TECNOLOGIA

Maior medo sobre carros elétricos pode estar chegando ao fim

Depois de cinco anos de uso, muitos carros elétricos ainda preservam até 95% da autonomia original. O dado surpreende porque contraria previsões feitas quando essa tecnologia começou a ganhar espaço.Continua após a publicidadeNa prática, os levantamentos mais recentes mostram que uma das maiores preocupações dos consumidores perdeu força nos últimos anos.
A tecnologia das baterias evoluiu: novos sistemas de controle e refrigeração ajudaram a aumentar a vida útil dos carros elétricos. – Imagem: Zigmunds Dizgalvis / ShutterstockOs primeiros modelos deixaram uma impressão ruimQuando os carros elétricos começaram a chegar ao mercado, a durabilidade das baterias gerava desconfiança. Parte dessa fama veio do Nissan Leaf, lançado em 2010 sem sistema de refrigeração da bateria, que ficou conhecido pela perda acelerada de autonomia.Isso ajudou a alimentar a ideia de que a substituição do componente seria inevitável em pouco tempo. Segundo a empresa Recurrent, entre 2011 e 2016 cerca de 8,5% dos veículos elétricos precisaram trocar toda a bateria.O cenário mudou rapidamente. Entre os modelos produzidos a partir de 2022, apenas 0,3% passaram por essa substituição. Depois de cinco anos de uso, a maioria ainda mantém até 95% do alcance original.O que mudou nas baterias?Os especialistas apontam que não existe um único motivo para essa evolução.Segundo Viet Nguyen-Tien, pesquisador da London School of Economics, três fatores foram decisivos:
química mais avançada das baterias;

sistemas inteligentes de gerenciamento;

controle térmico mais eficiente.
Um relatório da BloombergNEF mostra ainda que o preço desses componentes caiu mais de 90% desde 2010. Outra mudança importante foi a possibilidade de substituir apenas células danificadas em muitos modelos, evitando a troca completa da bateria.
Testes que simulam o uso real revelaram que baterias podem durar até 38% mais do que indicavam avaliações tradicionais. Imagem: bclass/ShutterstockVida útil pode passar dos 20 anosOs dados de uso ajudam a explicar esse resultado. A Geotab analisou mais de 22.700 veículos elétricos e verificou que as baterias modernas perdem, em média, apenas 2,3% da capacidade por ano. Nesse ritmo, podem continuar em funcionamento por mais de duas décadas.

Leia mais:Já pesquisadores do SLAC-Stanford Battery Center concluíram que simulações inspiradas na condução cotidiana aumentam a vida útil das baterias em até 38% quando comparadas aos testes tradicionais. Trânsito com paradas frequentes, acelerações rápidas, frenagem regenerativa e períodos de descanso ajudam a preservar melhor as células.“Os testes de laboratório não conseguem reproduzir totalmente a forma como os veículos são usados no dia a dia”, destaca o estudo.
As baterias atuais contam com sistemas inteligentes que protegem as células e aumentam a durabilidade dos carros elétricos. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)Continua após a publicidadePequenos cuidados continuam importantesMesmo com a evolução da tecnologia, alguns hábitos ainda fazem diferença. A forma de recarga continua sendo o principal fator controlável pelos motoristas. A recomendação é reduzir o uso frequente de carregadores ultrarrápidos acima de 100 kW e manter, sempre que possível, o nível de carga entre 20% e 80%.Os números mostram que a durabilidade das baterias evoluiu muito mais do que se imaginava há alguns anos. À medida que novos estudos acompanham veículos em circulação, esse cenário vem ficando cada vez mais claro.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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