Artemis 2: oficial da NASA revela tensão durante passagem pelo lado oculto da Lua
Tudo sobre Artemis 2
A passagem da espaçonave Orion pelo lado oculto da Lua durante a missão Artemis 2 foi um dos momentos mais aguardados da nova era da exploração lunar da NASA.Continua após a publicidade
Enquanto os quatro astronautas desapareciam da vista da Terra e perdiam completamente a comunicação com o controle da missão por cerca de 40 minutos, uma equipe em Houston (EUA) acompanhava o voo com ansiedade, sem qualquer possibilidade de contato com a tripulação.Entre eles estava Chris White, oficial-chefe de comunicações integradas (INCO, na sigla em inglês) da Artemis 2, que descreveu ao Live Science a tensão vivida durante o período em que a espaçonave esteve escondida atrás da Lua. “Foi só tensão”, afirmou White.A manobra ocorreu em 6 de abril, quando a Orion contornou o lado oculto do satélite natural, a aproximadamente 400 mil quilômetros da Terra.Equipe da Artemis 2 preparou quase 300 comandos antes da perda de sinal
Além de manter as comunicações da missão — algo impossível enquanto a Lua bloqueava os sinais de rádio —, a equipe INCO também era responsável pelo controle das câmeras externas da Orion;
White já havia desempenhado função semelhante durante missões na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês);
Como o sobrevoo lunar era planejado havia mais de um ano, os engenheiros sabiam exatamente quais imagens desejavam registrar;
Na manhã da passagem pelo lado oculto, a equipe enviou à Orion uma sequência com quase 300 comandos, especificando detalhadamente o funcionamento das câmeras enquanto a nave estivesse sem comunicação com a Terra.
Depois disso, restava apenas esperar.
Cerca de 40 minutos mais tarde, os primeiros dados de telemetria começaram a reaparecer nos monitores do centro de controle, indicando que a Orion havia retornado da região oculta da Lua em segurança. Logo depois, foi restabelecido o contato por voz com os astronautas. As fotografias, porém, demorariam mais um dia para percorrer a distância entre a Lua e Houston.Quando finalmente abriu os arquivos enviados pela Orion na manhã seguinte, White afirma ter sido surpreendido pela qualidade das imagens. “Abri uma foto — a foto do eclipse — e não conseguia respirar”, contou. “Pensei: ‘Não é possível que tenha ficado tão boa logo na primeira tentativa.’”As fotografias produzidas durante o sobrevoo lunar pela equipe responsável pelas comunicações da Orion já foram vistas por dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo.Leia mais:
Pôr da Terra no horizonte lunar visto pela missão Artemis 2 – Crédito: NASAResponsável por todas as comunicações da OrionWhite explicou que o trabalho do oficial INCO vai muito além do controle das câmeras. “Durante a missão, o console INCO gerencia todos os sistemas de comunicação da espaçonave, como o próprio nome sugere.”Segundo ele, a equipe administra o sistema de vídeo, as câmeras externas, o sistema de áudio de bordo — utilizado pela primeira vez na Artemis 2 —, além das comunicações por rádio e do sistema de comunicação óptica a laser empregado durante a missão. Além desses recursos, o grupo também supervisiona outros sistemas menores da nave.Lançamento exigiu concentração totalQuestionado sobre o clima durante a decolagem da Artemis 2, White afirmou que passou praticamente todo o tempo concentrado em seu console. “Durante o lançamento, eu estava na sala de apoio, nos fundos. O clima era intenso. Todos estavam completamente concentrados na tarefa.”Continua após a publicidadeAntes da missão, as equipes haviam treinado utilizando imagens simuladas por computador para reproduzir o lançamento. White imaginava que acompanhar a decolagem em tempo real seria um momento marcante, mas isso acabou não acontecendo da forma esperada.“Eu sempre pensava: ‘Nossa, vai ser muito mais legal em tempo real.’ Mas, durante o lançamento, não levantei os olhos da tela do meu console nenhuma vez para ver o vídeo ao vivo.”Segundo ele, só conseguiu assistir às imagens da decolagem no dia seguinte. O ritmo de trabalho também foi intenso durante os primeiros dias da missão. “A equipe INCO ficou praticamente sem parar por pelo menos os três primeiros dias de voo.”Ele acrescenta que, para boa parte da equipe, as atividades só “acalmaram” — “e uso isso entre aspas”, destacou — depois do terceiro dia. “Não acho que nenhum de nós tenha realmente relaxado até o veículo estar em segurança na água.”Continua após a publicidadeAproximação da Lua surpreendeu até especialistasWhite também relatou que acompanhar a aproximação da Orion da Lua foi uma experiência diferente de tudo o que havia visto anteriormente.Embora já tivesse observado o satélite natural pelas câmeras da ISS, o comportamento visual durante a aproximação chamou sua atenção. “Foi incrível.”Segundo ele, durante os cinco primeiros dias de viagem, a Lua parecia crescer lentamente no horizonte. No sexto dia, porém, a mudança ocorreu de forma muito mais rápida. “Houve algo quase logarítmico — foi como se ela ficasse muito grande, muito rápido.”O especialista também afirmou que a aparência da Lua parecia “errada”, justamente porque a nave se aproximava de um ângulo diferente daquele observado da Terra.“Estamos tão acostumados com a aparência da Lua vista da Terra que, quando o veículo se aproximava dela por outro ângulo, dava para ver mais do lado oculto.”Continua após a publicidadeEle disse que seu cérebro demorava a interpretar a nova perspectiva. “Você fica maravilhado com a aproximação, com o crescimento, entendendo o que está prestes a acontecer — mas meu cérebro doía tentando conciliar o que eu via, porque não parecia correto.”Segundo White, o formato e a textura da superfície eram diferentes do que ele esperava observar.Ajustes revelaram novas tonalidadesOs astronautas também relataram diferenças nas cores da Lua durante o sobrevoo. White explicou que a grande distância da Terra limitava a largura de banda disponível para transmissão das imagens, dificultando a percepção de detalhes mais sutis.Mesmo assim, em determinado momento, a equipe decidiu alterar a exposição das câmeras. “Houve um momento em que olhamos e pensamos: ‘Acho que podemos ajustar a exposição disso.’”Após o ajuste, a equipe percebeu mudanças inesperadas na coloração registrada. “Estava um pouco escuro demais, e então aumentamos um pouco. De repente, aqueles cinzas apagados ficaram um pouco mais amarronzados.”Continua após a publicidadeSegundo White, ele não esperava que as câmeras da missão fossem capazes de registrar esse tipo de detalhe visual durante o voo.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Ver todos os artigos →










