TECNOLOGIA

Cientistas descobrem como prever o próximo “despertar” do Sol

Um novo método pode ajudar cientistas a prever a intensidade do próximo ciclo solar com até sete anos de antecedência. A técnica identifica um momento específico em que a atividade extrema do Sol chega ao fim e usa esse dado para estimar seu próximo pico.Continua após a publicidadeA pesquisa aponta que o Ciclo Solar 26 deve ter força moderada, mas uma previsão mais precisa só será possível após novas observações nos próximos anos.
A quantidade de manchas solares pode revelar como será o próximo ciclo de atividade do Sol anos antes do esperado. Imagem: Eduardo Schaberger Poupeau/Spaceweather.comO “sono” do Sol guarda pistas sobre seu próximo cicloSegundo o estudo que será apresentado no Encontro Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, o Sol não reduz sua atividade de maneira gradual. Os pesquisadores descobriram um ponto de transição em que o clima espacial mais intenso praticamente “desliga” dentro de cada ciclo.A descoberta foi conduzida por Sandra Chapman, professora de Física e diretora do Centre for Fusion, Space and Astrophysics da University of Warwick.“O Sol não adormece suavemente e depois acorda novamente. Em vez disso, descobrimos que o clima espacial mais extremo é interrompido de forma bastante repentina em um ponto específico de cada ciclo solar”, explicou Chapman.A equipe percebeu que a quantidade de manchas solares nesse momento pode indicar a força da próxima fase de atividade.A previsão inicial para o Ciclo Solar 26 indica:
Entre 100 e 120 manchas solares no pico de atividade;

Intensidade semelhante ou inferior ao Ciclo Solar 25;

Nova análise após cerca de dois anos;

Até sete anos de antecedência para previsões mais confiáveis.

Tempestades solares afetam satélites, GPS, comunicações e redes elétricas. Entender seus ciclos faz toda a diferença. Imagem: remotevfx/iStockEntender o Sol ajuda a proteger tecnologias na TerraO Sol segue ciclos de aproximadamente 11 anos, marcados por mudanças no campo magnético e pela variação no número de manchas solares. Essas regiões podem provocar explosões e ejeções de massa coronal.Leia mais:

Esses eventos formam o chamado clima espacial, que pode interferir em satélites, sistemas de comunicação, navegação e redes elétricas.O método foi desenvolvido a partir do conceito de “relógio solar”, criado anteriormente por Chapman para organizar os ciclos irregulares do astro.
Além de explicar o comportamento do Sol, a pesquisa pode melhorar o planejamento contra os efeitos das tempestades solares. – Imagem: Digital Images Studio – ShutterstockNova técnica pode ampliar conhecimento sobre o astroA pesquisa indica que a quantidade de manchas solares registrada no ponto de transição tem relação direta com o pico do ciclo seguinte. Isso permite uma previsão antecipada, diferente de métodos que dependem apenas da observação do período de menor atividade.
Estamos a cerca de dois anos do ponto de desligamento do atual Ciclo Solar 25. No momento, precisamos estimar onde esse ponto estará, mas, quando chegarmos lá, poderemos usar apenas observações para fazer uma previsão muito mais precisa do Ciclo Solar 26.
Sandra Chapman, professora de Física e diretora do Centre for Fusion, Space and Astrophysics da University of Warwick, em nota.Continua após a publicidadeO método já havia indicado que o Ciclo Solar 25 seria mais intenso do que algumas previsões anteriores sugeriam. Em 2024, tempestades solares fortes produziram auroras em locais incomuns e reforçaram a importância de entender melhor o comportamento solar.Além de melhorar previsões, o estudo pode ajudar pesquisadores a desvendar o funcionamento do dínamo solar, processo responsável pela geração do campo magnético do astro.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Ver todos os artigos →


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.