CIÊNCIA

Não foi preciso o mensageiro para assumir a responsabilidade

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De um lado uma seleção que estava praticamente apurada. Do outro uma seleção que estava eliminada ao cabo de duas jornadas. Como tem acontecido em várias ocasiões neste Campeonato do Mundo, parte dos jogos da última jornada da fase de grupos tinha muito pouco em jogo, para lá do orgulho de somar mais uma vitória. Essa narrativa tem ficado mais vincada nesta edição, que é a primeira desde que a FIFA optou por mudar os critérios de desempate, colocando o confronto direto à frente da diferença de golos e dos golos marcados. Tunísia e Países Baixos não fugiram a esse cenário, com as águias de Cartago a enfrentarem uma das melhores seleções do torneio depois de já terem assegurado o último lugar no grupo F. Por outro lado, a laranja mecânica estava praticamente apurada com quatro pontos, podendo ainda carimbar o primeiro lugar.Gakpo disparou para a lua e os suecos voltaram a pôr os pés na terra (a crónica do Países Baixos-Suécia)
“É um momento muito difícil, um momento complicado. Mas, no futebol, isso por vezes acontece. Este é um momento em que temos de ser fortes para terminar este Mundial da melhor forma possível. Não estou nada satisfeito. Não estou satisfeito com a mensagem que transmiti, porque acho que essa mensagem não foi devidamente recebida. Não tenho o hábito de procurar desculpas nem de culpar os outros. Assumo a responsabilidade por estas coisas. Depois do Japão, senti-me um pouco envergonhado. Vamos concentrar-nos agora no próximo jogo e tentar alcançar algo difícil, mas que é necessário para nós. Temos de terminar esta competição da forma mais honrosa possível. O futebol exige orgulho, mesmo quando a situação é difícil, e é preciso enfrentar estas situações com dignidade até ao fim. Espero que mantenhamos esse orgulho e essa dignidade quando enfrentarmos esta grande seleção dos Países Baixos. O Mundial é um evento extraordinário e tenho a sorte de fazer parte dele”, assumiu Hervé Renard.“Estamos à espera de um jogo difícil, porque se uma equipa disputar dois jogos e sofrer duas derrotas, e tiver um novo treinador, vai querer terminar o torneio de uma forma diferente das duas primeiras partidas. Vai querer dar a volta aos resultados. Por isso, estou à espera de uma reação nesse sentido, e temos de estar preparados para isso. No futebol tudo é possível. Talvez no ataque sejamos favoritos, tendo em conta o desempenho geral e o desempenho neste torneio. Mas é preciso mostrar do que se é capaz, vezes sem conta. E, muitas vezes, vemos jogos com resultados muito renhidos. Não há nenhum jogo que seja fácil. Por isso, esperamos apenas um jogo difícil. Temos de nos concentrar em garantir a vitória neste jogo. Adoraríamos ficar em primeiro lugar no grupo e, claro, o resultado terá impacto nisso. Mas isso não é o mais importante. Para nós, o mais importante é disputar este jogo. Queremos jogar bem e melhorar à medida que avançamos neste torneio”, revelou Ronald Koeman.
???? World Cup 2026 – Group F???????? Tunisia vs Netherlands ????????
How many goals will the Netherlands team score against Tunisia tonight? ???? pic.twitter.com/MNEQLqIJgc
— Center Ball (@Centerball_X) June 25, 2026Foi com mais uma invasão laranja, de novo em Kansas City, que os Países Baixos partiram para este jogo, com Koeman a encontrar em Brian Brobbey a sua referência ofensiva. O jovem ponta de lança mudou as dinâmicas de uma equipa que dependia do veterano Memphis Depay e que, com Brobbey, tornou-se num dos melhores ataques da competição ao cabo das duas primeiras jornadas. Foi na defesa que se registou a única mudança na equipa neerlandesa, com Nathan Aké a entrar para o lado esquerdo por troca com Micky van de Ven. Já Renard apresentou quatro alterações, dado que Hazem Mastouri, Ismaël Gharbi, que pertence ao Sp. Braga, Rani Khedira e Mohamed Ben Hamida foram titulares em detrimento de Omar Rekik, Dylan Bronn, Elias Saad e Sebastian Tounekti.
O jogo até abriu com uma primeira ameaça tunisina, numa jogada em que Mastouri cruzou para o remate por cima de Gharbi, mas depressa se instalou a normalidade, com os neerlandeses a desbloquearem com dois golos nos primeiros sete minutos. Primeiro, Donyell Malen ganhou um ressalto na área e abriu à direita em Denzel Dumfries, o lateral cruzou para o primeiro poste e, na tentativa de cortar, Ellyes Skhiri colocou a bola na sua própria baliza (3′). Depois, Tijjani Reijnders cobrou um livre na direita para o segundo poste, Virgil van Dijk amorteceu e, junto ao poste mais distante, Brobbey completou para o fundo da baliza (7′). Na resposta, Anis Slimane cabeceou à figura de Bart Verbruggen (13′). Pouco depois, Reijnders apareceu isolado, mas Aymen Dahmen levou a melhor (20′). Já com a chuva a fazer-se sentir no Arrowhead, o jogo continuou aberto, com ocasiões nas duas balizas, mas o 0-2 manteve-se ao intervalo.
Países Baixos entraram a todo o gás ????
Dois golos nos primeiros 7’ vão resolvendo o jogo para os neerlandeses ????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Tunísia #PaísesBaixos #betano pic.twitter.com/xXiWHYRehR
— sport tv (@sporttvportugal) June 25, 2026A etapa complementar arrancou bastante animada, com Dumfries a ficar muito perto do terceiro com um remate ao ângulo, valendo um grande corte de Skhiri (51′). Na resposta, Hannibal Mejbri cobrou um canto na direita, com Hazem Mastouri a completar para o golo com um belo cabeceamento (54′). Com o golo sofrido, os Países Baixos voltaram à carga e, igualmente de canto, voltaram a dilatar a vantagem, com Reijnders a levantar para um belo cabeceamento de Jan Paul van Hecke (62′). Pouco depois, o médio do Man. City tentou um grande chapéu perante Dahmen, mas a bola embateu em cheio na trave (66′). A pausa para hidratação — à chuva — voltou a ser bastante assobiada pelos adeptos, surgindo na fase em que Hervé Renard passou a jogar com uma linha de quatro na defesa. Na ponta final, as águias de Cartago expuseram-se no ataque e até tentaram marcar do meio-campo, mas o resultado não sofreu mais alterações (1-3).

Foi frente à Tunísia que Jan Paul van Hecke se estreou a marcar pela sua seleção, ao cabo de 15 internacionalizações. Conhecido como o “Gigante de Arnemuiden”, o central do Brighton demorou a afirmar-se nos grandes patamares, mas está agora a viver uma das melhores fases da sua carreira, tendo chegado à titularidade na laranja mecânica depois de ter sido eleito o melhor jogador do seu clube na época passada. Diante das águias de Cartago, Van Hecke apontou um belo golo de cabeça, penteando a bola com um movimento de costas para a baliza.

Van Hecke vs Tunisia:
90 minutes 1 goal 1 shot on target1 chance created 145 touches (most)130/134 passes (97%)37 passes into the final third (!!!)2 tackles 2 clearances6 ball recoveries 2/4 ground duels won 3/4 aerial duels won 8.7 rating
MOTM performance pic.twitter.com/xddAysLotH
— TottenhamMuse (@thfcspurs_muse) June 26, 2026
Não fez qualquer minuto nos dois jogos anteriores e não se percebe porquê. Hazem Mastouri foi a referência ofensiva da Tunísia diante dos Países Baixos e mostrou qualidade com e sem bola. Há cinco anos, Mastouri estava no segundo escalão do futebol turco, acabando por subir passo a passo nos últimos anos. Mede 1,91 metros e usou a sua estatura para fazer o golo tunisino com um cabeceamento à ponta de lança. Saiu no fim completamente esgotado e depois de ter tentado marcar um golo do meio-campo.

Hazem Mastouri #FIFAWorldCup pic.twitter.com/FxXOShfT3A
— H (@HQpcrt) June 26, 2026
Com este resultado, os Países Baixos carimbaram o primeiro lugar do grupo F com sete pontos e tornaram-se no melhor ataque da competição, com dez golos marcados, os mesmos da Alemanha. Nos 16 avos de final, a laranja mecânica evitou o Brasil, mas vai enfrentar Marrocos às 2 horas (de Lisboa) da próxima terça-feira, no Estádio BBVA, em Monterrey. A Tunísia despede-se da competição sem qualquer vitória e pela porta pequena.

???????????????? in Monterrey, Mexico! ????#NothingLikeOranje #FIFAWorldCup #NEDMAR pic.twitter.com/7Tqrc8lPZt
— OnsOranje (@OnsOranje) June 26, 2026
Foi um Mundial para esquecer para a Tunísia, que sofreu duas goleadas nas duas primeiras jornadas, trocando inclusivamente de treinador, com Hervé Renard a substituir Sabri Lamouchi. Apesar da qualidade e de até ter dado boas indicações na fase inicial do jogo com os neerlandeses, as águias de Cartago saíram de Kansas City com mais uma derrota expressiva no bolso e despediram-se da competição com 12 golos sofridos, tendo sido esta a primeira edição em que sofreram mais de uma dezena de tentos. Olhando aos últimos quatro jogos, os números são penosos e exigem mudanças mais profundas: quatro derrotas, com 17 golos sofridos.

Tunisia really have struggled to keep a clean sheet during the 2026 World Cup ???? pic.twitter.com/Oe53KtXHUO
— CBS Sports Golazo ⚽️ (@CBSSportsGolazo) June 25, 2026

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