TECNOLOGIA

James Webb revela química inesperada em dois mundos gelados

Uma descoberta feita pelo Telescópio Espacial James Webb colocou dois mundos muito diferentes no centro da atenção científica, destaca estudo. Plutão e Titã, lua de Saturno, apresentam o mesmo sinal infravermelho misterioso, indicando uma química ainda não explicada.Continua após a publicidadeOs cientistas acreditam que o fenômeno esteja ligado a uma molécula desconhecida, mas ainda não sabem exatamente qual composto produz essa assinatura.
Cientistas analisam uma assinatura misteriosa encontrada pelo Webb em Plutão e na lua Titã. Imagem: Whitelion61/ShutterstockWebb revela ligação inesperada entre Plutão e TitãTitã e Plutão não parecem ter muita coisa em comum. A lua de Saturno tem uma atmosfera espessa, mares de metano líquido e dunas formadas por partículas orgânicas. Já o planeta anão é um ambiente extremamente frio, com uma camada atmosférica muito fina.Mesmo assim, observações do James Webb revelaram que os dois apresentam a mesma absorção de luz em uma faixa específica do infravermelho. O resultado sugere a presença de um composto ainda não identificado.“É bastante misterioso. Não podemos dizer o que é”, afirmou Bruno Bézard, cientista planetário do Observatório de Paris e líder do estudo.A pista apareceu durante a análise de dados de Titã coletados pelo telescópio em 2022. Os pesquisadores usaram espectroscopia, método que permite identificar materiais pela forma como absorvem luz.O problema é que o padrão detectado não corresponde a nenhum dos compostos já catalogados.Mistério pode estar ligado a moléculas orgânicasPara eliminar a possibilidade de erro nos equipamentos, os pesquisadores compararam observações feitas pelos instrumentos NIRSpec e MIRI, ambos instalados no James Webb. Os dois registraram a mesma característica, reforçando que o sinal não era uma falha de medição.Depois, a equipe analisou dados de Plutão obtidos em 2023 e encontrou novamente o mesmo padrão. Uma das hipóteses envolve os alenos, uma família de hidrocarbonetos que apresenta comportamento semelhante na faixa infravermelha observada.Os cientistas acreditam que o composto possa surgir por meio de processos químicos envolvendo nitrogênio e metano. Com a ação da radiação ultravioleta, esses elementos podem gerar moléculas orgânicas mais complexas, que depois chegam à superfície.

Os principais indícios dessa hipótese são:
O sinal aparece na superfície de Titã;

A intensidade diminui nas bordas das observações;

A atmosfera de Plutão não explica sozinha o fenômeno;

Ganimedes não apresentou a mesma característica.

A descoberta do James Webb sugere que dois ambientes completamente diferentes podem compartilhar uma química parecida. – Imagem: Northrop GrummanFuturas missões podem revelar o segredoNovas observações do James Webb devem ajudar os cientistas a mapear a distribuição do sinal em Titã e descobrir se ele está relacionado a regiões específicas, como áreas com grandes dunas orgânicas.Leia mais:Continua após a publicidadeA missão Dragonfly, da NASA, também poderá contribuir para essa investigação. O veículo, previsto para chegar a Titã na década de 2030, terá instrumentos capazes de analisar diretamente moléculas presentes na superfície.
É sempre empolgante quando você descobre algo que nunca foi visto antes. É realmente a parte mais legal do nosso trabalho.
Bruno Bézard, cientista planetário do Observatório de Paris e líder do estudo, em nota.O estudo pode ajudar a revelar como diferentes mundos do Sistema Solar desenvolvem processos químicos complexos.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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