NASA lança com sucesso o revolucionário Telescópio Espacial Roman
Ao longo de duas décadas, a NASA desenvolveu um equipamento capaz de observar grandes áreas do céu e, com isso, investigar alguns dos maiores mistérios do Universo. Agora, essa história entra em um novo e decisivo capítulo. Continua após a publicidadeNeste domingo (30), às 8h26 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pelo Olhar Digital, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman foi lançado a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Apenas um minuto e oito segundos após subir aos céus, o foguete passou pelo chamado Max Q, o ponto crítico em que a velocidade do veículo combinada com a resistência do ar gera a maior pressão mecânica sobre a sua estrutura. Superada essa etapa, houve o desligamento dos motores dos dois propulsores laterais, que se soltaram do corpo principal aos dois minutos e vinte e sete segundos.
Na sequência, os propulsores laterais se soltaram, giraram no ar e acenderam os motores para inverter a trajetória de volta à base, enquanto a estrutura principal seguiu viagem rumo ao espaço. A separação dos estágios aconteceu aos três minutos e cinquenta e quatro segundos e, logo em seguida, o motor do segundo estágio foi acionado. Aos quatro minutos e quinze segundos, a coifa foi ejetada, deixando o telescópio exposto ao vácuo, já fora da atmosfera da Terra.Com a carga a caminho da órbita, os propulsores laterais iniciaram a descida. Eles acionaram os motores por dez segundos para desacelerar e suportar o calor da reentrada na atmosfera. Então, veio a frenagem final, garantindo um pouso vertical suave mais ou menos aos sete minutos e quarenta segundos nas Zonas de Pouso 2 e 40 (LZ-2 e LZ-40), em Cabo Canaveral. Pouso perfeito de um dos propulsores laterais do primeiro estágio do Falcon Heavy, com o segundo pousando logo em seguida. – Crédito: SpaceX/XJá na órbita terrestre, o segundo estágio entra em voo de cruzeiro para se alinhar com a trajetória correta, após concluir sua primeira aceleração. Pouco depois, o motor é acionado pela segunda e última vez, dando o impulso final que lança a espaçonave em direção ao espaço profundo.Após esse empurrão definitivo, o motor é desligado. Cerca de trinta minutos após a decolagem, o observatório Nancy Grace Roman se desacopla suavemente do foguete, totalmente liberado para dar início à sua missão científica.Continua após a publicidadeA partir daí, ele segue em direção à sua morada no espaço: o Ponto de Lagrange 2 (L2), uma região de estabilidade gravitacional localizada a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra, o que corresponde a cerca de quatro vezes a distância entre o nosso planeta e a Lua.A escolha do Ponto L2 oferece vantagens estratégicas e operacionais fundamentais para a astronomia de precisão. Nessa posição, o alinhamento natural entre o Sol, a Terra e o telescópio permite que o escudo térmico da espaçonave bloqueie a radiação e o calor do Sol e da Terra de forma contínua, mantendo os instrumentos ópticos em temperaturas extremamente baixas. Além disso, o Ponto L2 proporciona uma visão desimpedida do cosmos, permitindo que o observatório aponte seus instrumentos para o espaço profundo sem a interferência constante do disco terrestre.Telescópio leva nome da “mãe” do HubbleContinua após a publicidadeBatizado em homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman, considerada “mãe” do Telescópio Espacial Hubble, o observatório vai produzir um levantamento amplo do céu, permitindo acompanhar a formação e a transformação de galáxias ao longo da história cósmica. A grande quantidade de dados também será usada para estudar a matéria escura e a energia escura, dois componentes que continuam entre os principais enigmas da astronomia.Outra frente importante será a busca por exoplanetas, incluindo mundos que possam apresentar condições interessantes para a existência de vida. Ao combinar essas diferentes linhas de pesquisa, o Roman deverá oferecer novos dados sobre a evolução do Universo e sobre a variedade de sistemas planetários que existem além do nosso.A missão também terá como foco os exoplanetas. Com técnicas como coronografia e microlente gravitacional, o telescópio poderá encontrar e estudar diferentes tipos de mundos fora do Sistema Solar, ajudando a definir quais deles merecem investigações futuras.Continua após a publicidadeEmbora não consiga procurar diretamente sinais de vida em planetas semelhantes à Terra, o Roman também ajudará a desenvolver tecnologias e conhecimentos necessários para futuras missões dedicadas à busca por mundos habitáveis.Roman fará mapeamento do Universo sem precedentes A escala de mapeamento do Roman não tem precedentes na história da exploração espacial:
Campo de visão ampliado: cada fotografia individual capturada pelo Roman cobrirá uma área do céu cerca de 100 vezes maior do que uma imagem equivalente do Hubble, mantendo exatamente a mesma nitidez e resolução espacial.
Velocidade de varredura: o observatório será capaz de realizar levantamentos do céu até mil vezes mais rápido do que o Hubble.
Volume de cobertura: em seus primeiros cinco anos de operação, o telescópio fotografará mais de 50 vezes a área do céu que o Hubble cobriu ao longo de três décadas de serviços prestados.
Continua após a publicidadeA NASA prevê pelo menos cinco anos de operação, período em que o observatório deverá gerar cerca de 20 petabytes de dados. Com isso, o Roman poderá ampliar significativamente o conhecimento sobre o Universo e preparar o caminho para a próxima geração de telescópios espaciais.Quer saber tudo sobre o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman? Acesse nossa reportagem especial aqui.










