Cápsulas para bronzear: mito ou ajudam mesmo?
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Com a chegada do verão, multiplicam-se os suplementos que prometem preparar a pele pro sol, acelerar o bronzeado, até prolongá-lo durante mais tempo. Mas será que estes produtos funcionam mesmo? Conseguem substituir o protetor solar ou estaremos perante mais uma promessa de marketing? Doutora Vanessa Mendes, bom dia.
Bom dia.
Bem-vinda.
Obrigada.
Os suplementos para o bronzeado cumprem aquilo que prometem?
Antes de mais, é importante perceber que estes suplementos não são aceleradores mágicos do bronzeado. A maioria contém carotenoides como o betacaroteno, o licopeno ou até a luteína, além de vitaminas e antioxidantes.
O que é que elas fazem?
Estas substâncias podem acumular-se na pele e contribuir para uma tonalidade ligeiramente mais duradoura ou uniforme. Mas isso não significa que a pele fica automaticamente bronzeada sem exposição solar. O bronzeado continua a resultar da produção de melanina em resposta à radiação ultravioleta.
Então existe algum benefício comprovado?
Sim, mas é importante não exagerar aqui nas expectativas.
Sim, senão vais já correr comprar o bronzeador.
Alguns estudos sugerem que determinados antioxidantes podem efetivamente ajudar a reduzir parte do estresse oxidativo provocado pela exposição solar. Podem também contribuir para uma melhor proteção solar da pele. No entanto, os efeitos são modestos e muito inferiores à proteção oferecida por medidas como protetor solar, ou a roupa adequada, ou até evitar as horas de maior radiação. Portanto, não devemos encará-los como uma forma de proteção solar.
E depois há ideias erradas muito frequentes sobre estes produtos.
Sem dúvida alguma. Um dos maiores mitos é acreditar que estes suplementos evitam queimaduras solares. E não evitam.
Não evitam, de todo.
Também não permitem ficar mais tempo ao sol em segurança, porque não substituem o protetor solar. E a sua utilização não deve alterar os comportamentos de proteção solar, pois caso contrário, o risco de queimaduras, envelhecimento precoce e até de cancro de pele mantêm-se.
E podemos obter algumas daquelas substâncias que falou há pouco, eu não vou repetir agora.
Aqueles nomes.
Só se o nome der jeito. Através da alimentação, doutora.
Sim, e essa deve ser sempre a primeira abordagem. Alimentos como a cenoura, a abóbora, o tomate, a manga, até por exemplo, o melão e também outros vegetais que sejam coloridos, são naturalmente ricos em carotenoides e antioxidantes. E uma alimentação variada e rica em fruta e legumes fornece muitos destes compostos sem necessidade de suplementação na maioria das pessoas. Os suplementos podem ter um papel complementar em situações específicas, mas não substituem uma alimentação equilibrada.
Eu acho que o fato também de serem vendidos sem receita médica faz com que muitas pessoas assumam que são completamente inofensivos.
E a verdade é que nem sempre é assim. Embora sejam geralmente seguros, quando utilizados de forma adequada, doses excessivas podem provocar efeitos indesejáveis. Por exemplo, consumos muito elevados de betacaroteno podem causar uma coloração amarelada da pele. Já me aconteceu ver uma doente assim. E sabemos que também determinados suplementos podem não ser adequados para todos os grupos de pessoas. Por isso, mesmo quando falamos de suplementos, é importantíssimo procurar aconselhamento adequado.
Portanto, quem procura ter assim um bronzeado saudável talvez deva começar por ajustar expectativas.
Isso mesmo. Não existem cápsulas capazes de substituir os mecanismos naturais da pele, nem as medidas de proteção solar. Os suplementos podem ter um papel complementar em alguns casos, mas o verdadeiro segredo continua a ser uma exposição solar responsável, uma alimentação equilibrada e a proteção adequada da pele.
tratardasaude@observador.pt, para onde pode enviar as suas dúvidas. Se preferir, também pode enviar a sua mensagem de voz por WhatsApp 910024185. Doutora Vanessa Mendes, até segunda-feira.
Até segunda.
Este podcast tem o apoio CUF.








