Sonda da NASA “acorda” após 321 dias e volta ao espaço profundo
A sonda New Horizons, da NASA, voltou à ativa depois de passar 321 dias em hibernação. A espaçonave retomou a transmissão de dados científicos e seguirá investigando uma das regiões mais distantes já alcançadas por uma missão espacial.Continua após a publicidadeO objetivo agora é estudar a área externa da influência do Sol, onde começa a transição para o espaço interestelar. A NASA confirmou que a nave está funcionando normalmente.
A sonda da NASA que visitou Plutão agora segue viagem rumo à fronteira onde o domínio do Sol começa a desaparecer. Imagem: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research InstituteSonda retoma operações após quase um ano desligadaO retorno da New Horizons ocorreu sem problemas. Segundo a NASA, todos os sistemas permaneceram estáveis durante o período de hibernação programada.
Cada relatório de status durante esse período de hibernação foi ‘verde’, significando que tudo estava bem a bordo da New Horizons em todas as semanas.
Alice Bowman, gerente de operações da missão New Horizons no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em nota.Lançada em 2006, a espaçonave entrou para a história por sua velocidade de partida, cerca de 36.400 milhas por hora (58.500 km/h). No caminho até a região externa do Sistema Solar, ganhou impulso ao passar por Júpiter em 2007 e realizou o primeiro sobrevoo de Plutão em 2015.Atualmente, a New Horizons está a aproximadamente 9,5 bilhões de quilômetros, distância equivalente a cerca de 64 vezes a separação entre a Terra e o Sol.Missão vai investigar a fronteira do espaço interestelarA próxima etapa da jornada envolve estudos na heliosfera, região dominada pela influência do Sol. A sonda segue em direção à heliopausa, ponto onde o vento solar encontra o meio interestelar.As sondas Voyager já ajudaram cientistas a entender essa fronteira, identificando uma barreira formada por plasma quente e denso. A New Horizons, porém, possui instrumentos mais modernos e poderá registrar informações mais detalhadas.
Entre os próximos trabalhos da missão estão:
analisar o hidrogênio nas regiões externas da heliosfera;
transmitir dados acumulados durante o período de hibernação;
estudar objetos gelados do Cinturão de Kuiper;
procurar novos alvos para observação.
Em 2019, a New Horizons visitou Arrokoth, o objeto mais distante já observado de perto por uma espaçonave. – Imagem: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute/Steve GribbenLonga viagem ainda reserva novas descobertasA heliopausa deve começar a cerca de 120 unidades astronômicas do Sol, quase o dobro do caminho já percorrido pela New Horizons. Até chegar lá, a nave continuará atravessando o Cinturão de Kuiper.Leia mais:Continua após a publicidadeFoi nessa região que a sonda visitou, em 2019, o Arrokoth, objeto com formato semelhante a um amendoim e o corpo mais distante já observado de perto por uma espaçonave.Segundo a NASA, cada comunicação entre a Terra e a New Horizons leva cerca de 8 horas e 52 minutos. Mesmo com a enorme distância, a missão continua enviando informações importantes sobre áreas pouco exploradas do Sistema Solar.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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