Homem volta a escrever após seis anos com ajuda de implante
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Depois de seis anos sem conseguir movimentar o corpo do pescoço para baixo, Dong Hui voltou a segurar uma caneta e escrever o próprio nome. O resultado veio após o uso de um implante cerebral chamado NEO.Continua após a publicidadeO caso, publicado em artigo do The Conversation, mostra como interfaces cérebro-computador começam a deixar os centros de pesquisa e ganhar espaço na medicina para auxiliar pessoas com lesões no sistema nervoso.
Da pesquisa aos hospitais: interfaces cérebro-computador começam a mudar o tratamento de lesões no sistema nervoso. Imagem: Legally Cute / ShutterstockImplante cria nova ponte entre cérebro e movimentosDong Hui sofreu uma lesão medular aos 33 anos que interrompeu a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Os comandos para movimentar as mãos continuavam sendo enviados, mas não conseguiam chegar aos músculos.Após uma cirurgia para receber o NEO e onze meses de reabilitação, ele conseguiu realizar novamente uma tarefa simples, mas simbólica: escrever. Primeiro registrou seu nome e depois acrescentou a palavra “Obrigado”.Segundo Kemel A. Ghotme, neurocirurgião pediatra e professor de neurociência translacional da Universidade de La Sabana, na Colômbia, “o extraordinário não foi apenas o fato de ele ter voltado a escrever, mas a maneira como conseguiu fazer isso.“Desenvolvido pela empresa chinesa Neuracle Technology em parceria com pesquisadores da Universidade de Tsinghua, em Pequim, o implante registra a atividade do córtex motor. A inteligência artificial analisa esses sinais e aprende a interpretar as intenções de movimento do usuário.Como funciona a tecnologia NEOAs interfaces cérebro-computador funcionam como uma alternativa para contornar falhas na comunicação entre cérebro e corpo. O sistema capta diretamente os sinais cerebrais e os transforma em comandos para equipamentos externos.No caso de Dong Hui, esses comandos ajudaram a controlar uma luva robótica durante a reabilitação. A ideia dos pesquisadores, porém, vai além: combinar sinais do cérebro com estímulos sensoriais para estimular a capacidade do sistema nervoso de se reorganizar.Entre os principais diferenciais do NEO estão:
Captura da atividade cerebral na superfície da dura-máter.
Menor invasividade em comparação com implantes inseridos no tecido cerebral.
Uso de inteligência artificial para interpretar comandos motores.
Aprovação para uso clínico em pessoas com tetraplegia que atendam aos critérios estabelecidos.
A tecnologia não busca apenas mover máquinas: ela tenta recuperar conexões perdidas entre cérebro e corpo. Imagem: Magic mine / ShutterstockTecnologia chega mais perto dos hospitaisO principal marco do NEO é que uma interface cérebro-computador invasiva deixou de ser apenas uma experiência científica e passou a ser reconhecida como dispositivo médico comercial.
Estamos diante de uma das mais profundas reviravoltas conceituais da medicina contemporânea.
Kemel A. Ghotme, neurocirurgião pediatra e professor de neurociência translacional da Universidade de La Sabana, em artigo no The Conversation.Leia mais:Apesar do avanço, a tecnologia também levanta novas perguntas: quem terá controle sobre os dados cerebrais? Como proteger essas informações? E como garantir que esse tipo de tratamento esteja disponível para quem precisa?Continua após a publicidadeA história de Dong Hui mostra que o impacto dessas soluções vai além dos laboratórios. Para uma pessoa que perdeu movimentos básicos, recuperar a capacidade de escrever uma palavra pode representar uma mudança enorme na relação com o mundo.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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