Esta IA detecta mosquitos perigosos pelo som de suas asas
Um dispositivo compacto desenvolvido por um pesquisador da Universidade de Wollongong, na Austrália, usa inteligência artificial para reconhecer espécies de mosquitos associadas à transmissão de doenças. A tecnologia analisa o som produzido pelas asas dos insetos e entrega uma identificação em poucos segundos.Continua após a publicidadeCriado por Kiran Trivedi, o equipamento foi apresentado recentemente no encontro AI for Good Global Summit, realizado em Genebra, na Suíça. A proposta é oferecer uma alternativa mais rápida aos métodos tradicionais de monitoramento de vetores usados no combate a enfermidades como malária e dengue.A solução funciona sem conexão com a internet e utiliza o conceito de Tiny Machine Learning (TinyML), permitindo que modelos de inteligência artificial sejam executados diretamente em pequenos chips de baixo consumo energético. O objetivo é ampliar o acesso ao acompanhamento de mosquitos em regiões com poucos recursos laboratoriais.Tecnologia transforma sons das asas em ferramenta de vigilância sanitária
Dispositivo “ouve” o som do bater de asas dos mosquitos e os identifica por espécie – (Divulgação: University of Wollongong Australia)O sistema foi projetado para diferenciar três grupos de mosquitos considerados relevantes para a saúde pública: Aedes, Anopheles e Culex. Para isso, o equipamento capta os ruídos produzidos pelo movimento das asas e identifica padrões acústicos específicos de cada espécie.A estratégia busca superar limitações dos procedimentos convencionais de vigilância. Atualmente, a identificação costuma depender da coleta de amostras em locais de reprodução, como áreas com água acumulada, seguida de análise laboratorial das larvas para determinar a espécie.De acordo com Kiran Trivedi, pesquisador da Universidade de Wollongong responsável pelo desenvolvimento do dispositivo, a inteligência artificial embarcada permite levar a capacidade de análise diretamente ao equipamento, sem exigir estruturas externas de processamento.
Larva de mosquito da dengue. Imagem: Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz“Quando as pessoas pensam em IA, imaginam grandes sistemas funcionando na nuvem. O TinyML permite colocar a inteligência diretamente no dispositivo. Ele identifica o mosquito em segundos, sem internet, sem custos de nuvem e sem preocupações com privacidade”, afirmou Kiran Trivedi, acadêmico da Universidade de Wollongong, em declaração sobre a tecnologia.
O modelo de inteligência artificial foi treinado com gravações disponíveis publicamente e alcançou 88,3% de precisão na classificação dos sons. Segundo o pesquisador, o desempenho ainda pode melhorar com sensores de áudio mais avançados e registros sonoros de maior qualidade.O aparelho foi construído sobre uma placa Arduino, componente eletrônico de baixo custo utilizado em projetos de prototipagem. O sistema reúne microfone, tela e o modelo de IA responsável pela análise dos sons dos insetos em tempo real.A expectativa de Trivedi é que a tecnologia possa ser usada em redes de monitoramento contínuo. Com vários dispositivos espalhados por diferentes áreas, seria possível acompanhar a concentração de mosquitos e criar mapas atualizados sobre regiões com maior presença de espécies transmissoras de doenças.O pesquisador compara essa possibilidade a ferramentas que mostram condições de trânsito em tempo real, mas aplicadas à vigilância epidemiológica. Segundo ele, o acompanhamento antecipado poderia ajudar comunidades e órgãos de saúde a agir antes do surgimento de surtos.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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