O avanço da IA já mudou o perfil das vagas de trabalho
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A inteligência artificial continua no centro das discussões sobre o futuro do trabalho. Um novo relatório da OCDE mostra, porém, que ela ainda não provocou uma onda de desemprego entre os países da organização.Continua após a publicidade
Isso não significa que nada esteja mudando. As empresas passaram a valorizar novas competências, enquanto os jovens encontram mais obstáculos para conquistar as primeiras oportunidades.
Para os jovens, conquistar a primeira vaga ficou mais difícil com as mudanças provocadas pela inteligência artificial.– Imagem: Andrey_Popov / ShutterstockEmprego continua em altaO relatório Perspectivas do Emprego 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que a taxa de desemprego permanece em 4,9%, muito próxima do menor nível histórico, de 4,8%, registrado em junho de 2023. A previsão é de crescimento do emprego de 0,3% neste ano e de 0,6% no próximo.Esses números reforçam que o avanço da inteligência artificial, até agora, não reduziu a oferta de trabalho nos países analisados.“Até o momento, não há indícios de que o maior uso da inteligência artificial por parte das empresas esteja provocando uma queda generalizada da demanda por mão de obra”, afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, durante a apresentação do relatório.Jovens enfrentam mais dificuldadesSe o cenário geral permanece favorável, a entrada dos jovens no mercado de trabalho segue mais complicada. Segundo a OCDE, os avanços recentes da inteligência artificial generativa provavelmente fazem parte desse contexto.Ao mesmo tempo, as empresas passaram a dar mais importância às competências exigidas para diferentes funções.O relatório destaca:
maior valorização de competências ligadas às novas tecnologias;
transformação das habilidades exigidas pelas empresas;
maior dificuldade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho;
manutenção do crescimento do emprego, apesar das mudanças.
“A IA está transformando o trabalho, mais do que reduzindo-o”, destacou Mathias Cormann, ao afirmar que a tecnologia ainda não enfraqueceu as perspectivas de emprego para jovens nem para os trabalhadores em geral.
A inteligência artificial generativa pode estar entre os fatores que dificultam a entrada dos jovens no mercado de trabalho. – Imagem: fizkes/ShutterstockGuerra pressiona, mas mercado resisteO estudo também aponta que o mercado de trabalho mostrou resiliência mesmo com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia. A criação de empregos continuou sólida e o número de vagas, embora abaixo do pico registrado após a pandemia, estabilizou-se desde a escalada do conflito.Leia mais:O relatório ressalta que muitos trabalhadores ainda não percebem melhora na remuneração. Em quase um terço dos países da OCDE, os salários reais permanecem inferiores aos registrados há cinco anos.Continua após a publicidadeOs dados indicam que a inteligência artificial já influencia as competências buscadas pelas empresas, mas, segundo a própria OCDE, ainda não há sinais de uma redução generalizada dos empregos nos países que integram a organização.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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