Meta demite 8 mil funcionários e amplia aposta bilionária em IA
A Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, vive uma reestruturação profunda em sua operação global com foco em inteligência artificial. A companhia, sediada em Menlo Park (EUA), intensificou cortes de pessoal, reorganizou áreas de pesquisa e reforçou investimentos bilionários na tecnologia para tentar acompanhar concorrentes como Google e OpenAI.Continua após a publicidadeO movimento ocorre em um cenário de forte pressão interna e disputas estratégicas, enquanto a empresa tenta sustentar crescimento em publicidade e, ao mesmo tempo, financiar uma expansão acelerada em infraestrutura de IA. As mudanças afetam milhares de funcionários e alteram rotinas em diferentes áreas da companhia.Entre as medidas mais controversas, iniciativas de monitoramento interno e redistribuição de equipes ampliaram tensões no ambiente de trabalho, levando a críticas de empregados e a episódios de instabilidade organizacional.Corrida pela inteligência artificial e impacto interno
Data centers de IA consomem grandes volumes de energia e água, segundo alerta feito pela ONU em Londres. – Imagem: Junayed graphics/ShutterstockA empresa promoveu a eliminação de cerca de 8 mil postos de trabalho em um único ciclo recente, número que representa aproximadamente 10% do quadro total. Ao longo de um ano, somando transferências e reestruturações, quase um quinto dos empregados foi afetado pelas mudanças internas.Apesar do cenário de cortes, a Meta registrou lucro expressivo no primeiro trimestre do ano, impulsionado principalmente pela receita publicitária. O resultado financeiro positivo, no entanto, contrasta com o aumento das despesas em tecnologia, especialmente na área de inteligência artificial, que envolve investimentos de grande escala em infraestrutura.A companhia também direcionou aproximadamente 6.500 funcionários para setores ligados à IA, com tarefas voltadas ao treinamento de sistemas e automação de processos internos. Parte desses profissionais relatou que as atividades se tornaram repetitivas e desconectadas de funções anteriores.Em paralelo, uma iniciativa interna que registrava interações digitais de trabalhadores para treinar modelos de IA foi suspensa após questionamentos e falhas de segurança. A medida gerou reação de parte dos funcionários, que manifestaram preocupação com privacidade e uso de dados internos.
Além disso, mais de 1.600 empregados assinaram um documento pedindo a interrupção da prática, o que ampliou o debate interno sobre limites éticos no uso de informações corporativas para desenvolvimento de sistemas inteligentes.Expansão tecnológica e disputas externas
Imagem: Jezper/ShutterstockA Meta projeta investir valores bilionários em inteligência artificial ao longo do ano, com foco em ampliar a capacidade computacional e acelerar o desenvolvimento de modelos próprios. A estratégia busca reduzir a distância em relação a concorrentes diretos que lideram o setor.Enquanto isso, a empresa enfrenta dificuldades para avançar com seus próprios modelos, que passaram por atrasos e não atingiram expectativas internas em alguns ciclos de desenvolvimento. Parte da comunidade científica ligada à companhia também questiona a estratégia adotada.Continua após a publicidadeNo campo externo, a empresa tenta diversificar sua atuação com produtos como óculos inteligentes e avalia novas iniciativas digitais em áreas como apostas online, em parceria com outras companhias do setor financeiro e tecnológico.Ao mesmo tempo, decisões judiciais nos Estados Unidos aumentam a pressão sobre a empresa, com condenações relacionadas a efeitos de redes sociais e proteção de menores, ainda em fase de recurso.Em meio a esse cenário, especialistas ligados à empresa e à comunidade científica apontam divergências sobre o futuro da tecnologia, com críticas à estratégia de focar em modelos de linguagem de grande escala como caminho principal para avanços em inteligência artificial.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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