Os filhos da liberdade foram à América abraçar a história
▲Cabo Verde vai agora defrontar a Argentina, a atual campeã do mundo
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É de Tubarões Azuis que vive parte da história deste Campeonato do Mundo. Cabo Verde chegou à América do Norte para estrear em fases finais da maior competição de seleções do planeta poucos meses depois de ter falhado o apuramento para a CAN. Pouco havia a dizer de um dos países mais pequenos da história da prova, que era considerado o mais fraco do grupo H, a par da Arábia Saudita. Contudo, os cabo-verdianos mostraram que o futebol vive do presente e começaram por surpreender o planeta com um espectacular empate diante da campeã europeia Espanha. Seguiu-se o Uruguai, que também já foi campeão do mundo, e novo empate num jogo de resiliência, querer e muito sofrimento (2-2). Dois pontos não eram suficientes para seguir em frente, mas permitiam sonhar com o apuramento inédito que a vitória ia garantir, catapultando os Tubarões Azuis para os dois primeiros lugares do agrupamento.O estatuto de sensação pesou mais que o de pioneiro (a crónica do Uruguai-Cabo Verde)
“Não há jogos fáceis no Mundial. Obviamente que será um jogo difícil, mas será difícil para as duas equipas, portanto temos que fazer a nossa parte, dentro daquilo que é o nosso espírito de equipa, e demonstrar valentia de querer fazer um bom jogo e procurar obviamente a vitória. A Arábia Saudita é uma seleção com experiência, bastante organizada em termos de transições bastante perigosas. Vai trazer-nos dificuldades, mas obviamente confiamos na nossa organização e no nosso modelo. Sabemos que é difícil, mas queremos mostrar o nosso valor e fazer um bom jogo. Queremos ver mais de nós do que do adversário. Sempre disse aos meus amigos mais próximos que ia chegar à terceira jornada com possibilidades de nos qualificarmos, e aqui estamos. Esperamos que a nossa presença, sendo um país pequeno e pobre, possa ser uma referência para outros países pobres”, confidenciou Bubista na antevisão, que tornou os cabo-verdianos no primeiro país estreante sem derrotas nas primeiras duas jornadas desde o Senegal de 2002.“Cabo Verde é uma equipa forte e teve desempenhos impressionantes contra Espanha e Uruguai. Estamos perante um jogo decisivo que exige o nosso melhor. Temos de nos manter mentalmente concentrados e demonstrar coesão em campo. É exatamente isso que pretendemos fazer. Este último mês foi o mais difícil da minha carreira como treinador, pois tentei implementar planos rapidamente. Nunca tive tantas reuniões. Amanhã [sexta-feira] faz um mês que estou a trabalhar com os jogadores. Durante este tempo os jogadores receberam muita informação e trabalharam arduamente nos treinos. Temos uma boa equipa. Mas não se pode ir ao treino, carregar num botão e fazer com que a equipa jogue da forma que o treinador quer. Isso leva tempo. Cabo Verde é uma das surpresas do torneio, são fortes e atléticos. O que me impressionou, tanto contra Espanha como contra Uruguai, foi a sua defesa num bloco baixo”, revelou Georgios Donis.
Chegamos ao Estádio de Houston
???? Mundial 2026???? 3.ª Jornada Grupo H????️ 26 de Junho????️ Estádio de Houston ???? 19h00 (23h00 CV)⚽ Cabo Verde ???????? ???? ???????? Arábia Saudita | #FIFAWorldCup2026 | #CaboVerde | #TubarõesAzuis | #WeAreCaboVerde pic.twitter.com/bMNsipvbdh
— Federação Cabo-verdiana de Futebol (@fcfcomunica) June 26, 2026Sem Sidny Lopes Cabral, que cumpriu suspensão por acumulação de amarelos, Bubista colocou João Paulo no lado esquerdo da defesa e mudou quase metade do onze que defrontou o Uruguai. No lado direito, Wagner Pina entrou para o lugar que foi de Steven Moreira, ao passo que Telmo Arcanjo, que saiu lesionado diante dos sul-americanos, foi substituído por Deroy Duarte. No ataque juntaram-se ainda Willy Semedo e Dailon Livramento, que renderam Garry Rodrigues e Gilson Benchimol. Já Donis operou três mexidas e voltou ao 4x4x2, com Nawaf Bousahl, Sultan Mandash e Mohamed Kanno a entrarem no onze, em detrimento de Ali Lajami, Musab Al-Juwayr e Moteb Al-Harbi.
O jogo começou muito disputado e sem balizas, com as duas equipas a acusarem o nervosismo de tamanha responsabilidade. A primeira oportunidade pertenceu aos Tubarões Azuis, com Semedo a ganhar espaço na meia-esquerda, dentro da área, e a desferir um remate forte para defesa de Mohammed Al-Owais ao primeiro poste (22′). Depois da pausa para hidratação, Cabo Verde começou a aproveitar os erros defensivos da frágil Arábia Saudita, pecando no momento da finalização. Ainda assim, os Falcões Verdes ameaçaram o golo na compensação da primeira parte, com Kanno a cabecear sozinho para defesa de Vozinha (45+2′).
???????? Cabo Verde have qualified for the Round of 32!#FIFAWorldCup
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 27, 2026Na etapa complementar, Kevin Pina tentou de longe logo a abrir, mas a bola foi para fora (50′). As primeiras mudanças de Bubista foram no ataque, para onde entraram Nuno da Costa e Hélio Varela à passagem da hora de jogo. Com a pausa para hidratação vieram também Laros Duarte e Garry Rodrigues e a oportunidade mais clamorosa até então, com Nuno a isolar Laros, que acabou por acertar no gigante Al-Owais (75′). Pouco depois, Nuno da Costa voltou a tentar, mas atirou para fora (84′) e, no lance seguinte, Wagner Pina atirou contra um colega à entrada da área e, na recarga, ninguém chegou a tempo (85′). Com o nervosismo à flor da pele, a Arábia Saudita voltou a ameaçar na compensação, mas Vozinha defendeu o remate de Al-Hamdan (90+2′). Ainda houve tempo para Steven Moreira saltar do banco e para, no último lance, Nuno da Costa falhar o golo com um remate em zona frontal para fora, quando a baliza estava aberta (90+5′).
Que grande exibição do central cabo-verdiano, que voltou a mostrar-se em grande plano neste Campeonato do Mundo. A falta de golos neste jogo deve-se, em parte, a Diney Borges, que esteve irrepreensível no capítulo defensivo e ajudou Cabo Verde a fazer história nesta estreia na principal competição do planeta. Terminou o jogo com oito cortes, um desarme e cinco duelos ganhos.
No lado saudita, o principal destaque foi Abdulelah Al-Amri, um dos nomes que se despede do Mundial em maior evidência. Frente aos Tubarões Azuis, o central destacou-se com um desarme, uma interceção, dois cortes, um remate impedido, cinco recuperações de bola e quatro duelos ganhos.
Está feita história, uma vez mais. A cumprir a primeira participação no Mundial, Cabo Verde resistiu ao grupo com as antigas campeãs do mundo Espanha e Uruguai e está pela primeira vez na fase a eliminar da competição, para lá de ter marcado os seus primeiros golos. Só faltou mesmo a primeira vitória, que pode ficar guardada para os próximos jogos, quiçá frente à… Argentina. Segue-se a atual detentora do título, que promete ter uma missão à altura diante da seleção africana. A Arábia Saudita vai para casa.
Num jogo a eliminar, em que as duas seleções tiveram a necessidade de vencer durante praticamente toda a primeira parte, só faltaram os golos. A emoção esteve lá, as oportunidades também apareceram e, nesse capítulo, o nulo deve-se a Nuno da Costa e Laros Duarte, que foram os jogadores mais perdulários nas quatro linhas. Faltou o golo, mas ficou a festa cabo-verdiana.










