitais e diferenças entre os países estão entre os obstáculos ao plano indiano. – Imagem criada por inteligência artificial: Grok/Olhar DigitalO plano indiano para as moedas digitaisO Reserve Bank of India (RBI), banco central da Índia, propôs conectar as moedas digitais oficiais dos países do bloco. O objetivo é facilitar o comércio entre os integrantes e tornar os pagamentos internacionais mais rápidos.A proposta aproveita uma declaração aprovada na cúpula do BRICS de 2025, realizada no Rio de Janeiro. Na ocasião, os países defenderam a interoperabilidade entre seus sistemas de pagamento para tornar as transações transfronteiriças mais eficientes.O BRICS é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – e outros países parceiros.O nó diplomático e os desafios técnicosA integração das moedas digitais deve enfrentar dificuldades que vão além da tecnologia. Discussões anteriores dentro do BRICS sobre mecanismos compartilhados de pagamentos avançaram pouco, mostrando os desafios de conectar as infraestruturas financeiras de países com sistemas e interesses diferentes.Entre os principais obstáculos estão:
baixa adoção das moedas digitais de bancos centrais;

dificuldades para integrar diferentes sistemas financeiros;

relações tensas entre alguns integrantes do bloco;

necessidade de maior confiança entre Índia e China;

possíveis acordos de troca de moedas para administrar desequilíbrios comerciais.


As relações entre Irã e Emirados Árabes Unidos são um dos pontos de atenção. Segundo uma das fontes, os Emirados Árabes Unidos cortaram vínculos financeiros com o Irã.A relação entre Índia e China também pesa nas discussões. A segunda fonte afirmou que uma conexão financeira mais profunda exigiria maior confiança entre os dois países.
Uma eventual integração exigiria conexão entre diferentes sistemas financeiros dos países do BRICS. Imagem: A. Solano/ShutterstockTecnologia financeira sem substituir o dólarA Índia já demonstrou cautela com iniciativas ligadas a empresas chinesas. Segundo a Reuters, o país interrompeu uma proposta da Alipay+ para conectar a plataforma ao seu sistema de pagamentos instantâneos em operações internacionais por preocupações de segurança nacional relacionadas aos vínculos da empresa com a China.O BRICS também já discutiu alternativas aos pagamentos baseados no dólar. Entre elas esteve uma proposta brasileira de criação de uma moeda comum, que não avançou.Continua após a publicidadeA proposta indiana tem outro objetivo. Segundo a segunda fonte, a Índia não pretende substituir o dólar. A intenção é tornar os pagamentos transfronteiriços mais fáceis e rápidos.Antes de uma eventual conexão entre as moedas digitais, os países também precisariam de mecanismos de troca de moedas para ajudar a administrar desequilíbrios comerciais.A cúpula de Nova Délhi deverá indicar quanto os integrantes estão dispostos a avançar na integração de seus sistemas de pagamentos, diante dos obstáculos políticos e técnicos que ainda permanecem.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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