TECNOLOGIA

Binance garante segurança de brasileiros após ataque de R$ 33 bi

A Binance afirmou nesta sexta-feira (30) que os investimentos de seus clientes brasileiros permanecem seguros após um ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em criptomoedas na quinta-feira (29).Continua após a publicidadeSegundo a empresa, os ativos dos clientes brasileiros são armazenados em cold wallets (carteiras frias), que mantêm as chaves de acesso desconectadas da internet. A corretora também afirma cumprir as regras do Banco Central, que exigem a separação dos recursos dos clientes daqueles pertencentes à empresa.
Bitcoin e Ether recuavam mais de 4% na tarde de sexta-feira, enquanto o BNB caía 6%. – iStock
Saques suspensos e reação dos mercadosApesar da garantia de segurança, os saques de criptomoedas continuam temporariamente suspensos para verificações nos sistemas da plataforma. A Binance considera a medida preventiva e prevê restabelecer as retiradas em até 45 horas. Os depósitos não foram afetados, e os demais serviços seguem funcionando normalmente.Em nota, a empresa declarou que “a segurança dos ativos virtuais de nossos clientes continua sendo nossa maior prioridade” e pediu desculpas pelos transtornos.A notícia provocou quedas no mercado de criptomoedas e também atingiu empresas e fundos ligados ao setor. Por volta das 14h24 desta sexta-feira, as cotações registravam:
Criptomoedas: Bitcoin e Ether recuavam mais de 4%, cotados a US$ 77.274,30 (cerca de R$ 417,3 mil) e US$ 2.245,39 (R$ 12,1 mil), respectivamente. O BNB, ligado à Binance, caía 6%, para US$ 700,80 (R$ 3,8 mil).

Ações nos Estados Unidos: os papéis da Coinbase recuavam mais de 13%, enquanto os da Strategy, empresa conhecida por seus investimentos em Bitcoin, caíam mais de 8%.

Fundos na B3: por volta das 12h40, o HASH11 recuava 2,64%, e o QBTC11, atrelado ao Bitcoin, caía 3,94%.
Quais são os riscos para os investidores?A separação dos recursos dos clientes, exigida pelo Banco Central, não elimina a possibilidade de ataques hackers nem garante o ressarcimento de eventuais perdas. As criptomoedas também não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

André Matos, CEO da MA7 Capital, explica que o principal risco imediato para os clientes da Binance é ficar temporariamente sem acesso aos recursos, e não necessariamente perder os investimentos de forma definitiva.A corretora prometeu cobrir os prejuízos utilizando seu fundo de emergência, recursos próprios e valores roubados que já foram bloqueados. Matos ressalta, porém, que a capacidade da empresa de arcar com todas as perdas ainda não foi comprovada de forma independente.“Há ainda um ponto que muita gente não percebe: a promessa cobre os ativos roubados, não a queda de preço”, afirma.Isso significa que mesmo investidores cujas criptomoedas não foram diretamente atingidas podem perder dinheiro com a desvalorização dos ativos. Para Celso Camilo, doutor em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), quem utiliza outras plataformas não está necessariamente exposto ao ataque, embora também possa sentir os efeitos da queda generalizada do mercado.Continua após a publicidade
A corretora informou que cobrirá perdas com fundo de emergência, recursos próprios e valores roubados que foram bloqueados. – Imagem: Stanslavs/Shutterstock
Como proteger os investimentos?O primeiro passo é verificar onde as criptomoedas estão armazenadas e qual instituição responde pela custódia.Segundo Matos, quem mantém os ativos na conta da Binance está diretamente exposto ao problema. Já quem utiliza uma carteira própria, com controle exclusivo das chaves, não tem esses ativos diretamente atingidos pelo ataque, embora continue sujeito às oscilações de preço.Para reduzir os riscos, o especialista recomenda ativar a autenticação em duas etapas, guardar comprovantes dos investimentos e desconfiar de mensagens que prometam liberar saques mediante o fornecimento de senhas ou dados pessoais.Ele também aconselha evitar a concentração de todos os investimentos em uma única corretora. Para quem pretende manter criptomoedas por períodos prolongados, considera importante avaliar o uso de uma carteira própria, preferencialmente física, com cuidado especial na proteção das palavras de recuperação.Continua após a publicidadeO que se sabe sobre o ataque?Como comentamos aqui no Olhar Digital, o roubo é considerado o maior já registrado na história do setor de criptomoedas. Segundo as empresas americanas TRM Labs e Chainalysis, os responsáveis seriam hackers ligados à Coreia do Norte. A Binance, entretanto, informou que sua investigação ainda não identificou os criminosos.De acordo com a Reuters, a corretora trabalha com autoridades policiais de diferentes países, incluindo o Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) e o Serviço Secreto dos Estados Unidos (USSS).Até agora, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em criptomoedas roubadas foram localizados. Parte dos recursos foi bloqueada com a ajuda de outras empresas do setor, mas isso não significa que o dinheiro tenha sido recuperado.A Binance inicialmente suspeitou que os invasores tivessem acessado o computador de um de seus engenheiros. Posteriormente, informou ter identificado outras possíveis falhas exploradas pelos criminosos. Segundo a TRM Labs, os hackers comprometeram o sistema responsável por autorizar transferências de criptomoedas.Continua após a publicidadeA maior parte do roubo ocorreu em aproximadamente 20 minutos, por volta das 17h (horário de Brasília). Depois do desvio, os criminosos movimentaram rapidamente os valores para dificultar o rastreamento e o bloqueio dos recursos.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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