CIÊNCIA

Esquerda exige explicações sobre TBA e Museu do Aljube

A substituição das direções do Teatro do Bairro Alto (TBA) e do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade está a gerar críticas e pedidos de esclarecimento na Câmara Municipal de Lisboa (PSD/CDS-PP/IL) por parte dos partidos de esquerda. O Partido Comunista Português (PCP) e o Partido Livre manifestaram “dúvidas e preocupações sérias” sobre a decisão da EGEAC – Lisboa Cultura de não reconduzir Francisco Frazão e Rita Rato, questionando os critérios e as motivações do executivo municipal liderado por Carlos Moedas. Para ambos os partidos, a mudança nas direções de dois equipamentos culturais de referência levanta interrogações sobre o futuro da política cultural da cidade e sobre a garantia de uma programação plural, crítica e aberta à comunidade.
“Em ambos os casos, os diretores encontravam-se em regime de comissão de serviço e foram afastados sem que a EGEAC [Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural] tenha apresentado quaisquer motivos ou critérios objetivos que justifiquem estas decisões”, indicou a vereação do PCP, em comunicado enviado esta sexta-feira à tarde.Segundo os comunistas, representados pelo vereador eleito, João Ferreira, a política cultural do município “deve assentar em critérios de transparência, estabilidade e valorização dos projetos que contribuem para o desenvolvimento cultural da cidade e para a formação de uma cidadania crítica e democrática”. “Este padrão de afastamentos levanta dúvidas e preocupações sérias sobre as motivações do atual executivo da CML, sobre a futura linha da política cultural que pretende desenvolver na cidade”, dizem ainda.O PCP apresentou dois requerimentos dirigidos ao social-democrata Carlos Moedas, um sobre o Teatro do Bairro Alto e outro sobre o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, exigindo explicações sobre as decisões de não recondução das direções de ambos os equipamentos culturais municipais tutelados pela EGEAC.
Também o Partido Livre pedirá esclarecimentos sobre a substituição das direções do Teatro do Bairro Alto e do Museu do Aljube, segundo um comunicado do gabinete da vereação enviado aos jornalistas esta sexta-feira. O partido considera que as decisões anunciadas pela EGEAC – Lisboa Cultura levantam “interrogações legítimas” sobre as razões que estiveram na base das mudanças e questiona que explicação será dada pelo presidente da autarquia. O partido sublinha ainda o papel que ambos os equipamentos culturais têm desempenhado na cidade, destacando o Museu do Aljube como um “espaço central de memória democrática e debate público”, e o Teatro do Bairro Alto como um “palco de referência para projetos artísticos inovadores”. Perante as alterações nas direções, o Livre afirma que irá questionar a autarquia sobre que garantias existem para a continuidade de uma programação cultural plural, exigente e aberta ao pensamento crítico.Já na quarta-feira o Bloco de Esquerda tinha pedido esclarecimentos a Carlos Moedas sobre esta matéria. “A não recondução de Francisco Frazão obriga a uma explicitação imediata das opções estratégicas da EGEAC, para que não haja retrocessos na missão pública e na autonomia artística deste teatro municipal”, afirmou a veradora Carolina Serrão, defendendo que a defesa daquele teatro enquanto “espaço de criação artística independente, experimental e aberto à cidade, é essencial para a vida cultural de Lisboa”.Depois dos afastamentos noticiados ao longo desta semana, a EGEAC — Lisboa Cultura revelou esta sexta-feira que o até aqui diretor do Teatro Municipal São Luiz, Miguel Loureiro, vai acumular funções como diretor do Teatro do Bairro Alto, enquanto o Museu do Aljube vai ser dirigido por Anabela Valente.

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