Dez anos depois, startup acusa Meta de roubar ideia que virou o Instagram Shopping
Dez anos depois do lançamento do Instagram Shopping, uma startup britânica voltou a colocar a Meta no centro de uma disputa sobre a origem da ideia por trás do recurso. A Ollywan acusa a empresa de ter copiado seu plano de negócios para uma plataforma de compras com produtos marcados em fotos antes de lançar a ferramenta no Instagram, em 2016.Continua após a publicidadeA Justiça dos Estados Unidos, porém, rejeitou a ação movida pela startup. A decisão foi tomada na sexta-feira (28) pela juíza federal Virginia DeMarchi, de San Jose, na Califórnia. Segundo a magistrada, as alegações antitruste apresentadas pela Ollywan foram feitas tarde demais e não demonstraram de maneira plausível que a atuação da Meta tenha causado danos à concorrência.Apesar da rejeição, DeMarchi permitiu que a Ollywan apresentasse uma nova versão da ação, seguindo algumas limitações estabelecidas pela Justiça.
A disputa envolve o Winstag, aplicativo criado pela Ollywan em 2016. A plataforma permitia o compartilhamento de fotos, a marcação de produtos nas imagens e compras por meio de links de afiliados — proposta semelhante ao conceito que posteriormente seria incorporado ao Instagram.Segundo a startup, seu presidente chegou a compartilhar um plano de negócios com executivos da Meta antes do lançamento do Instagram Shopping, sob garantias de confidencialidade. A empresa afirma que a Meta teve acesso ao conceito e posteriormente lançou um recurso semelhante no Instagram.O Instagram Shopping permite que usuários encontrem produtos marcados em publicações e realizem compras a partir dessas marcações.Acusação de monopólio
A Ollywan não limitou suas acusações à suposta cópia da ideia. A startup também alegou que a Meta violou as leis antitruste dos Estados Unidos ao integrar o Instagram ao Instagram Shopping e utilizar sua posição no mercado para dominar o segmento de compras dentro da plataforma;
A empresa entrou com a ação em 2025, anos depois de o Instagram Shopping ter sido lançado e de o Winstag ter encerrado suas operações. A Ollywan sustentava que a conduta da Meta havia prejudicado sua capacidade de competir;
A juíza, no entanto, considerou que as alegações antitruste foram apresentadas fora do prazo. A legislação federal dos Estados Unidos estabelece janela de quatro anos para esse tipo de reivindicação;
A Meta havia argumentado que as alegações estavam fora desse período. DeMarchi concordou e afirmou que a Ollywan não explicou como uma ação apresentada dois anos depois do encerramento das operações da startup poderia ser considerada ajuizada de forma tempestiva;
A magistrada também concluiu que a empresa não apresentou demonstração plausível de que as ações da Meta haviam causado danos à concorrência.
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Meta responde a vários processos – Imagem: jackpress/ShutterstockA Meta negou qualquer irregularidade e rejeitou a acusação de que teria utilizado indevidamente o plano de negócios da Ollywan.Em manifestação apresentada à Justiça, a empresa afirmou que a startup estaria tentando usar as leis antitruste de maneira inadequada para responsabilizá-la pelo fracasso de seu aplicativo e pelo sucesso alcançado pela Meta.“A Ollywan busca usar indevidamente as leis antitruste para culpar a Meta pelo fracasso de seu aplicativo iniciante e pelo sucesso onde a Ollywan fracassou”, afirmou a Meta em documento apresentado ao tribunal.Continua após a publicidadeDisputa pelo nome WinstagA ação também envolvia o nome Winstag. A Ollywan questionou os esforços da Meta para impedir que a startup utilizasse a marca.Nesse ponto, DeMarchi afirmou que as leis antitruste não impedem a Meta de exercer seus direitos relacionados à marca registrada.Assim, além de considerar que as acusações de monopólio foram apresentadas fora do prazo e não demonstraram danos à concorrência, a juíza rejeitou a tentativa de utilizar a legislação antitruste para contestar a atuação da Meta em relação ao nome Winstag.A possibilidade de nova ação, contudo, mantém a disputa aberta. A Ollywan poderá apresentar uma petição inicial reformulada, desde que respeite as restrições estabelecidas pela magistrada.O caso da Ollywan não é a única disputa judicial envolvendo a Meta e acusações de práticas anticompetitivas.Continua após a publicidadeA empresa também enfrenta ação movida por uma companhia ligada ao aplicativo de compartilhamento de fotos Phhhoto, que deixou de operar e acusa a Meta de ter contribuído para sua saída do mercado.No ano passado, a Meta venceu uma ação movida pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês), que buscava obrigar a companhia a reestruturar ou vender o Instagram e o WhatsApp. A empresa negou as acusações apresentadas nesse processo.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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