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Kinshasa tinha razão?

38Foi noticiado, na semana passada, que Joseph Kabila, antigo presidente da República Democrática do Congo (RDC), assumiu publicamente a liderança de um novo movimento político-militar que integra o grupo rebelde M23. Designada Frente para a Refundação da Nação (FRN), a nova formação surge numa altura em que decorrem esforços diplomáticos para negociar a paz entre o Governo congolês e os rebeldes. O anúncio público da ligação de Kabila à FRN ocorre, igualmente, num contexto em que as autoridades congolesas vinham acusando o antigo chefe de Estado de estar por detrás dos grupos rebeldes que têm desestabilizado o país. Aliás, em Setembro do ano passado, um tribunal militar congolês condenou o ex-estadista à pena de morte por crimes que incluíam traição e crimes de guerra. Em face destes elementos, impõe-se uma questão: será que as autoridades de Kinshasa tinham razão ao associar Kabila à insurgência?Há acusações que, durante muito tempo, permanecem no domínio da suspeita. Não necessariamente por falta de indícios, mas porque os seus protagonistas conseguem manter uma distância formal relativamente aos acontecimentos que lhes são imputados. Quando essa distância desaparece e a ligação se torna pública, o debate político muda de natureza. É precisamente isso que está a acontecer na RDC, com o anúncio da entrada de Joseph Kabila na liderança da FRN, uma coligação político-militar que integra o movimento rebelde M23.O anúncio, feito em Goma, a 12 de Outubro de 2026, representa um desenvolvimento de grande significado político. O antigo chefe de Estado, que governou a RDC entre 2001 e 2019, deixa de estar apenas no centro das acusações formuladas por Kinshasa para assumir publicamente a liderança de uma estrutura que reúne forças políticas e militares em confronto com o Governo de Félix Tshisekedi. Com efeito, a entrada de Kabila na liderança desta nova formação não só reforça as suspeitas do Governo congolês, como também pode tornar ainda mais difícil o caminho para a paz no leste da RDC.Durante vários meses, as autoridades congolesas acusaram Joseph Kabila de apoiar a rebelião que tem devastado o leste do país. O antigo presidente rejeitou as acusações, enquadrando-as numa campanha de perseguição judicial com motivações políticas. Na sequência deste confronto, em 30 de Setembro Leia mais…

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