ONU faz alerta sobre IA e pede regras globais para proteger crianças
Tudo sobre Inteligência Artificial
A proteção das crianças virou um dos principais temas do primeiro Diálogo Global da ONU sobre Governança de IA, realizado em Genebra. O encontro reúne governos e especialistas para discutir como acompanhar o avanço acelerado da inteligência artificial.Continua após a publicidadeO debate ganhou força com um apelo de mais de 100 organizações internacionais, que defendem regras mais rígidas e maior responsabilidade das empresas que desenvolvem sistemas de IA.Mais de 100 organizações pressionam por regras mais rígidas para empresas de IA e maior proteção ao público infantil. – Imagem: Marina Demidiuk/iStockGuterres faz alerta sobre a velocidade da IANa abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a inteligência artificial está evoluindo mais rapidamente do que governos, empresas e até os próprios desenvolvedores conseguem acompanhar. “Uma tecnologia que pode remodelar economias, transformar o mundo do trabalho, influenciar eleições e alterar o equilíbrio da segurança está sendo implantada mais rápido do que qualquer pessoa, incluindo aqueles que a desenvolvem, consegue acompanhar”, declarou.Segundo a Reuters, Guterres defendeu a adoção de regras harmonizadas globalmente para acompanhar essa transformação. Para ele, inovação e segurança precisam caminhar juntas. “Se a IA quiser ser poderosa, ela precisa ser governada”, afirmou.O encontro também analisa a primeira avaliação científica global e independente sobre inteligência artificial, elaborada por um painel de 40 especialistas apoiado pela ONU.Crianças entram no centro da discussãoUm dos pontos mais debatidos foi o impacto dos sistemas de IA sobre crianças e adolescentes. Guterres alertou que essas ferramentas já participam do aprendizado, das amizades e até das conversas mais íntimas de menores antes que sua segurança tenha sido comprovada.Entre as propostas apresentadas estão:
comprovar a segurança dos sistemas antes do lançamento para crianças;
impedir a geração de imagens sexuais envolvendo menores;
interromper conversas quando houver sinais de sofrimento infantil;
estabelecer regras internacionais de proteção ao público infantil.
Outro dado citado por Guterres chama a atenção: enquanto a internet levou cerca de 15 anos para alcançar um bilhão de usuários, a IA atingiu essa marca em apenas dois anos. Ele também demonstrou preocupação com a concentração dos sistemas mais avançados em poucos países e empresas.Debate em Genebra reúne governos e especialistas para discutir como regular a inteligência artificial sem frear a inovação. – Imagem: Marija Stepanovic / iStockCoalizão pede mudanças nas regrasNa véspera do encontro, mais de 100 organizações, entre elas Anistia Internacional e Save the Children, divulgaram um apelo conjunto. De acordo com a Euronews, a iniciativa é liderada pela 5Rights Foundation e defende que a responsabilidade pela segurança dos sistemas seja das empresas, e não dos pais.Leia mais:Continua após a publicidadeA coalizão propõe testes prévios de segurança, sanções financeiras para empresas que desrespeitem os direitos das crianças e a proibição do uso comercial de imagens, vozes e dados biométricos de menores.
As crianças nos deram um diagnóstico claro do problema. Elas não estão nos pedindo para bloquear a inovação em IA, mas também não deveríamos ter que limpar a bagunça depois que o dano já aconteceu.
Leanda Barrington-Leach, diretora executiva da 5Rights Foundation, ao Euronews.Próximos passos da ONUA Reuters informa que um relatório científico mais amplo será apresentado no próximo ano, acompanhado de uma nova reunião global em Nova York. A expectativa é dar continuidade às discussões sobre mecanismos de governança capazes de acompanhar a rápida evolução da inteligência artificial e ampliar a proteção ao público infantil.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Ver todos os artigos →










