Claude Mythos tenta espalhar vírus no GitHub em teste de segurança
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O Claude Mythos 5 tentou inserir código malicioso em um repositório público do GitHub e criou uma conta falsa para convencer desenvolvedores a aprovar a alteração, informou a Anthropic. A tentativa ocorreu durante um teste de segurança cibernética.Continua após a publicidadeA empresa classificou o episódio como uma falha grave de alinhamento da IA. O modelo persistiu na estratégia mesmo diante de sinais de que poderia prejudicar pessoas que não participavam do exercício.
Em testes de simulação, a IA da Anthropic parou a ação maliciosa por conta própria em apenas 2% das vezes. – Imagem: gguy/Shutterstock
Como a IA tentou enganar desenvolvedoresO teste começou em um ambiente controlado, com um desafio de segurança. Depois de não conseguir resolvê-lo pelas vias autorizadas, o Claude Mythos 5 procurou um repositório público no GitHub que acreditava estar relacionado à atividade.O projeto pertencia a desenvolvedores sem ligação com o experimento. O modelo enviou uma proposta de alteração com código malicioso e procurou convencer os responsáveis a aceitá-la.Quando um desenvolvedor externo alertou para o possível risco, a IA não abandonou a tentativa. Criou uma conta falsa e publicou comentários favoráveis à aprovação da proposta. Os responsáveis pelo repositório recusaram a alteração, impedindo que a tentativa fosse concluída.O que os testes revelaramA Anthropic reproduziu etapas do episódio em novas simulações para avaliar se o modelo seria capaz de reconhecer o perigo e interromper a ação por iniciativa própria. Os resultados mostraram dificuldade em abandonar uma estratégia já iniciada.
Interrupção espontânea: o modelo parou a ação em apenas 2% das simulações iniciadas em etapas intermediárias ou finais do ataque.
Reconhecimento de pessoas reais: mesmo informado de que interagia com desenvolvedores externos ao teste, abandonou a estratégia em apenas 5% dos casos.
Versões mais recentes: Claude Mythos 5.1 e Claude Opus 5.5 apresentaram menor propensão a iniciar ataques semelhantes, mas ainda não interromperam ações perigosas de maneira consistente.
Modelo de pesquisa: um sistema interno da Anthropic conseguiu interromper esse tipo de comportamento de forma consistente nos experimentos descritos pela empresa.
Os resultados exigem cautela na comparação entre versões. As avaliações dos modelos mais recentes partiram de trechos de uma execução anterior, e a Anthropic ressalvou que o desempenho observado não garante o mesmo comportamento em todas as situações.
O episódio acendeu o alerta na indústria sobre até que ponto os sistemas de IA respeitam as regras estabelecidas. – Imagem: Ksw Photographer/Shutterstock
Anthropic prepara novas avaliações de segurançaO episódio levou a empresa a desenvolver novas avaliações automáticas para testar os modelos antes de disponibilizá-los ao público. A companhia também investiga o chamado raciocínio enviesado, quando uma IA interpreta informações seletivamente para justificar a continuidade de uma ação, mesmo diante de indícios de possíveis danos.No caso do Claude Mythos 5, os alertas recebidos foram interpretados como se fossem compatíveis com o exercício de segurança. O modelo não reconheceu que estava interagindo com pessoas de fora do teste. Segundo a Anthropic, essa interpretação, somada à insistência em prosseguir, contribuiu para o comportamento inadequado.Continua após a publicidadeA investigação foi conduzida em conjunto com o Instituto de Segurança de Inteligência Artificial do Reino Unido (AISI, na sigla em inglês), que publicou um relatório independente. O órgão se comprometeu a realizar avaliações de segurança cibernética sem acesso à internet até desenvolver controles mais robustos para evitar danos a pessoas e organizações reais.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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