Novo vírus altera QR Code do Pix em compras online no Brasil
Um novo malware infectou 90 lojas virtuais brasileiras e está adulterando códigos do Pix em tempo real. A empresa de cibersegurança Kaspersky confirmou a fraude após a descoberta do pesquisador independente conhecido como “eremit4”.Continua após a publicidadeSegundo a Folha, o código malicioso altera o QR Code e o Pix Copia e Cola no momento de fechar a compra. O dinheiro é desviado para contas controladas por golpistas, sem que o consumidor perceba qualquer sinal visual da fraude.
A alteração do QR Code no checkout ocorre sem gerar nenhum alerta na tela, dificultando a percepção do comprador durante o pagamento. Imagem: Saulo Ferreira Angelo/ShutterstockComo funciona o ataque que invisibiliza a fraudeO malware infecta sites de e-commerce que utilizam a plataforma Magento. Quando o cliente gera o pagamento para finalizar o pedido, o script substitui o QR Code legítimo por um código fraudulento controlado pelos criminosos.Como a alteração acontece dentro do próprio site, quem está comprando não percebe nenhuma anormalidade. O pesquisador eremit4 chamou a operação de “o novo magecart brasileiro”, em referência à modalidade tradicional de fraude usada para roubar dados de cartões.Se a opção escolhida for o cartão de crédito, o mesmo malware também pode copiar os dados para uma fraude posterior. Nesse caso, o lojista recebe normalmente o pagamento, enquanto o cliente fica exposto à clonagem do cartão.
Como o criminoso infecta o site e não o computador da vítima, o potencial de estrago é muito maior e atinge todos os clientes.
Fabio Assolini, diretor do time de investigação da Kaspersky na América Latina, à Folha.O desafio do resgate e as barreiras do MEDPerceber a fraude rapidamente é fundamental para tentar recuperar o dinheiro. O Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix permite rastrear a transação por até cinco transferências, segundo o alerta de Assolini.O problema é que os criminosos podem distribuir o dinheiro entre dezenas de contas laranja em poucas horas, dificultando a recuperação dos valores.“Os criminosos sabem que o limite de transferências rastreáveis é de cinco passagens. O MED é válido quando a pessoa percebe rapidamente”, diz Assolini.
Embora o consumidor tenha até 80 dias para solicitar o MED, o Banco Central recomenda registrar a contestação mesmo quando a recuperação não é garantida. O procedimento ajuda as instituições financeiras a identificar contas utilizadas nas fraudes.Medidas práticas para não cair no golpeComo a alteração do pagamento não deixa sinais aparentes, a principal defesa do consumidor está na conferência dos dados antes de autorizar a transferência.
Confira o destinatário: verifique o nome e o CNPJ exibidos pelo aplicativo do banco antes de confirmar o Pix. Em lojas pequenas, a conta pode estar registrada em nome do proprietário.
Use cartão virtual: para compras com cartão, prefira uma versão virtual temporária. Os dados podem expirar após a transação, reduzindo o risco de clonagem.
Aja rapidamente: se perceber o desvio, procure imediatamente o banco, registre a fraude e solicite o MED.
Mantenha antivírus ativo: o software pode ajudar a identificar atividades suspeitas relacionadas ao código malicioso.
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A fraude acontece dentro da página da loja e pode não apresentar nenhum sinal visual ao consumidor. – Imagem: FotoField / Shutterstock.Lojistas também precisam reforçar a segurançaComerciantes afetados pelo vírus perceberam um aumento na desistência de compras. Alguns passaram a informar o CNPJ e o nome da empresa para que o cliente possa conferir o destinatário do Pix. Outros adotaram plataformas de pagamento terceirizadas.Leia mais:Para reduzir o risco de novas infecções, a Kaspersky recomenda manter o Magento atualizado, utilizar senhas únicas e complexas no acesso à administração do site e fazer monitoramento recorrente com software de qualidade.O código responsável pelo ataque pode aparecer em trechos ofuscados, dificultando a identificação do comportamento malicioso. A mesma ameaça ainda consegue roubar dados de cartão quando o cliente escolhe essa forma de pagamento.Continua após a publicidadeQuem identificar um Pix fraudulento deve abrir a área do Pix no aplicativo do banco, selecionar “Contestar Pix” e informar que se trata de golpe ou fraude. As contas envolvidas podem ser bloqueadas por até 11 dias durante a apuração, e eventual devolução depende da existência de saldo e da análise das instituições financeiras.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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