TECNOLOGIA

Novo robô inspirado em pássaro é capaz de nadar e voar

Engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um robô do tamanho de um pássaro capaz de nadar e voar usando somente o movimento das asas. Nenhuma máquina desse porte havia realizado esses movimentos sem recorrer a hélices ou sistemas de lançamento externos até agora.Continua após a publicidadeO projeto foi conduzido ao longo de dois anos, com colaboração do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça, e de uma faculdade no estado de Washington, nos Estados Unidos. O estudo foi publicado na revista Science.O que os pássaros ensinaram aos engenheiros
Para entender como pássaros nadam e voam usando as asas, a equipe de pesquisadores reuniu dados publicados sobre espécies como papagaios-do-mar e martins-pescadores.
Os dados revelaram um padrão claro.
Aves mergulhadoras de menor porte batem as asas cerca de dez vezes por segundo no ar e aproximadamente quatro vezes por segundo na água.
Esse ritmo serviu de referência para o projeto de desenvolvimento do robô.
Como o robô foi construídoO robô pesa menos de 200 gramas. Sua estrutura central abriga uma bateria e um motor impermeabilizado que aciona um dispositivo capaz de mover as asas em ritmo definido. Uma cauda motorizada de pequeno porte inclina o nariz do robô para cima no momento da subida ou para baixo no mergulho. As asas são membranas finas revestidas com partículas que repelem a água, facilitando a saída da superfície na decolagem.As asas são removíveis e intercambiáveis. A equipe construiu três conjuntos com envergaduras entre 0,6 e 0,9 metro. A rigidez foi um ponto crítico: asas muito flexíveis não sustentavam o robô no ar, enquanto asas rígidas demais criavam resistência excessiva na água.Os testes seguiram uma rotina definida. O robô era posicionado a cerca de 0,5 metro abaixo da superfície, com asas e cauda ajustadas a ângulos específicos, e a equipe observava se ele conseguia subir, romper a superfície e voar. Os experimentos foram realizados primeiro em tanque e depois no Lago de Genebra, na Suíça.Robô foi desenvolvido para monitorar oceanos (Imagem: Raphael Zufferey/MIT)Próximo à superfície, o robô nadou a cerca de 0,9 metro por segundo batendo as asas aproximadamente cinco vezes por segundo. No ar, atingiu cerca de 6,1 metros por segundo com frequência de batimento semelhante — velocidade compatível com a de aves mergulhadoras reais.

A equipe agora está reformulando as asas para que elas também possam girar, o que permitiria ao robô manobrar de forma mais parecida com um pássaro real. Testes em condições adversas também estão planejados, incluindo cenários com fortes rajadas de vento.O objetivo dos pesquisadores é usar o dispositivo para monitorar os oceanos, tornando esse trabalho mais rápido e barato. Isso porque navios e sensores fixos têm custo elevado e mobilidade limitada. Além disso, o robô poderia coletar amostras em locais perigosos para os humanos, como em águas poluídas, bordas de plataformas de gelo e lagos vulcânicos.

Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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