CIÊNCIA

Carneiro mexe na direção e vota moções num PS "disponível"

O PS senta-se este domingo à volta da mesa para discutir e votar as 50 moções setoriais que os socialistas levaram ao Congresso do final de março. Desde então já muito se passou na política nacional num dos pontos mais discutidos nessa reunião magna: a relação do PS com o Governo. A orientação da direção mantém-se na “disponibilidade para construir soluções“, mesmo quando sabe que terá na sala quem sinta uma urgência maior para o PS se distanciar da AD.
Na reunião o secretário-geral do PS vai também aproveitar para anunciar uma mexida na sua direção. Pedro Coimbra vai sair, depois de ter sido eleito presidente da federação de Coimbra, e entra a investigadora Isabel Estrada Carvalhais, que já foi eurodeputada pelo PS. Nessa altura ainda era independente, mas entretanto filiou-se no partido, depois da última eleição de Carneiro — em que presidiu à sua Comissão de Honra.Mas será a discussão política que vai dominar os trabalhos deste domingo, sobretudo quando o PS acaba de sair com um acordo com o Governo e tem um Orçamento do Estado, logo depois do verão, sobre o qual terá de se pronunciar. Há inclusivamente uma moção que vai estar em debate que suscitou especial atenção do Congresso, encabeçada por Miguel Costa Matos e Pedro Costa.Nesse texto era defendido que Carneiro fosse mais afirmativo na distância face à AD, parafraseando mesmo uma ideia de António Costa: “Se pensarmos como a direita pensa, não só acabaremos a governar como a direita, como seguramente deixaremos que esta governe como quer.”
Certo é que logo no Congresso não houve quem defendesse uma rutura aberta com o PSD. E mesmo com o Governo “à deriva”, como diz o secretário nacional para a organização, a postura de Carneiro não será outra.Ao Observador, Luís Soares diz que a posição do partido nesta altura é a de “disponibilidade para construir soluções que permitam ao país avançar sem pôr em causa os princípios do PS.” Cabe ao Governo dizer com quem quer dançar: “É o Governo que tem de fazer a opção”.Mesmo quando o Chega tem sido mais procurado do que o PS pela AD? A resposta é: sim. O dirigente socialista aproveita até essa procura frequente do PSD pelo Chega para apontar os riscos dessa parceria e as vantagens de um partido como o PS.“No Governo reina confusão e deriva. Não sabem o que fazer. Apostam tudo num parceiro à direita, confiam num parceiro que não tem nada de confiável e agora corrigem o tiro e procuram aproximar-se das ideias do PS para o país”, afirma. Apresenta o PS como “a alternativa sólida” e disponível até para “compromissos de médio e longo prazo“: “Não fazemos nenhuma política a pensar só no dia de hoje.”
No horizonte próximo vem uma discussão sempre tensa no atual quadro político. O Governo precisa de um parceiro parlamentar para viabilizar o Orçamento do Estado e a abstenção do PS é suficiente para o conseguir. Já foi isso que aconteceu no último Orçamento e não há sinais, na direção do partido, para que isso não se repita este ano.Carneiro trava corte imediato com PSD e aposta na estratégia do desgasteQuando o debate sobre o posicionamento face ao Governo se travou no Congresso, discutia-se também o acordo PSD/Chega para o Constitucional. Mas a última semana trouxe um desaire nesta parceria com a reforma laboral e uma aproximação de Luís Montenegro ao PS na Prestação Social Única. Num vídeo de promoção que divulgou nas redes sociais, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, deixou um elogio rasgado aos socialistas neste último ponto ao dizer que “o PS teve muita dignidade nesta negociação.” O momento é de acalmia entre as partes. Por agora.

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