Mais de metade das casas antigas sem renovação energética
▲egundo o INE, o custo financeiro é o motivo mais apontado pelas famílias para não renovarem o que consideram necessário na sua habitação, sendo essa a razão mais apontada pelas famílias "que vivem em risco de pobreza"
JOSÉ COELHO/LUSA
Mais de metade das habitações familiares anteriores a 1960 não sofreram obras de renovação para melhorar a eficiência energética e 30,1% das casas construídas antes de 1945 são ocupadas por famílias em risco de pobreza, indicou esta sexta-feira o INE.
As conclusões resultam de um inquérito realizado em 2025 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), e esta sexta-feira divulgado, que mede as condições de vida e rendimento dos cidadãos na área da energia e ambiente.Os resultados indicam que “mais de metade dos agregados familiares residentes em alojamentos construídos antes de 1960 (54,7%) referiram não ter havido qualquer renovação visando mais eficiência energética apesar de ser necessária”.Por contraponto, “mais de um quinto das famílias residentes em alojamentos construídos após 2015 (21,6%) beneficiaram de pelo menos uma medida de renovação com vista à melhoria da eficiência energética”, refere-se na síntese estatística do inquérito.
Ao mesmo tempo, “os agregados familiares em risco de pobreza ocupavam 30,1% dos alojamentos construídos antes de 1945 e 11,4% dos alojamentos construídos após 2015”.Segundo o INE, o custo financeiro é o motivo mais apontado pelas famílias para não renovarem o que consideram necessário na sua habitação, sendo essa a razão mais apontada pelas famílias “que vivem em risco de pobreza”.Esse motivo é apontado por 90,1% dos agregados familiares mais pobres, por comparação com 77,9% da população que vive acima do limiar de pobreza (8.679 euros).“A população em risco de pobreza revelou ter sido mais afetada por danos causados à habitação por causas ambientais/meteorológicas: 7,5% (6,9% para as pessoas que vivem acima do limiar de pobreza)”, refere o INE.
Especifica que “os danos desta natureza afetaram mais os residentes em áreas urbanas (7,7% nas áreas predominantemente urbanas e 6,6% nas áreas mediamente urbanas) em comparação com as áreas rurais (6,0%)”.O INE refere ainda que “a condição de pobreza também se revela diferenciadora das condições habitacionais”.“As taxas de sobrelotação e de privação habitacional severa nas famílias com crianças eram cerca de quatro vezes as dos agregados sem crianças”.A taxa de sobrecarga das despesas em habitação da população em risco de pobreza “era mais de oito vezes a taxa observada na restante população”, com as taxas a serem de 24,4% entre os mais pobres e de 2,9% nos restantes.
Apesar disso, diz o INE, “90,1% dos agregados familiares em risco de pobreza revelavam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o alojamento”.O instituto estatístico refere ainda, relativamente à importância do ambiente, que os resultados do inquérito “sugerem que os agregados familiares com crianças valorizam mais a proximidade a espaços verdes públicos”.“Em 2025, 44,9% das famílias sem crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público, com a proporção a aumentar para 47,0% para as famílias com crianças. Mais de metade dos indivíduos de famílias compostas por dois adultos com três ou mais crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público”, diz o INE.A componente ambiental do inquérito questionava ainda as famílias sobre a separação de lixo. Os resultados mostram que “72,7% dos agregados familiares indicavam separar sempre ou quase sempre embalagens de plástico como garrafas, garrafões ou os frascos do lixo doméstico geral”.
Outra informação que se retira do inquérito é a de que “mais de 90% dos indivíduos pertencem a famílias cujo automóvel de uso particular mais recente é movido a gasóleo ou gasolina”, 4,0% aos automóveis híbridos e 3,4% aos automóveis elétricos.Este inquérito permitiu ainda ao INE perceber que “um quarto da população (25,6%) relatava ter efetuado pelo menos uma viagem de avião na Europa nos últimos 12 meses, para fins particulares ou profissionais”. Para fora da Europa, a proporção é menor, ficando-se nos 9,3% da população.









