Lucros do accionista que paralisou Mozal disparam
Os resultados operacionais da multinacional australiana South32, que em Março encerrou a Mozal, cresceram de Janeiro a Junho deste ano, de acordo com notícias divulgadas na quinta-feira.
Como resultado da subida dos lucros, a empresa declarou a valorização de 5,4 cêntimos de dólar de dividendo por acção, aumentando em 55% para 9,3 cêntimos de dólar por acção.
O desempenho provocou uma corrida pelas acções da multinacional australiana, duplicando o valor dos títulos mobiliários, em comparação com Setembro de 2025.
A South32 foi criada em 2015, como resultado da separação das acções da BHP, passando a ser dirigida por Graham Kerr.
Kerr já deixou a South32 e para o seu lugar entrou Matt Daley.
Com estas mudanças, a empresa reorientou a sua estratégia de negócios, vendendo a operação de alumínio e alumina à norte-americana Alcoa por 4.1 biliões de dólares em dinheiro e acções e suspendeu a actividade da produção na Mozal, colocando a fábrica moçambicana em situação de “conservação e manutenção”.
A South32 já tinha desinvestido na África do Sul, Austrália e na sua operação de extracção de níquel na Colômbia, substituindo esta operação pela mina de cobre de Sierra Gorda, no Chile.
Com a saída do negócio de alumínio, a aposta passa a ser no cobre, que vai representar cerca de 55% dos ganhos da South32.
A empresa está actualmente a construir a fábrica de zinco de Hermosa, orçada em dois biliões de dólares e um projecto de manganês no Arizona, EUA, que vai começar a produzir em 2028.
Matthew Daley disse que a venda das acções da cadeia de valor de alumínio à Alcoa vai simplificar e fortalecer a carteira de negócios, posicionando a South32 como empresa líder no sector metálico, com elevadas margens de acções e com perspectivas de crescimento nos negócios de cobre, zinco e prata.
“A perspectiva para o nosso negócio é positiva, à medida em que nos concentramos em operações seguras e estáveis e no crescimento da nossa produção nos metais em mercados estruturalmente competitivos”, afirmou Daley.
Na África do Sul, a companhia vai manter a sua actividade na produção de manganês, tendo esta operação gerado dois milhões de toneladas no primeiro semestre.
Espera-se que essa quantidade se mantenha até ao final deste ano.
“O nosso foco é elevar essas actividades até ao máximo da sua capacidade, mas a nossa matéria-prima preferida são cobre e zinco, mas o manganês ocupa uma posição forte”, afirmou.
Avançou que se colocam desafios sobre a produção de manganês, na África do Sul e na Austrália, admitindo que a
South32 está a aberta a ouvir propostas atractivas para negociar as operações daquele metal nos dois países.
Os lucros da South32 na actividade de manganês na África do Sul, antes de impostos de juros, impostos e amortização da depreciação do rand sul-africano, caíram em 16 milhões de dólares para 30 milhões no primeiro semestre deste ano.
A queda foi provocada pela elevada valorização do rand, custos de transporte e do preço de diesel.









