TECNOLOGIA

Um asteroide da largura de um navio de cruzeiro vai passar perto da Terra em 2029

Um dos maiores encontros entre a Terra e um asteroide já previstos pela ciência ocorrerá em 13 de abril de 2029, quando o Apophis cruzará uma região próxima ao planeta sem representar ameaça de colisão.Continua após a publicidadeO fenômeno será acompanhado por pesquisadores de diferentes países, que estimam que cerca de 90% da população mundial poderá observar o objeto no céu, caso as condições atmosféricas sejam favoráveis.Com aproximadamente 375 metros de diâmetro, equivalente ao tamanho de um navio de cruzeiro, o asteroide passará a cerca de 32 mil quilômetros da superfície terrestre, distância inferior à órbita de muitos satélites geoestacionários.Aproximação rara permitirá novo estudo sobre asteroides
Conceito artístico mostrando o tamanho de Apophis em relação à Lower Manhattan (Imagem: The Planetary Society)As previsões sobre a passagem do Apophis foram apresentadas durante o workshop “Apophis T-3 Years: Knowledge Opportunities for the Science of Planetary Defense”, realizado em junho na Universidade de Pádua, na Itália. Os pesquisadores divulgaram mapas que indicam as áreas do planeta onde será possível acompanhar a trajetória do objeto.De acordo com os estudos apresentados, a passagem terá alcance global. A rota aparente do asteroide poderá ser acompanhada durante aproximadamente sete horas, começando pela região da Austrália e da Ásia, atingindo maior brilho enquanto estiver sobre a África e terminando sobre o Atlântico Norte.A América do Norte será o único continente sem condições favoráveis para observação durante o evento. Para quem estiver em locais adequados, o Apophis não terá a aparência de um meteoro atravessando rapidamente o céu, mas será percebido como um ponto luminoso avançando lentamente entre as estrelas.Apesar da proximidade excepcional, o encontro não oferece risco ao planeta. A Nasa informou que não existe possibilidade de impacto durante a aproximação de 2029 nem nos 100 anos seguintes.O interesse científico pelo evento está justamente na pequena distância entre o asteroide e a Terra. Segundo pesquisadores, um corpo desse tamanho costuma realizar uma passagem tão próxima apenas uma vez a cada 5 mil a 10 mil anos, tornando a ocasião uma oportunidade rara para a geração atual.

O astrônomo Richard Binzel, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), destacou a importância histórica da observação durante o encontro científico realizado sobre o tema. “Esta é a primeira vez que conseguimos prever, na história da humanidade, a passagem visível de um asteroide pela Terra”, afirmou o pesquisador durante o evento.Para Binzel, acompanhar o deslocamento do Apophis representa uma experiência coletiva de observação do espaço e uma oportunidade para compreender a posição da Terra diante da dimensão do universo.
Imagem: Vladi333 – Shutterstock / Inserção do satélite: Olhar DigitalA aproximação também será utilizada para ampliar o conhecimento sobre esses corpos celestes. A Agência Espacial Europeia prepara a missão Ramses, que deverá alcançar o asteroide antes da passagem e acompanhá-lo durante o sobrevoo próximo ao planeta.Continua após a publicidadeO objetivo da missão será analisar possíveis mudanças provocadas pela gravidade terrestre no asteroide, incluindo alterações em sua forma, rotação, superfície e estrutura interna.Além disso, a Nasa redirecionou a espaçonave OSIRIS-APEX, anteriormente conhecida como OSIRIS-REx, para estudar o Apophis após a aproximação. A sonda foi responsável pela coleta de amostras do asteroide Bennu antes de assumir a nova missão.Segundo a Agência Espacial Europeia, a interação gravitacional com a Terra poderá provocar transformações no asteroide, como movimentação de materiais na superfície e exposição de elementos preservados desde a formação do Sistema Solar, há mais de 4 bilhões de anos.O pesquisador Patrick Michel, diretor de pesquisa do CNRS no Observatoire de la Côte d’Azur, ressaltou a singularidade científica da ocasião em comunicado divulgado pela ESA. “Pela primeira vez, a natureza está trazendo um deles até nós e conduzindo o experimento por conta própria. Tudo o que precisamos fazer é observar”, declarou Michel.Continua após a publicidadeAs informações obtidas pelas missões poderão contribuir para estudos futuros sobre defesa planetária. O conhecimento adquirido sobre composição, estrutura e comportamento dos asteroides poderá auxiliar estratégias internacionais caso algum objeto seja identificado em trajetória de colisão com a Terra.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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