Governo quer mil escolas ligadas à Internet até 2029 e reforça distribuição de computadores
O Executivo anunciou ter ligado 418 escolas à Internet e distribuído 19.454 computadores a universitários. Esta sexta-feira, outros 1.787 equipamentos foram entregues em Manica e na Zambézia, numa iniciativa que procura ampliar o acesso às tecnologias no sistema educativo.
O Governo moçambicano pretende elevar de 418 para mil o número de escolas ligadas à Internet até 2029, uma meta que implica acrescentar 582 estabelecimentos de ensino à rede nos próximos três anos. O objectivo integra uma estratégia de transformação digital que também contempla a distribuição de computadores a estudantes universitários e a criação de espaços públicos de acesso às tecnologias.
A meta foi anunciada pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, numa altura em que o Executivo intensifica a entrega de equipamentos no ensino superior. Nesta sexta-feira, 30 de Outubro, foram distribuídos 1.787 computadores nas províncias de Manica e da Zambézia, dos quais 821 em Manica e 966 na Zambézia.
As entregas decorreram na Universidade Púnguè, em Chimoio, e na Universidade Licungo, em Quelimane, com a participação dos secretários de Estado Lourenço Mateus Lindonde e Avelino Pinto Muchine, respectivamente.
A distribuição deu continuidade à operação realizada uma semana antes, em Sofala, onde foram entregues 1.572 computadores. No conjunto, as três províncias receberam 3.359 equipamentos entre 23 e 30 de Outubro.
Os computadores integram o programa “Um Computador, Um Estudante do Ensino Superior”, lançado em Abril de 2025, com o propósito de melhorar as condições de aprendizagem e facilitar a utilização de ferramentas digitais nas universidades.
O programa privilegia estudantes que não possuem computador próprio, particularmente os que enfrentam dificuldades económicas, e estabelece prioridade para mulheres e pessoas com deficiência.
A distribuição constitui uma das componentes da estratégia governamental para o sector. Outra é a ligação de escolas à Internet, considerada necessária para ampliar o contacto dos alunos com recursos educativos digitais antes do ingresso no ensino superior.
Segundo o balanço apresentado pelo ministro Américo Muchanga, 418 escolas já estavam ligadas à Internet e tinham sido criadas 20 praças digitais em diferentes pontos do país.
A meta de chegar a mil escolas até 2029 representa um aumento de aproximadamente 139% em relação ao número actualmente anunciado. Para a cumprir, será necessário ligar, em média, cerca de 194 escolas por ano durante os próximos três anos, caso a expansão seja distribuída uniformemente por esse período.
O Governo não apresentou, nos dados considerados para esta notícia, um calendário anual detalhado para a execução da meta, nem a distribuição das novas ligações por província.
Cobertura de rede não significa acesso
A expansão da conectividade enfrenta um desafio que os indicadores nacionais tornam evidente: a existência de redes de telecomunicações não significa necessariamente que a população utilize a Internet.
Dados da União Internacional das Telecomunicações indicam que, em 2024, cerca de 84% da população moçambicana vivia em zonas cobertas por redes móveis de quarta geração. No mesmo ano, apenas 20,5% dos habitantes utilizava a Internet.
Os indicadores medem realidades diferentes. O primeiro refere-se à disponibilidade de cobertura, enquanto o segundo diz respeito à utilização efectiva do serviço. A distância entre ambos mostra que a expansão das redes, por si só, não é suficiente para assegurar o acesso digital.
Entre os factores que podem condicionar a utilização encontram-se o custo dos serviços, a disponibilidade de equipamentos e os conhecimentos necessários para utilizar as tecnologias.
No sistema educativo, estas dificuldades manifestam-se de formas distintas. Nas escolas, a falta de conectividade pode limitar o acesso a materiais de aprendizagem disponíveis na Internet. Nas universidades, a ausência de computadores próprios pode dificultar a realização de trabalhos académicos que exigem programas informáticos especializados.
A estratégia governamental procura actuar sobre estas duas necessidades, embora os resultados dependam das condições de utilização dos equipamentos e das ligações instaladas.
O ministro Américo Muchanga anunciou igualmente que o Governo tinha distribuído 19.454 computadores a estudantes do ensino superior. Este valor corresponde ao balanço nacional apresentado pelo governante e não deve ser somado automaticamente aos 3.359 equipamentos entregues em Sofala, Manica e na Zambézia, uma vez que não está esclarecido se todas estas operações já estavam incluídas no total.
O programa de distribuição de computadores teve início com uma primeira fase de cinco mil equipamentos, sobretudo para estudantes de áreas científicas e tecnológicas, contando com o apoio do Banco Mundial.
A iniciativa procura facilitar a realização de trabalhos académicos, a pesquisa científica e a utilização de programas necessários à formação em diferentes áreas, incluindo engenharias, tecnologias de informação, ciências naturais e ciências da saúde.
A expansão das ligações à Internet nas escolas deverá, por sua vez, permitir que mais alunos e professores tenham acesso a conteúdos digitais e desenvolvam competências informáticas ao longo do percurso escolar.
O alcance da estratégia dependerá, contudo, de factores que vão além do número de computadores entregues ou das escolas ligadas à rede. A manutenção dos equipamentos, a disponibilidade de energia eléctrica, o custo da conectividade e a preparação dos utilizadores são condições relevantes para que os investimentos se traduzam em utilização efectiva.
Com a meta de mil escolas ligadas à Internet até 2029 e a continuidade da distribuição de computadores no ensino superior, o Governo procura ampliar o acesso às tecnologias em diferentes níveis de ensino. Os números anunciados mostram a dimensão das intervenções em curso; a sua contribuição para a aprendizagem dependerá da utilização que alunos e professores conseguirem fazer dos recursos disponibilizados.









