Chapo pede coordenação com Governo, mas rejeita subordinação do Banco de Moçambique
O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta quarta-feira que a independência do Banco de Moçambique (BdM) deve ser preservada, ao mesmo tempo que reclamou maior coordenação entre o banco central e o Governo na condução das políticas económica, monetária, fiscal e financeira.
A orientação foi deixada na tomada de posse de Felisberto Navalha como governador do BdM, cargo anteriormente ocupado por Rogério Zandamela durante dez anos.
Chapo afirmou que o banco central deve exercer as suas funções com independência, rigor técnico e sentido de responsabilidade e relacionou a credibilidade da política monetária com a confiança, a independência operacional e a transparência da comunicação.
Mas estabeleceu uma distinção entre independência e isolamento: “Independência do Banco Central não significa isolamento institucional e coordenação com o Governo não significa subordinação da política monetária à política fiscal, nem financeira”, afirmou.
A posição surge num discurso em que Chapo pediu repetidamente maior articulação entre os responsáveis pelas políticas monetária, fiscal e financeira, sobretudo perante os problemas de acesso a divisas, crescimento da dívida pública interna e financiamento da economia.
Para o Presidente, as instituições devem respeitar os respectivos mandatos, mas manter diálogo entre si por servirem o mesmo Estado. Chapo defendeu uma combinação entre política fiscal responsável, política monetária credível, solidez do sistema financeiro e reformas capazes de aumentar a capacidade produtiva do país.
Ao novo governador, pediu ainda que preserve os resultados alcançados nos últimos dez anos, corrija o que necessitar de correcção e modernize a instituição. Navalha chega ao cargo depois de ter passado 28 anos da sua carreira profissional no BdM.
A mudança de liderança, segundo Chapo, pretende imprimir “um novo dinamismo” ao banco central num momento em que o Governo coloca a chamada Independência Económica entre as suas prioridades estratégicas. O Presidente definiu essa orientação como a construção de uma economia capaz de produzir uma parcela maior daquilo que consome, transformar internamente os seus recursos, acrescentar valor, exportar mais e gerar emprego.










