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Putin elogia posições de Moçambique na ONU durante encontro com Chapo

A história voltou à mesa das negociações entre Moçambique e a Rússia, mas foi a política internacional do presente que deu particular significado ao encontro de terça-feira, em Moscovo, entre Daniel Chapo e Vladimir Putin. O Presidente russo agradeceu as posições assumidas por Moçambique em fóruns multilaterais, particularmente nas Nações Unidas, e elogiou aquilo que classificou como a rejeição de “acções russófobas ultrajantes”, numa declaração que revelou a importância atribuída pelo Kremlin às relações diplomáticas com Maputo.

O encontro decorreu à margem da 8.ª Cimeira do Fórum dos Países Exportadores de Gás, numa altura em que a Rússia continua a enfrentar tensões com países ocidentais devido à guerra na Ucrânia e procura preservar e aprofundar as suas relações com parceiros de diferentes regiões do mundo.

Putin recordou o apoio soviético à luta de libertação nacional de Moçambique e destacou os 50 anos de relações diplomáticas assinalados em 2025. Referiu igualmente o desenvolvimento dos contactos parlamentares, incluindo a participação de delegações moçambicanas numa missão de observação das eleições para a Duma Estatal, realizadas em Setembro.

Daniel Chapo reconheceu a importância histórica dessa cooperação, mas procurou orientar a agenda bilateral para os desafios económicos actuais, defendendo o aprofundamento das relações nos sectores da energia, mineração, agricultura, transportes, educação e ciência.

A dimensão económica do encontro ganhou expressão com o anúncio de Putin de que o comércio bilateral praticamente duplicou entre Janeiro e Agosto deste ano, embora não tenham sido apresentados os valores das transacções.

Os dois dirigentes abordaram também a formação de quadros e a cooperação em defesa e segurança. Chapo agradeceu o apoio russo nesta área e destacou o terrorismo em Cabo Delgado entre os desafios enfrentados por Moçambique.

No domínio humanitário, o Presidente moçambicano reconheceu a assistência prestada por Moscovo na sequência das cheias e inundações registadas no início do ano.

Mais de meio século depois do estabelecimento das relações diplomáticas, a parceria entre os dois países continua a combinar a memória da luta de libertação com interesses económicos e políticos contemporâneos. Para Moçambique, a aproximação à Rússia representa uma oportunidade de diversificar relações externas, embora também coloque a sua diplomacia perante o desafio de preservar o equilíbrio entre parceiros internacionais com interesses frequentemente divergentes.

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