TECNOLOGIA

Dropbox demite 200 funcionários mesmo sendo lucrativa; veja o motivo

A Dropbox anunciou, nesta quarta-feira (28), a demissão de aproximadamente 200 funcionários, o equivalente a 9% de sua força de trabalho global. A empresa de armazenamento em nuvem afirma que a medida busca concentrar investimentos nas áreas de produtos e crescimento consideradas prioritárias. Apesar dos cortes, a companhia diz continuar lucrativa.Continua após a publicidadeO anúncio foi feito por Ashraf Alkarmi, executivo-chefe da empresa, em comunicado enviado aos funcionários e divulgado publicamente. As demissões atingem as equipes de Engenharia, Produto, Design e Administração e áreas corporativas. Para a maioria dos afetados, o dia do anúncio também marcou o último dia de trabalho.A reestruturação ocorre junto à saída de Ali Dasdan, diretor de tecnologia (CTO) da Dropbox. Segundo a empresa, ele deixará o cargo em 18 de novembro e ficará responsável por ajudar na transição até lá.Por que a Dropbox está demitindo funcionários?No comunicado, Alkarmi afirmou que a empresa precisa fazer escolhas difíceis sobre a distribuição de recursos para executar sua estratégia de longo prazo.A Dropbox estabeleceu plano de dois anos com três prioridades: resolver mais tarefas importantes dos clientes, ampliar o alcance entre os públicos escolhidos — incluindo grandes empresas — e levar sua tecnologia a novos mercados.Segundo o executivo, a companhia pretende direcionar recursos para produtos com maior potencial de impacto para os clientes e de crescimento para o negócio.“Não podemos continuar fazendo o mesmo trabalho e simplesmente distribuí-lo entre menos pessoas”, escreveu Alkarmi, ao explicar que a empresa pretende simplificar equipes e concentrar investimentos nas áreas consideradas mais relevantes.A Dropbox não apresentou a medida como uma resposta a prejuízos. Pelo contrário, Alkarmi afirmou que o negócio é lucrativo e que a empresa acumulou avanços ao longo do ano. A justificativa oficial é a necessidade de reorganizar as operações para atender às prioridades estratégicas.Leia mais:

Cortes devem custar até R$ 178 milhõesEm documento regulatório, a Dropbox estimou que a redução da equipe resultará em despesas totais de caixa entre US$ 27 milhões e US$ 33 milhões (aproximadamente R$ 146 milhões a R$ 178 milhões). Os valores incluem principalmente indenizações, benefícios e outros custos relacionados ao desligamento dos funcionários.A empresa espera reconhecer entre US$ 20 milhões e US$ 25 milhões (cerca de R$ 108 milhões a R$ 135 milhões) em despesas adicionais relacionadas à reestruturação.A maior parte dos custos deve ser reconhecida e paga no quarto trimestre de 2026. O restante ficará para 2027, segundo a companhia. As estimativas ainda podem mudar, inclusive em razão das exigências legais de cada país.A Dropbox também informou que espera divulgar seus resultados financeiros do terceiro trimestre em 5 de novembro. Com base em informações preliminares ainda não auditadas, a empresa prevê receita e margem operacional ajustada dentro ou acima das faixas indicadas anteriormente.Continua após a publicidadeDiretor de tecnologia deixará a empresaAlém das demissões, a Dropbox confirmou a saída de Ali Dasdan, que ocupa o cargo de diretor de tecnologia. Seu último dia será 18 de novembro.No comunicado aos funcionários, Alkarmi agradeceu pela contribuição de Dasdan para o desenvolvimento das capacidades técnicas da empresa e afirmou que ele ajudou a estabelecer uma base para a próxima fase da transformação do negócio.O documento regulatório também detalha os pagamentos previstos no acordo de saída do executivo, incluindo bônus proporcional de US$ 515 mil (aproximadamente R$ 2,8 milhões) e pagamento único de cerca de US$ 1,3 milhão (aproximadamente R$ 7 milhões), além de outros benefícios.A saída acontece meses depois de Andrew Houston, cofundador da Dropbox, deixar o cargo de CEO, em maio de 2026. Alkarmi assumiu a liderança da companhia após a mudança.Continua após a publicidadeQuais benefícios serão oferecidos aos funcionários demitidos?A Dropbox afirmou que oferecerá pacotes de desligamento aos funcionários afetados. As condições variam conforme o país e as exigências legais locais.Entre os benefícios previstos estão:
Indenização: pagamento equivalente a 16 semanas de salário, acrescido de uma semana por ano completo de trabalho na empresa;

Ações: aquisição de direitos sobre ações prevista para o quarto trimestre, conforme as condições anunciadas;

Bônus: pagamento proporcional com base na meta de bônus de 2026 para funcionários elegíveis ao plano corporativo;

Imigração: suporte aos funcionários afetados que dependem de vistos de trabalho;

Saúde: nos Estados Unidos, subsídio de seis meses para o plano de saúde COBRA, quando aplicável e solicitado;

Apoio psicológico: acesso à plataforma Modern Health até o fim do mês de desligamento, com possibilidade de extensão conforme os pacotes de saída;

Licenças remuneradas: pagamento de licenças atuais elegíveis e de períodos futuros já aprovados, incluindo afastamentos médicos e familiares;

Equipamentos: possibilidade de ficar com um notebook da Dropbox, um dispositivo móvel, caso tenha recebido um, e os periféricos de computador;

Recolocação: acesso gratuito a serviços de busca de emprego e orientação profissional.
Continua após a publicidadeA empresa afirmou que sua prioridade imediata é apoiar os funcionários que deixarão a companhia e pediu aos demais colaboradores que respeitem o espaço dos colegas afetados durante a transição.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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