CIÊNCIA

CACE Centro inaugurado em Alcabideche com obras do Estado

O espaço que acolhe a Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) é inaugurado esta quarta-feira, em Alcabideche, Cascais, com a exposição intitulada “Dual Sim”, composta por uma seleção de 23 das obras adquiridas desde 2019, segundo os responsáveis.
Além da exposição, com curadoria de Filipa da Rocha Nunes e Sofia Montanha, o programa da inauguração, marcada para as 18h00, inclui ainda a apresentação de um projeto que a CACE tem vindo a desenvolver com a Companhia Nacional de Bailado.O CACE Centro dispõe de uma sala central de grandes dimensões, destinada a atividades educativas, conferências e programação cultural, duas salas de exposições temporárias e uma ‘black box’ dedicada à apresentação de obras multimédia.O centro foi criado para funcionar em modelo híbrido, com exposições e visitas às reservas, conjugando áreas técnicas especializadas de conservação e gestão da coleção com atividades de mediação cultural e programas educativos, explicou a diretora e curadora deste equipamento, Sandra Vieira Jürgens, numa visita guiada à Lusa, uma semana antes da inauguração.
“É um espaço de reservas visitáveis que tem pela primeira vez reunido quase todo o acervo da coleção num edifício aberto ao público, para mostrar o quotidiano da conservação das reservas, inventariação, catalogação e estudo das obras”, disse a responsável.Para a diretora, a abertura do novo centro constitui o culminar de um processo de recuperação e valorização institucional da coleção do Estado, iniciado nos últimos anos: “A coleção data de 1976 e nasceu muito da exigência dos artistas em criar uma coleção que representasse a produção artística contemporânea”, recordou, na altura.Instalado num edifício antes pertencente à Fundação Ellipse, ligada ao Banco Privado Português (BPP), e adquirido pelo Estado no âmbito do processo de insolvência da instituição financeira, o espaço recebeu obras de adaptação avaliadas em cerca de um milhão de euros e passa a concentrar um conjunto significativo das mais de 3.200 obras que atualmente compõem a CACE.Ao longo das décadas, a coleção foi sendo expandida com aquisições regulares, mas sofreu no entanto um período de menor atividade, que durou mais de vinte anos, lembrou a historiadora de arte que lidera uma equipa composta ainda por Ana Guimarães, Beatriz Hilário, David Teles Pereira, Maria de Lurdes Marrinhas, Alice Watt-Dalston e Diogo Torres em estágio.
Atualmente, cerca de 1.300 obras encontram-se instaladas no CACE Centro, mantendo-se as restantes em depósitos e núcleos associados a instituições parceiras, como a Fundação de Serralves, autarquias, embaixadas, organismos públicos e entidades culturais.Apesar de o centro ter sido criado para acolher a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a diretora sublinha que a sua missão continuará a assentar na circulação das obras pelo território nacional e internacional.“A coleção vai continuar a descentralizar e a estar presente em todo o território. É para isso que ela serve. É uma coleção de todos”, salientou Sandra Jürgens sobre o acervo que, desde 2023, foi divulgado em 16 exposições, das quais 11 em Portugal e cinco no estrangeiro, passando por cidades como Madrid, Berlim, Roma e Xangai.O calendário para os próximos meses e até ao início de 2028 prevê novas apresentações em Sines, nos Açores e em Viseu, seguindo-se, em 2027, projetos em Évora – Capital Europeia da Cultura, Funchal e, internacionalmente, em Paris.
O CACE Centro em Alcabideche funcionará de segunda a sexta-feira, das 09h30 às 12h30, e das 14h00 às 17h00, mediante marcação prévia no ‘site’, e encerra aos fins de semana, feriados nacionais, feriado municipal de Lisboa (13 de junho) e a 24 e 31 de dezembro.

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