CIÊNCIA

"Varandas não é o presidente de todos, é só de alguns"

Os primeiros anos de vida de Bruno Sá, na altura ainda conhecido como Bruno Coelho ou Bruno Sorreluz, foram feitos em várias direções partindo sempre de uma zona próxima ao Centro Comercial do Lumiar, na Alameda das Linhas de Torres, onde morava. Para o lado direito tomava a direção do Paço do Lumiar, onde estudou no Colégio Manuel Bernardes antes de acabar o 12.º na Escola Secundária do Lumiar. Para o lado esquerdo ficava todo o Mundo Sporting, que tinha na altura o Estádio José Alvalade, a Nave, os Pavilhões mais antigos e toda a zona circundante com uma vida que as novas infraestruturas acabaram por “mudar”. Para a direita mas virando de novo para a direita e não para a esquerda encontra-se ainda hoje o Colégio São João de Brito – e foi ali, nos torneios de fim de semana entre escolas, colégios e clubes (que ainda agora se realizam, mas tendo sobretudo escolas de futebol), que começou a dar nas vistas para o desporto.
Bruno Sá foi atleta de ginástica dos leões, numa altura em que o desporto de base do Sporting estava no seu apogeu pelo fomento implementado na era João Rocha no clube, gostou desde pequeno de basquetebol por influência do irmão Gonçalo, que jogava dois escalões acima do seu nos verde e brancos, mas chegou a ir fazer treinos de captação ao futebol de formação leonino, que contava na altura com treinadores de base que tinham sido antigos jogadores como Osvaldo Silva ou César Nascimento. Ainda esteve uns tempos no pelado, ainda viveu a experiência de se equipar nos balneários do Estádio e atravessar depois a 10A para o campo, acabou por “render-se” aos pavilhões e ao basquetebol. Foi aí que fez todo o percurso como atleta jovem até aos 15 anos, na posição de base e com o número 7, sendo um dos jogadores mais promissores dessa geração – algo que chegou a ser mesmo destacado pelo Jornal Sporting. Em paralelo, participava também nos torneios entre colégios de basquetebol, futebol e o que mais houvesse. Tempo para os TPC era pouco…Militares, médicos, advogados, empresários, o político que renunciou no dia seguinte: quem são e o que fizeram os 43 presidentes do Sporting
Sendo de uma geração que cedo se habituou a fazer vida no Estádio e arredores, o fim de semana acabava por ser passado todo em Alvalade. A participar em jogos no sábado de manhã, a ver jogos no sábado à tarde e à noite, a passar pelos campos relvados de cima aos domingos de manhã que enchiam com centenas de pessoas que quase delimitavam por elas próprias as linhas de jogo sobretudo na altura das fases finais de juniores e juvenis (iniciados e infantis ainda tinham a final nacional na zona Centro do país), a rumar ao campo onde o futebol sénior jogasse no domingo à tarde. Pelo meio, os sítios de convívio eram os mesmos: o restaurante Magriço, um outro restaurante no estádio chamado Toca do Cardoso, o Léo Burger em frente ao Museu, a sala de sócios com mesas para cartas e snooker, a loja de conveniência na Alameda das Linhas de Torres que os mais novos aproveitavam por ter preços mais acessíveis. Assim passavam os fins de semana, naqueles que foram também os primeiros anos em que começou a andar na claque Juventude Leonina.A extinção do basquetebol, num referendo feito pela Direção do clube então liderada por Pedro Santana Lopes que colocava também em jogo o andebol, acabou por começar essas dinâmicas. À semelhança de toda a equipa da geração de 80, Bruno Sá teve de encontrar uma nova equipa, com a maioria desse grupo a rumar à PT e mais tarde tarde ao Clube TAP, mas uma lesão grave no joelho acabou por travar durante algum tempo a carreira – ficou apenas o bichinho, que mais tarde levou a que organizasse a fundação da Academia Basket Lumiar, que chegou à Proliga. Já com o basquetebol quase como um hobbie, tirou o curso de Jornalismo e Comunicação da Universidade Lusófona e fez outras formações nas outras duas paixões: a fotografia (chegou a ter um espaço também na zona do Lumiar) e o futebol. Foi isso que lhe reabriu a porta do Sporting.Antes da corrida só com um debate, houve perseguições, ameaças e muitos jogadores: como foram as dez campanhas eleitorais do Sporting
Depois de ter tirado o curso UEFA B (nível 2), fez o estágio na Academia em Alcochete onde se cruzou com nomes como Eric Dier e Iuri Medeiros e acabou por ficar como olheiro do departamento de scouting verde e branco para a formação, na altura em que Bento Valente era o coordenador técnico. Acabou por sair numa fase de desinvestimento do Sporting nessa área – que para muitos ainda hoje tem impacto no clube.O sonho de abrir um restaurante que pudesse recriar aquilo que vivera na sua juventude esteve presente durante vários anos, ganhando outro relevo nessa altura de 2014 e 2015 com a edificação do Pavilhão João Rocha depois de longos anos com as modalidades de “casa às costas”. Faltava apenas o espaço, que surgiu na Rua António Stromp, perto do novo pavilhão dos leões e numa zona sempre frequentada por muitos adeptos antes e depois dos jogos do futebol e das modalidades. Até o nome estava antes pensado: o Cantinho para recordar o momento em que João Morais deu o único título europeu do futebol ao Sporting com a Taça dos Vencedores das Taças em 1964, Sá em homenagem a um dos seus grandes ídolos do universo leonino, Ricardo Sá Pinto, que lhe valeu a alcunha pela qual ainda hoje é conhecido. Agora seguiu-se o outro “sonho”.Mais do que algo “pensado”, a ideia de avançar com uma candidatura à presidência do Sporting acabou por ser mais uma consequência de vários anos a tomar contacto pelo clube por dentro com todas as pessoas que iam passando pelo restaurante do que propriamente uma “causa”. E, na essência, se a ideia de ter um espaço como o Cantinho do Sá entroncava nesse imaginário do que era o quotidiano verde e branco nos anos 90, a possibilidade de ser candidato à liderança do clube em 2026, que foi amadurecida durante os últimos dois/três anos, procura também apontar no sentido de um Sporting mais “à antiga”, que coloca os sócios no centro de tudo e não deixa cair essa cultura mais “pura” numa era moderna que acompanha novas realidades em torno do fenómeno desportivo. E com mais um ponto: o facto de ter percebido as movimentações que existiam (ou existem) para o ato eleitoral de 2030 acabou por “acelerar” a entrada da corrida… Já em 2026.

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