13h. Incêndios. Combate em Vouzela a evoluir favoravelmente
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Já a seguir. Edição da Uma, com Miguel Videira. Começamos com um novo ponto de situação do incêndio em Vouzela. O combate está a evoluir favoravelmente e a descida das temperaturas durante a noite, Miguel, ajudou.
O incêndio de Vouzela dura há dois dias, consumiu até agora mais de 12 mil hectares, chegou a outros três concelhos, está neste momento a consumir a encosta da Serra do Caramulo, em Tondela. É isso mesmo que diz o autarca deste município. O comandante da Proteção Civil, José Rodrigues, afirma que o combate está a ter resultados, mas o incêndio ainda está longe de estar dominado.
É um incêndio que durante a noite teve uma evolução muito favorável em termos daquilo que é o combate, dado a redução da temperatura, entrada de humidade e o vento não foi tão forte como nas outras duas noites anteriores. Isso permitiu que os operacionais conseguissem regular algumas das frentes de incêndio e reduzir substancialmente o tamanho de outras. É um incêndio que está a decorrer favoravelmente o seu combate, mas, no entanto, ainda com alguma apreensão e a ver o que resulta nas próximas horas.
O comandante da Proteção Civil, José Rodrigues, num ponto de situação feita há pouco à Agência Luz. Este fogo está a ser combatido por 1100 operacionais, 360 viaturas e 12 meios aéreos. O número de meios tem vindo a aumentar ao longo da manhã.
O presidente da Câmara Municipal de Vouzela alerta que há várias frentes a arder com intensidade e admite que pode vir a ser preciso evacuar localidades.
O autarca confirma que a noite foi mais calma, mas avisa que o vento forte continua a dificultar, e muito, o trabalho dos bombeiros. Ouvido no explicador esta manhã aqui da Rádio Observador, Carlos Oliveira fala num cenário muito imprevisível.
Estamos com mais tranquilidade, mas as aparências, como diz o ditado, às vezes podem iludir. Temos ainda várias frentes ativas. Temos uma extensão muito grande, quer ao nível da área, quer ao nível do perímetro do incêndio. Temos muitos pontos quentes ou muito quentes ainda. Temos reacendimentos constantes em vários locais. Temos todas essas preocupações. A que acresce a questão da temperatura. Esta noite, para ter uma ideia, a temperatura não baixou dos 25 graus.
Apesar das condições difíceis, o presidente da Câmara de Vouzela afirma que não foi necessário retirar pessoas de casa. Não afasta esse cenário nas próximas horas. Carlos Oliveira destaca que a prioridade tem de ser sempre a segurança das populações, sobretudo nas zonas mais isoladas.
Não podemos nunca dizer que não estão em perigo. Cada uma das frentes que existe de incêndio tem na sua linha de progressão, aldeias. E essa primeira aldeia é a nossa primeira preocupação maior. A prioridade principal dos elementos que estão no trabalho é a segurança das pessoas e dos seus principais bens. Estamos aqui a falar do principal bem, as suas casas de habitação.
Carlos Oliveira pede também mais meios, diz que nunca são suficientes, admite ainda a possibilidade do incêndio ter origem criminosa, começou por volta das três da manhã, na madrugada de quarta para quinta-feira.
Destaque agora para a Venezuela. Esta manhã está a decorrer em Sintra uma campanha de recolha de bens para ajudar as vítimas.
A ajuda humanitária é agora essencial numa altura em que não para de aumentar o número de vítimas. Neste momento, várias associações portuguesas estão a reunir bens para enviar para a Venezuela. É o caso da Venexus e da Câmara de Comércio Venezuelana e Portuguesa, estão a recolher e organizar estes bens num armazém adaptado em Sintra. E é lá que tem estado ao longo desta manhã a repórter do Observador, Teresa Freire. Teresa, que tipo de trabalho está a ser feito a esta hora?
Estamos no armazém que está a centralizar todos os bens que estão a ser recolhidos em todo o país. Os voluntários, cerca de 30, neste momento, estão a dividir em categorias e a colocar em paletes para depois estas seguirem para a Venezuela. Estamos precisamente num armazém de pneus que nestes últimos dias estava completamente vazio. O espaço foi cedido pelo dono, que é português, chama-se Paulo Cristóvão, agora está aqui comigo em direto na Rádio Observador. Como é que este armazém de pneus passou a ser um armazém de bens para ajudar a Venezuela? Como é que isto lhe veio tudo parar às mãos?
Boa tarde. Olha, é o que eu chamo um armazém de boa vontade. De facto, nós tínhamos o armazém cheio. Há cerca de um mês, eu decidi esvaziá-lo todo. Eu quase diria que há uma ponte divina nisso, ou seja, eu não sabia que iria acontecer esta necessidade, mas ao pôr ele todo vazio, o Pedro veio me pedir exatamente para ajudar a Venezuela, para encher o armazém com mantimentos, com medicamentos, com tudo que tem a ver também com camping, tudo o que é necessário para ajudar quem mais necessita na Venezuela. E de facto, se vocês virem, nós que estamos aqui longe, mas acho que mesmo só a ver na televisão, conseguimos sentir a dor e o desespero daquelas pessoas. E é esta gota de ajuda que nós estamos a ter, que eu penso que é essencial. E que se nós todos nos preocuparmos, ou seja, se nós todos fizermos a nossa parte, podemos de facto ajudar. Isso é importante.
E, portanto, cedeu este espaço sem ter um fim à vista. Não sabe até quando é que vai ter aqui com isto.
Bom, não é um fim limitado, eu penso que será umas semanas, mas quer dizer, quando nós estamos a ceder o espaço, repare, como sabe, não há aqui nada monetário por trás e a nível temporal, é o tempo for necessário para ajudar as pessoas. Quer dizer, eu estou aqui para ajudar sem limites, é para ajudar mesmo.
Paulo Cristóvão, o dono deste armazém de pneus, que estava então a falar do amigo Pedro, que falou com ele. Temos também agora aqui Pedro conosco, é um português que cresceu na Venezuela e que veio mais tarde para Portugal. Pedro, queria lhe perguntar, foi fácil de convencer o Paulo a ceder-vos o espaço?
Pelo nível de amistade que a gente temos, foi muito fácil. Foi só uma chamada e o Paulo pôs-se logo à ordem. Tem sido espetacular estar aqui com um grande amigo. Ainda cumprimos 21 anos em empresa e foi no dia que isto começou.
No dia 1 de julho.
No dia 1 de julho e agora estamos aqui a fazer o trabalho tudo o melhor que podemos. Juntar mais de 70 voluntários, temos 18 mil pessoas inscritas no site como voluntários em toda Portugal. Tem sido espetacular e a resposta tem sido grande.
E perguntar-lhe se já tinha alguma ligação a alguma destas associações ou se foi agora nesta altura dos sismos que se voluntariou mais.
Na associação Benexus não pertencia até agora, mas estou muito ligado ao Christian Rohn, que é um dos fundadores da Benexus, trabalhamos juntos e quando ele precisou de ajuda, pensamos estamos juntos para ajudar. Foi uma coisa de juntar voluntades, amigos, conhecidos e juntamos esta organização e agora estamos a fazer o trabalho o melhor que podemos.
E perguntar a qualquer um dos dois, visto que estão os dois nesta organização, se alguém neste momento estiver a ouvir e quiser ajudar, de que forma que o pode fazer e o que é que neste momento faz mais falta?
Olha, neste momento é assim, pode ajudar, de facto, na próxima semana, pelo menos a próxima semana ou duas semanas, vamos estar aqui na PneuBase a receber todo o tipo de coisa, mas principalmente penso que temos a ver com mantimentos.
Medicamentos, paletes certificadas.
Exatamente.
É palete que estamos a precisar e está uma escassez grande com isso. Temos estado a lutar com encontrar essas paletes. A parte de medicamentos e roupas de trabalho, não roupa para as pessoas que estão lá danificadas, não vai ser preciso. Precisamos é roupas de trabalho para as pessoas que têm que demolir aquelas estruturas todas.
E também material, acessórios de camping, tendas, tudo o que tem a ver com camping, porque muitas pessoas não têm, de facto, onde ficar e é o meio que têm nos próximos meses ou nas próximas semanas, e é uma forma de terem um teto e terem o mínimo para poderem sobreviver e, principalmente, o que nós queremos dar alguma dignidade no meio desta catástrofe que está a acontecer.
Pronto, o testemunho de Paulo Cristóvão e Pedro Nunes, que estão então neste armazém em Terrugem, na zona de Sintra, aqui para ajudar de alguma forma a Venezuela. Estão portanto a recolher aqui bens e com muitos voluntários para ajudar a organizá-los.
Tema a que demos especial atenção nesta edição da “Uma da tarde”, reportagem de Teresa Freire. Na Venezuela, o número de mortes na sequência dos sismos subiu para 2645. Há ainda mais de 12 mil feridos e 50 mil desaparecidos.
Uma hora e nove minutos. Há outras notícias em destaque a esta hora, Miguel.
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Jornal da Uma com Miguel Videra.










