TECNOLOGIA

Snapchat escapa de julgamento sobre vício em redes sociais após acordo

A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, chegou a um acordo com dois adolescentes que acusavam a plataforma de estimular o uso compulsivo de redes sociais e contribuir para problemas de saúde mental. O entendimento foi anunciado nesta segunda-feira (2), durante julgamento nos Estados Unidos que poderia marcar a primeira vez que a companhia enfrentaria um júri nesse tipo de processo.Continua após a publicidadeOs jovens alegam que recursos, como reprodução automática de vídeos e rolagem infinita, foram projetados para incentivar o uso excessivo das plataformas desde a infância. Segundo as acusações, esse comportamento contribuiu para quadros de depressão, ansiedade e transtornos alimentares.O julgamento acontecia em tribunal estadual de Los Angeles, na Califórnia (EUA). A seleção do júri havia começado na semana anterior, e o CEO da Snap, Evan Spiegel, era esperado para prestar depoimento.Os dois adolescentes envolvidos no processo já haviam firmado acordos com outras empresas de tecnologia: Meta, TikTok e YouTube. Com o novo entendimento, todas as companhias inicialmente citadas nas ações desses jovens chegaram a acordos.Adolescentes relatam uso das redes desde a infância
As ações foram apresentadas por S.J., uma adolescente de 16 anos de Illinois (EUA), e K.D.B., de 18 anos, do Mississippi (EUA);

De acordo com as acusações, S.J. começou a utilizar o YouTube aos três anos de idade, enquanto K.D.B. também teve contato com a plataforma ainda na primeira infância. Os dois teriam começado a usar as demais redes sociais por volta dos nove anos;

Os jovens afirmam que desenvolveram hábitos compulsivos relacionados aos aplicativos e responsabilizam recursos, como a reprodução automática e a rolagem infinita, por parte desse comportamento;

As empresas envolvidas rejeitam as acusações de que seus serviços tenham sido projetados para viciar crianças e adolescentes. As companhias afirmam que adotaram medidas para tornar suas plataformas ambientes seguros para o público jovem;

Em comunicado, um porta-voz da Snap afirmou que a empresa desenvolveu mecanismos de proteção, lançou tutoriais de segurança e estabeleceu parcerias com especialistas. Também declarou que a companhia continua comprometida em fortalecer a segurança, a privacidade e o bem-estar de sua comunidade.

CEO da Snap, Evan Spiegel, era esperado para prestar depoimento – Imagem: Ink Drop/Shutterstock
Leia mais:Julgamento poderia influenciar milhares de processosO caso havia sido selecionado entre milhares de ações judiciais pendentes nos Estados Unidos. A intenção era utilizá-lo como um processo de referência (bellwether trial), capaz de testar os argumentos apresentados contra as empresas e potencialmente influenciar a resolução de outras disputas semelhantes.O próximo conjunto de julgamentos desse tipo está previsto para começar em março, segundo os advogados dos adolescentes.A disputa faz parte de uma onda de processos movidos por indivíduos, distritos escolares, municípios e entidades governamentais. As ações alegam que empresas de redes sociais buscaram deliberadamente estimular o uso compulsivo de seus serviços por crianças, contribuindo para uma crise de saúde mental entre jovens.

Em março, no primeiro processo desse tipo levado a julgamento, um júri de Los Angeles considerou Meta e YouTube negligentes e determinou o pagamento de US$ 6 milhões (aproximadamente R$ 34,4 milhões) em indenizações a uma jovem.A pressão judicial também atingiu governos estaduais. Em agosto, a Meta firmou acordos que poderiam chegar a US$ 18 bilhões (aproximadamente R$ 103,3 bilhões) com quase todos os estados e territórios dos Estados Unidos. A empresa também concordou em implementar mudanças no funcionamento do Instagram e do Facebook para adolescentes.Desse montante, US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 28,7 bilhões) estavam condicionados à obtenção de acordos semelhantes com Snap, TikTok e YouTube.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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