TECNOLOGIA

The Witcher 3 Remastered Review: o que muda no jogo e se vale voltar para Velen

Onze anos depois, The Witcher 3 voltou em versão remasterizada para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC, de graça para quem já tem o jogo e com as DLCs Hearts of Stone e Blood and Wine incluídas. Quantas Triplo A você vê remasterizando um jogo antigo em vez de lançar um remake de mais de R$ 250?A CD Projekt faz de tudo para provar o amor pela comunidade desde o desastroso lançamento de Cyberpunk 2077 e vem fazendo um ótimo trabalho. Com The Witcher 4 já em desenvolvimento, ainda ganhamos de presente um remaster que prepara o terreno para Songs of the Past, expansão paga prevista para 2027, e serve de porta de entrada para quem ainda não conhece Geralt.Aqui você lerá uma análise completa das mudanças no PC, então as impressões deste texto partem dessa versão. O que vale para os consoles vem das análises que li e assisti.Anos atrás, apostei que Geralt nunca seria abandonado. Não tenho como provar, mas acertei.Quanto custaO remaster chegou em 29 de setembro de 2026 e quem já tem The Witcher 3 recebe a atualização de graça, inclusive no Switch 2 para quem comprou a versão do Switch 1. Hearts of Stone e Blood and Wine vêm incluídas, sem custo extra para quem tem o jogo base. Para quem já jogou, voltar a Velen custa zero reais.O que ainda falta é Songs of the Past, que chega em 2027 como expansão paga em PC, PS5, Xbox Series e Switch 2.O que muda no visualImagem: Compraholic/ ReproduçãoO jogo ganhou um novo sistema de iluminação global, com suporte a Path Tracing e Ray Reconstruction, que chegam até o cabelo do Geralt. A iluminação foi refeita para o ciclo completo de dia e noite, com efeitos volumétricos e mais contraste entre luz e sombra, e ficou muito melhor em cavernas e esgotos, onde o sinal Igni aparece mais bonito. As luzes de alvorada e entardecer refletem na água, as florestas ganharam mais profundidade e as noites têm atmosfera mais próxima da realidade. O HDR foi melhorado, e há suporte a ultrawide em 21:9 e 32:9, com opções de gestão de cabelo, sombras e upscaling e a possibilidade de jogar com o visual original.Em todas as plataformas chega o HD Rework do modder Halk Hogan, que retoca texturas, modelos de personagens, monstros, vegetação e cenário. A folhagem tem sombreamento novo e as áreas selvagens ganharam flora mais densa e distância de visão maior.O Geralt está mais detalhado, com cicatrizes, roupas e brilho nos olhos, e o mesmo vale para armaduras, pele e superfícies. Os rostos de NPC melhoraram bastante e os monstros foram atualizados: afogadores com pele iridescente, tordos com escamas metálicas, barghests com rastros sombrios e muito mais. Os sinais ganharam efeitos mais vistosos e perks ativados fazem as espadas brilharem e criam auras.Nem tudo rejuvenesceu. Nos consoles, os modelos ainda mostram a idade: a pele parece “de cerâmica” e brilha como se estivesse molhada sob luz direta. No modo Ray Tracing do PS5, o pôr do sol pode ficar laranja “radioativo”.No PC, o visual às vezes parece lavado, o que melhora ajustando o bloom. Em áreas escuras, as paredes brilham em tom roxo, como em Kaer Morhen, e o cabelo do Geralt pode ficar preto. Um ajuste final de luz também deixava algumas áreas claras demais e um patch já corrigiu parte disso.DesempenhoNo PC, o que mais pesa é o Path Tracing, uma iluminação mais realista que só existe nessa versão e que exige uma placa de vídeo potente e o upscaling (técnica que reconstrói a imagem em resolução maior) ligado. Numa máquina com Ryzen 5 5600, RTX 5060 Ti de 8GB e 32GB de RAM, em 1080p com DLSS e Frame Generation, as tecnologias da Nvidia que aumentam os fps, o jogo ficou entre 145 e 170 fps, sem travadas nem quedas em quase doze horas. Um laptop com RTX 4080 também rodou suave no ultra. Outras análises encontraram problemas com o ray tracing ligado: travadas fortes ao chegar em Novigrad, quedas frequentes em 4K mirando 60 fps e ruído visível em 1440p numa tela 4K. As pequenas travadas de sempre continuam, mas melhoram bastante sem ray tracing.Nos portáteis de PC, o jogo já tinha uma configuração pronta para o Steam Deck, vinda da atualização next-gen. No ROG Ally X, subir ambiente e detalhe de baixo para médio não derrubou o fps nem gastou a bateria rápido, mas para ir além o ideal é deixar na tomada.No PS5 base, há dois modos: Performance, o recomendado, que mira 60 fps em 4K, e Ray Tracing, que fica em 30 fps e não tem Path Tracing nem alguns upgrades visuais. No PS5 Pro, o Ray Tracing sobe para 60 fps e o Performance chega a cerca de 90 fps, desde que a TV seja de 120Hz com VRR, com PSSR, a tecnologia de upscaling da Sony. Há quedas de fps ao terminar missões, no autosave e em momentos de mais ação, e a travada do autosave da Complete Edition continua sem correção.No Switch 2, o jogo roda entre 30 e 40 fps, a 720p no portátil e 1080p na TV, com taxa variável (VRR) nos dois modos. O desempenho é consistente, com cortes em textura e fps, mas sem as quedas e as texturas borradas do Switch 1. O portátil tem imagem mais limpa, e na TV há serrilhado e um HDR irregular, com oscilações de luz ocasionais. O loading melhorou muito em relação ao Switch 1, mas ainda passa de 30 segundos entre Novigrad e Skellige. Há cerca de um segundo de atraso ao abrir o mapa ou o menu de save, pequenas travadas de iluminação na troca de cenas, e o cabelo do Geralt fica difuso e serrilhado por causa do DLSS.O que muda na jogabilidadeImagem: NeoBoss/ ReproduçãoA câmera agora é dinâmica: ela se afasta quando há vários inimigos, se aproxima em duelos, interrompe menos as lutas e segue o Geralt direito durante as rolagens. O combate está mais rápido e com mais peso nos golpes, com passada e estocadas mais ágeis e mais variedade de animações, para o Geralt e para os monstros. Entram novos finalizadores, contra-ataques, um lock-on melhor e uma espada com um pouco mais de “ímã” para acertar os inimigos. A besta ganhou multiplicadores de dano generosos, principalmente no headshot, e uma nova habilidade dá a chance de matar um atirador na hora com um parry perfeito. Há opções para sinais “rápidos” que pulam a animação, finalizadores mais guiados e registro textual de dano, que pode ser desligado, e as novidades de jogabilidade podem ser revertidas.A IA também mudou: os inimigos coordenam ataques e tentam ficar em grupo, os lobos não correm mais em círculos para arrastar a luta. Nas dificuldades altas, não dá mais para só spammar ataque.O Geralt responde melhor aos comandos, sem passos extras ao soltar o analógico, e escalar ficou mais suave e preciso. O Carpeado engasga menos, não prende mais em galhos, responde melhor no galope, e as corridas de cavalo não puxam mais para partes da pista. Dá para saquear a cavalo, ficando menos tedioso.A árvore de habilidades foi reformulada, agora visual, com três níveis por habilidade, cada uma exigindo as anteriores e se destravando mais rápido. Os pontos foram resetados para quem volta ao jogo. Entram novas habilidades das escolas da Víbora, da Mantícora e do Grifo, e os novos layouts permitem concentrar pontos no início em habilidades que combinam entre si. Habilidades de sinais e alquimia agora aumentam o dano da espada, e o contrário também vale. O limite de 12 slots ativos continua e o sistema de mutagênicos de Blood and Wine fica disponível desde o início.A interface também mudou: o menu de personagem tem a barra no topo, ficou mais rápido e com notificações mais claras, e o equipamento ficou mais visual, embora parte do texto ainda pareça antiga. O rastreio de missões ficou mais simples, com troca de missão rastreada mais fácil no mapa, que mostra só parte dos indicadores por padrão, enquanto a aba de mapa mostra todos. A meditação mostra o tempo passar com o dia e a noite mudando, em vez de uma tela de UI. Os Sentidos de Bruxo ficaram mais fáceis de ver, mas exigem foco no ponto certo. O modo foto foi ampliado, embora o limite de NPCs seja difícil de posicionar, e há cross-save, que leva o progresso entre plataformas pela conta da CD Projekt. As missões não mudaram.No Switch 2, o Joy-Con direito funciona como mouse, girá-lo lança magia e o giroscópio ajuda na mira. O touchscreen serve para navegar no mapa e nos menus.Nem tudo foi resolvido. O combate continua baseado em rolar, com sensação “flutuante” e repetitiva, mirar em grupos segue desajeitado e a esquiva ainda é lenta. O Geralt às vezes escorrega em direção aos inimigos e tem inércia extra ao virar. No teclado e mouse, o combate moderno fica estranho e demora a se acostumar, mas com controle é suave. A árvore de habilidades não resolve a rigidez, porque quase tudo nela é de combate. O Carpeado ainda esbarra em barreiras invisíveis e tem dificuldade com cercas, e algumas animações faciais parecem mais velhas que os cenários.Mods, transmog e acessibilidadeO jogo ganhou um menu de mods no menu principal, ligado ao mod.io, onde modders da comunidade publicam suas criações. No PS5, o catálogo é curado pela CD Projekt. O suporte vale entre plataformas e é a primeira vez que o jogo o tem nos consoles. No lançamento, a maior parte do catálogo é cosmética, com poucos ajustes de jogabilidade.O transmog, chamado de Reforja no jogo, troca a aparência de armaduras e armas sem mudar os atributos. Só os artesãos Yoana, que cuida das armaduras, e Hattori, que cuida das armas, oferecem o serviço, e eles precisam ser liberados pelas missões deles durante a campanha. Os visuais novos são destravados ao ter o equipamento ou o diagrama no inventário.A acessibilidade ganhou uma seção própria no menu de opções, com o preset Balada do Bardo, pensado para deixar o jogo menos cansativo. Entre as opções estão fôlego infinito debaixo d’água, equipamentos que não desgastam, barcos mais rápidos e indestrutíveis, ajuste de regeneração de vida, Sentidos de Bruxo ligáveis e a opção de ignorar o peso de carga, além dos ajustes de legendas, interface e HUD.Bugs e problemasO remaster chegou em 29 de setembro com vários bugs, e muitos já foram corrigidos pelo patch 5.01, lançado em 8 de outubro para PC, PS5 e Xbox Series. Algumas análises relataram, no lançamento, outros problemas que não aparecem entre as correções do patch, e não dá para garantir que continuem.Entre esses relatos, inimigos mortos ficaram presos numa animação em loop, quase sempre depois de morrerem com o Aard, a capacidade de carga indicou sobrecarga por engano e o Carpeado teletransportou o Geralt para fora de um penhasco ao desmontar. Também houve relato de uma parede atravessável na primeira sala e de pequenos problemas de progressão, que exigiram recarregar o save, além de um crash completo.Uma análise de PC relatou problemas com ultrawide: o HUD não podia ser reposicionado, em 32:9 as barras do layout 16:9 ficavam no meio da tela e, em janela sem borda, apareciam artefatos na borda direita. Com HDR ligado, o brilho global não podia ser ajustado, e o menu travou ao escolher esticar a tela durante os diálogos.Em análises do Switch 2, que ainda aguarda uma atualização específica, o bloom forte fazia o cabelo branco do Geralt parecer loiro e as cidades pareciam vazias, com Novigrad sem o movimento completo.A CD Projekt segue atenta aos relatos dos jogadores e corrigindo os problemas, e já prepara uma atualização para o Switch 2 para melhorar a nitidez da imagem.VereditoImagem: Critical Hits/ ReproduçãoComo citei no início, eu imaginava que um dia iriam reviver The Witcher 3, mas ainda foi uma grande surpresa, principalmente por ser de graça para quem já tinha o jogo base. Houve reclamações de quem não entendeu o motivo, já que o jogo já era incrível e muito bonito. Tecnicamente é verdade, e eu concordo, mas com a nova expansão e The Witcher 4, a CD Projekt quer levar a nova geração para a franquia, e esse público está acostumado com outro nível de gráficos e de jogabilidade. A empresa foi muito inteligente em trazer essas mudanças justamente numa época em que tudo está caro e a comunidade gamer é cada vez menos ouvida e valorizada.Olhando para o remaster em si, o que mais muda a experiência é o visual e a luta. No PC, o Path Tracing muda a atmosfera do jogo, e em todas as plataformas o HD Rework e a câmera dinâmica deixam tudo com cara de 2026. A árvore de habilidades reformulada, o transmog, os mods e a acessibilidade fecham com chave de ouro.Mas o remaster não é um jogo novo. O combate continua baseado em rolar, o Geralt ainda se move de forma rígida, o Carpeado segue dando trabalho e as missões são as mesmas.Vale a pena voltar para Velen? Vale. Para quem nunca jogou, é a melhor forma de começar a história do Geralt, e para quem já jogou, sugiro visitar novamente esse bruxo que ama cheiro de lilás e groselha.

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Eduarda Saturnino é colunista do nosso site e as opiniões do artigo não representam, necessariamente, a opinião do Olhar Digital.

Eduarda Saturnino

É técnica em audiovisual e community manager com 7 anos de experiência no universo gamer.

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