Camada de ozônio: por que ela importa tanto para a vida na Terra
Um escudo invisível sobre a sua cabeçaVocê não vê, não sente e não consegue tocar. Mesmo assim, a camada de ozônio trabalha o dia inteiro para manter a vida possível no planeta. Ela é uma região da atmosfera onde o gás ozônio aparece em concentração maior que no resto do ar.Continua após a publicidadeEssa faixa fica na estratosfera, entre cerca de 15 e 35 quilômetros de altitude. É bem acima das nuvens e dos aviões comerciais. Se todo esse ozônio fosse comprimido na superfície, formaria uma camada de apenas alguns milímetros de espessura. Pouca coisa, para um efeito enorme.O que é o ozônio, afinalO oxigênio que você respira é formado por dois átomos ligados: O₂. O ozônio tem três: O₃. Essa diferença aparentemente pequena muda o comportamento do gás.
Lá em cima, a radiação do Sol quebra moléculas de oxigênio. Os átomos soltos se juntam a outras moléculas e formam ozônio. Depois, o próprio ozônio absorve radiação e se quebra de novo. É um ciclo contínuo, que se repete há bilhões de anos.Nesse vaivém, algo importante acontece: a energia da radiação ultravioleta é consumida. Ela não chega ao chão.Por que isso importa para vocêA radiação ultravioleta do Sol vem em tipos diferentes. Os mais perigosos são chamados de UV-B e UV-C. O UV-C é praticamente todo bloqueado pela atmosfera. Boa parte do UV-B também é retida pelo ozônio.Sem esse filtro, a radiação que chegaria à superfície danificaria o DNA das células. As consequências incluem:
Aumento de casos de câncer de pele
Mais catarata e outros problemas oculares
Queda na imunidade
Danos a plantações e à produção de alimentos
Prejuízo ao fitoplâncton, base da cadeia alimentar dos oceanos
Esse último ponto costuma passar despercebido. O fitoplâncton produz uma fatia relevante do oxigênio do planeta. Se ele sofre, o efeito se espalha por todo o ecossistema marinho.O buraco na camada de ozônioNos anos 1980, cientistas identificaram uma redução severa do ozônio sobre a Antártida. A imprensa chamou o fenômeno de “buraco”. Não é um furo de verdade: é uma área onde a concentração de ozônio cai muito em determinada época do ano.A causa foi rastreada até substâncias fabricadas pela indústria, especialmente os CFCs (clorofluorcarbonos), usados em geladeiras, aerossóis e espumas. Ao subirem até a estratosfera, esses compostos liberam cloro, que destrói moléculas de ozônio em cadeia.Continua após a publicidadeUma vitória rara da diplomacia ambientalA resposta veio com o Protocolo de Montreal, acordo internacional assinado em 1987. Ele determinou a eliminação gradual das substâncias que destroem o ozônio. Praticamente todos os países aderiram.Funcionou. Relatórios científicos indicam que a camada está em processo de recuperação e pode voltar aos níveis anteriores a 1980 ao longo deste século. É o exemplo mais citado de problema ambiental global enfrentado com sucesso.Ozônio não é aquecimento globalMuita gente confunde os dois temas. São problemas diferentes.A camada de ozônio bloqueia radiação ultravioleta. O efeito estufa envolve gases que retêm calor perto da superfície, como o dióxido de carbono. Um buraco na camada de ozônio não é a causa das mudanças climáticas.Existe conexão indireta: alguns gases usados como substitutos dos CFCs, os HFCs, não atacam o ozônio, mas aquecem o planeta. Por isso, um novo acordo passou a limitá-los também, a Emenda de Kigali, adotada em 2016.Continua após a publicidadeO que fica da históriaA importância da camada de ozônio se resume a uma ideia simples: ela é a diferença entre um planeta habitável e um planeta exposto. E a explicação mais animadora é que o problema foi identificado, entendido e enfrentado. Isso mostra que decisões coletivas funcionam quando a ciência é levada a sério.










