CIÊNCIA

Três filmes para ver esta semana

A francesa Sophie Letourneur realiza, escreve o argumento (com Laetitia Goffi) e interpreta esta fita em que recria as suas férias de Verão com a família — o marido, uma filha com 10 anos e um miúdo pequeno que não pára de fazer cocó nos sítios errados —, fazendo de L’Aventura o oposto de um daqueles filmes estivais cheios de gente bonita e de sensualidade e langor. É a crónica caótica, artesanal e cheia de imprevistos e pormenores prosaicos de umas férias de classe média em família. Mas esta autoficção torna-se repetitiva (as personagens não param de rever e repisar o que já fizeram), sublinhando a sua trivialidade e a sua falsa espontaneidade, e acaba por ficar prisioneira do conceito que lhe preside. A certa altura, já estamos fartos da companhia desta família, igual a muitas outras.
Pierre Coffin assina o novo filme animado dos Mínimos, que começa por contar a história destas irresistíveis criaturazinhas amarelas, tagarelas e geradoras de confusão, e da sua busca por vilões a quem servir (os quais acabam sempre por eliminar sem querer), mostrando depois como chegaram a Hollywood e se transformaram em estrelas do cinema, após uma confusão durante a rodagem de um filme que interromperam. Com a chegada do sonoro, e porque a sua linguagem é incompreensível, os Mínimos acabam por ser despedidos pelo estúdio que os tornou famosos, até que um deles tem uma ideia: fazerem um filme de monstros, intitulado, naturalmente, Mínimos e Monstros. E conseguem descobrir um monstro real, embora não muito grande e nada assustador, que lhes propõe ajudá-los a arranjar outros monstros mais horríveis que ele para a fita.
A primeira incursão no cinema de ficção do oscarizado documentarista Daniel Roher é um thriller passado em Nova Iorque. Niki White (Leo Woodall) é um jovem afinador de pianos solitário e ensimesmado, que era um prodígio deste instrumento, mas teve de desistir de uma certamente brilhante carreira musical por ter começado a sofrer de hipersensibilidade auditiva, ou hiperacusia. Esta doença torna-o de tal forma sensível aos sons, que pode ser brutalmente dolorosa, e por isso Niki anda sempre com auscultadores, por vezes dois, um deles da modalidade que cancela ruídos. Trabalha com Harry Horowitz (Dustin Hoffman), um antigo pianista de jazz, e é como um filho para ele e para a mulher, Marla (Tovah Feldshuh). Tuner — Ouvido Absoluto, Mão Leve foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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