Crise no abastecimento de água deve estabilizar
▲Vereador diz que o plano estratégico dos SMAS aponta para que o abastecimento de água em Almada melhore no primeiro trimestre de 2027
Anabela Luís/Câmara Municipal de Almada
O presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada disse esta segunda-feira que a atual crise no abastecimento de água no concelho deverá estabilizar este mês com dois novos furos de captação.
“Temos já um novo furo a funcionar, iremos ter outro este ano que já vai ajudar em muito a resolver esta questão. Portanto estamos a dar como previsão temporal o mês de julho”, disse.Luís Palma, que é também vereador da CDU na Câmara Municipal de Almada liderada pela socialista Inês de Medeiros, falava à comunicação social minutos depois de ter recebido uma delegação de um movimento de cidadãos que se concentrou esta segunda-feira à porta dos SMAS a exigir que o problema seja resolvido.O responsável tentou inicialmente conversar com os manifestantes, que empunhavam cartazes exigindo a reposição do serviço que nos últimos dias tem sofrido cortes em várias zonas do concelho, mas os ânimos exaltados levaram a que essa explicação acabasse por ser feita num encontro com elementos do Movimento Futuro da Costa, que convocou o protesto, já dentro das instalações dos SMAS, ao qual se seguiu uma conferência de imprensa.
Aos jornalistas, Luís Palma adiantou que o plano estratégico dos SMAS aponta para que o abastecimento de água no concelho de Almada melhore efetivamente no primeiro trimestre de 2027, aguardando que três novos furos recebam o licenciamento por parte da Agência Portuguesa do Ambiente além de outros três que se encontram em fase de projeto.“Portanto, imaginamos nós que, no âmbito do plano que estamos a desenvolver, possamos, no primeiro trimestre do próximo ano, ter mais furos de captação, o que vem ajudar muito na distribuição de água”, disse.A água que está atualmente a ser captada, adiantou, é inferior ao atual consumo, sendo que 93 por cento dos furos de Almada localizam-se no concelho do Seixal (28 de um total de 32).Contudo, explicou, o furo que agora entrou em funcionamento foi já feito no concelho de Almada.Luís Palma disse ainda que a atual administração dos SMAS entrou em funcionamento em dezembro de 2025, resultado daquilo que foram as eleições autárquicas, iniciando a execução do orçamento e do plano aprovado nos órgãos municipais e no conselho de administração a partir de fevereiro.
O trabalho inicial, explicou, foi ouvir os trabalhadores dos vários departamentos para aferir quais as obras mais urgentes a realizar no sistema de distribuição de água, de captação de água, de reservatórios e de outras obras estruturantes, que também alimentam e suportam a rede.“Esse plano existe e, portanto, nós estamos, neste momento, com seis meses, digamos assim, de execução desse mesmo plano e quando se diz que não existe um plano, ele existe, está a ser executado e precisa de tempo”, disse, adiantando que fruto desse plano já está em funcionamento um novo furo de captação e que vai entrar outro em breve.Nos últimos dias, moradores de várias localidades do concelho de Almada têm relatado sucessivas falhas de água, tendo sido lançada uma petição que conta já com mais de quatro mil assinaturas, na qual os peticionários exigem medidas urgentes para minimizar os impactos da falta de água.Os peticionários pedem ainda uma intervenção urgente para que este problema seja resolvido com a maior brevidade possível e manifestam-se “profundamente preocupados e indignados perante as frequentes interrupções no abastecimento de água” que têm afetado parte do concelho, em especial a Costa da Caparica, a Sobreda e os Capuchos.
Na petição, é explicado que “há várias semanas que milhares de residentes e comerciantes enfrentam cortes de água recorrentes, muitas vezes durante horas consecutivas e frequentemente em períodos críticos do dia, nomeadamente ao final da tarde e início da noite, quando a maioria das famílias regressa a casa e necessita de utilizar este serviço essencial”.Esta situação, adiantam, tem provocado sérios constrangimentos à população, impedindo atividades básicas e indispensáveis do quotidiano, como tomar banho ou preparar refeições, bem como o funcionamento normal de estabelecimentos comerciais.A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) pediu esclarecimentos aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, na sequência de queixas que lhe foram dirigidas.O Movimento Futuro da Costa, que se candidatou nas ultimas autárquicas, anunciou a realização na manhã desta segunda-feira de uma concentração de protesto junto aos SMAS Almada, enquanto nas redes sociais está a ser anunciada a realização, no dia 8 de julho, quarta-feira, na Costa da Caparica, de um cordão humano silencioso para apelar à resolução urgente da falta de água.









