Vênus ainda guarda mistérios que a ciência tenta explicar
Durante muito tempo, Vênus foi tratado como um planeta praticamente sem atividade geológica. Um novo estudo, porém, indica que essa visão pode precisar de revisão.Continua após a publicidadeSimulações feitas por pesquisadores da ETH Zurique apontam que enormes vales na superfície venusiana podem continuar ativos, o que muda a forma como os cientistas enxergam o planeta.
Os enormes vales de Vênus podem não ser apenas marcas do passado. Eles talvez ainda estejam em transformação. – Imagem: Artsiom P – ShutterstockMarcas antigas talvez não sejam tão antigasOs grandes vales de ruptura de Vênus sempre chamaram a atenção por lembrarem estruturas encontradas na Terra, como o Vale do Rift Africano. Alguns chegam a 10 mil quilômetros de extensão.Até agora, a hipótese predominante era que esses sistemas haviam se formado há mais de 100 milhões de anos e permaneciam apenas como vestígios de um passado distante. As novas simulações sugerem outro cenário: parte deles pode ter surgido recentemente ou até continuar em transformação.Simulações revelam detalhes inéditosPara chegar a essa conclusão, a equipe desenvolveu modelos tridimensionais de alta resolução, capazes de reproduzir essas formações com um nível de detalhe que os modelos anteriores, em geral bidimensionais, não alcançavam.As análises indicam que:
alguns riftes podem ser geologicamente recentes;
essas estruturas podem se expandir entre 3 e 10 centímetros por ano;
seus flancos tornam-se rapidamente mais suaves quando o movimento termina;
os sistemas mais antigos apresentam relevo menos acentuado.
As características vistas nas simulações também aparecem nas imagens registradas pela sonda Magellan, lançada na década de 1990, o que fortalece as conclusões do estudo.“Os resultados ajudam a avaliar melhor a atividade tectônica em Vênus”, afirmou Taras Gerya, professor de Geodinâmica da ETH Zurique.
As novas descobertas podem orientar futuras missões da NASA e da ESA ao planeta vizinho da Terra. Imagem: Vadim Sadovski/Shutterstock
O que isso muda nas futuras missõesAs simulações reforçam outra ideia importante: o interior de Vênus pode ser mais dinâmico do que se acreditava. Isso ajuda a identificar regiões que merecem análises detalhadas nas próximas missões espaciais.Leia mais:NASA e Agência Espacial Europeia (ESA) já preparam novas explorações do planeta. Entre elas está a missão EnVision, prevista para o início da década de 2030, que investigará Vênus desde sua superfície até as camadas mais altas da atmosfera.Além de ampliar o conhecimento sobre a evolução de Vênus, os pesquisadores acreditam que o trabalho poderá contribuir para identificar exoplanetas rochosos com características semelhantes às dos planetas do Sistema Solar.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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