TECNOLOGIA

Quebra de plataforma deixa geleira da Antártida mais vulnerável

O colapso de plataformas de gelo na Antártida pode alterar o ritmo de avanço das geleiras e, consequentemente, as projeções de elevação do nível do mar. Pesquisadores do Caltech acompanharam esse processo durante nove anos com dados de satélites.Continua após a publicidadePublicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo analisou a geleira Pine Island, na Antártida Ocidental. Os resultados mostram como o desprendimento de grandes blocos de gelo enfraquece estruturas que ajudam a conter seu fluxo.
Plataformas de gelo funcionam como freios naturais. Quando perdem força, a geleira pode avançar mais rapidamente rumo ao oceano. Imagem: Bernhard Staehli/ShutterstockA barreira que perdeu forçaA Pine Island é a geleira de fluxo mais rápido da Antártida e a maior contribuidora da região para o aumento do nível do mar. Parte desse avanço é contida pela plataforma de gelo que se estende sobre o oceano.Essa estrutura funciona como uma espécie de rolha. Ao exercer pressão sobre o gelo, ela reduz sua velocidade antes que a massa alcance o mar.Em 2017, um grande bloco da plataforma se desprendeu e formou um iceberg. Depois do evento, a velocidade da Pine Island aumentou 20%. Desde 1973, o fluxo da geleira cresceu mais de 100%.O gelo acumula danosPara entender o processo, a equipe analisou imagens dos satélites de radar Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia, registradas entre 2015 e 2024. O material permitiu acompanhar tanto o deslocamento da geleira quanto o estado de suas margens de cisalhamento, nas laterais.Essas regiões funcionam como pontos de resistência. Quando perdem força, o gelo encontra menos oposição para avançar.A sequência observada pelos pesquisadores foi:
danos já estavam presentes antes de 2017;

o desprendimento daquele ano intensificou as falhas;

a geleira ganhou velocidade;

o fluxo mais rápido aumentou a pressão nas margens;

em 2020, a geleira estava completamente desacoplada das margens danificadas.
“Após esse evento de desprendimento, os danos simplesmente se intensificam”, afirmou Sarah Wells-Moran, autora principal do estudo. Segundo ela, o aumento da velocidade coloca mais força sobre as margens, gerando novos danos e acelerando ainda mais o gelo.

Prever o nível do mar depende também de entender como geleiras antárticas respondem à perda de suas plataformas de gelo. – Imagem: Binkmann/iStockReflexos nas previsõesA Pine Island avança cerca de 4,8 quilômetros por ano. Parece pouco, mas ela já é a maior contribuidora da Antártida para a elevação do nível do mar.Leia mais:O comportamento observado oferece uma oportunidade para testar modelos que tentam prever o futuro da geleira. Ainda não se sabe, porém, exatamente como será o recuo nem qual será sua velocidade.
O futuro com níveis administráveis de elevação do nível do mar e os cenários extremos depende do comportamento da camada de gelo da Antártida Ocidental.
Brent Minchew, professor de geofísica do Caltech, em nota.Continua após a publicidadeA expectativa é que modelos mais precisos ajudem a antecipar mudanças na região e forneçam uma base mais confiável para o planejamento de comunidades e estruturas próximas ao litoral.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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