TECNOLOGIA

Do celular à IA, a nova Nokia ganha força e ressurge no mercado

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A Nokia, empresa finlandesa que abandonou há anos o mercado de celulares, acelerou sua transformação em fornecedora de infraestrutura para inteligência artificial e passou a disputar espaço no crescimento dos centros de dados. A mudança estratégica ajudou a impulsionar suas ações, que acumulam valorização de cerca de 90% no ano.Continua após a publicidadeA companhia passou a concentrar esforços em equipamentos e softwares usados na comunicação entre servidores, redes ópticas e gerenciamento do tráfego de dados. O movimento ocorre enquanto grandes empresas de tecnologia ampliam investimentos em estruturas capazes de sustentar aplicações de inteligência artificial.A nova fase da Nokia ganhou força após a chegada do presidente-executivo Justin Hotard, ex-líder da área de data centers e inteligência artificial da Intel, e após a aquisição da Infinera, empresa especializada em tecnologia óptica. A estratégia, porém, ainda depende da capacidade da companhia de transformar o entusiasmo do mercado em resultados financeiros consistentes.Da fabricante de celulares à fornecedora da era da IA
Imagem: Igal Vaisman/ShutterstockA trajetória da Nokia mudou radicalmente desde o auge de sua presença no mercado de telefones móveis. A companhia, fundada em 1865 como uma fábrica de celulose às margens do rio Nokianvirta, na Finlândia, passou por diferentes setores antes de se tornar uma das marcas mais conhecidas de celulares no mundo.Durante a bolha das empresas de tecnologia no ano 2000, o valor de mercado da companhia ultrapassou US$ 250 bilhões. Anos depois, a Nokia vendeu sua divisão de aparelhos para a Microsoft, em 2014, e direcionou seu foco para infraestrutura de telecomunicações, fornecendo equipamentos para operadoras móveis.Essa área continua representando pouco mais da metade da receita da empresa, mas perdeu ritmo após a conclusão dos grandes ciclos de implantação das redes de quinta geração. Com a desaceleração desse mercado, a Nokia passou a buscar uma nova fonte de crescimento ligada ao avanço da inteligência artificial.A mudança ganhou velocidade sob o comando de Hotard, que trouxe executivos com experiência no Vale do Silício para ampliar a atuação da empresa no segmento de infraestrutura de IA. A companhia também recebeu um impulso adicional quando a Nvidia comprou uma participação de 2,9% na Nokia por US$ 1 bilhão, em outubro, como parte de um acordo de colaboração entre as duas empresas.

A aquisição da Infinera, concluída por US$ 2,3 bilhões sob a gestão anterior do executivo Pekka Lundmark, ampliou a presença da Nokia no mercado de redes ópticas, tecnologia responsável pelo transporte de grandes volumes de dados. Segundo dados citados pelo pesquisador Ian Redpath, da consultoria Omdia, a participação da companhia nesse setor na América do Norte chegou a 27,3% em 2025, contra 6,3% no ano anterior.
Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/ShutterstockNo segmento, a Nokia ocupa atualmente a segunda posição, atrás da Ciena, que lidera com 50,1% de participação de mercado, conforme os dados apresentados pela consultoria.O avanço da área relacionada às redes ópticas também elevou as expectativas da empresa. Após um primeiro trimestre considerado forte nesse segmento, a Nokia quase dobrou sua projeção de crescimento anual, passando a estimar uma expansão entre 18% e 20%.Continua após a publicidadeApesar do cenário favorável, a companhia enfrenta obstáculos comuns ao setor de inteligência artificial. A disputa por componentes utilizados na construção de infraestrutura tecnológica aumentou, provocando dificuldades de abastecimento e prazos mais longos para entrega de alguns itens.Em abril, Justin Hotard afirmou que a empresa avaliava alternativas para garantir fornecimento e controlar custos diante da expectativa de aumento nos preços dos semicondutores. Para Daryl Schoolar, analista e diretor da Recon Analytics, o desempenho recente das ações da Nokia está ligado ao entusiasmo criado pelo mercado de IA. O especialista acrescentou que a valorização depende do próprio avanço da inteligência artificial, um cenário que, segundo ele, ainda não é totalmente garantido.A exposição ao ciclo da IA também traz riscos financeiros. Investidores passaram a questionar os altos gastos das empresas de tecnologia, as dúvidas sobre a geração de receita com essas aplicações e o impacto dos juros elevados sobre os investimentos financiados por dívida para expansão de centros de dados.Continua após a publicidadeAmanda Lyons, chefe de pesquisa da Energy Group Capital, avaliou que o mercado já precifica a Nokia como uma companhia de inteligência artificial, embora os resultados ainda precisem acompanhar essa expectativa.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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