TECNOLOGIA

Meta começa a testar Notas da Comunidade na América Latina

A Meta começou a testar as Notas da Comunidade em 16 países de língua espanhola da América Latina nesta quarta-feira (9). O recurso permite que usuários adicionem contexto a publicações consideradas potencialmente enganosas ou confusas e faz parte da estratégia da empresa para substituir o programa profissional de checagem de fatos na região.Continua após a publicidadeO sistema já havia sido anunciado pela Meta em março de 2025 e está aberto atualmente para colaboradores nos Estados Unidos. Na América Latina, o teste inclui Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil não está entre os países incluídos nesta fase. A Meta afirma que as pessoas desses mercados já podem se cadastrar para atuar como colaboradoras.Como funcionam as Notas da ComunidadeAs Notas da Comunidade são escritas por colaboradores que se cadastram para participar do programa. Eles podem acrescentar informações básicas, dicas ou outros elementos que considerem úteis para contextualizar uma publicação.A Meta afirma que não decide quais notas serão classificadas nem o que será escrito. Para que uma contribuição seja publicada, é necessário que pessoas que anteriormente discordaram das classificações considerem que aquela nota é útil.Caso não exista consenso suficiente sobre a utilidade da contribuição, a nota não é adicionada à publicação. O mesmo ocorre quando os participantes concordam que determinado conteúdo não é útil.O modelo tem como referência o sistema adotado pela rede social X (antigo Twitter), que utiliza as notas desde 2021 e ampliou sua implementação em 2022. Na plataforma, usuários voluntários produzem as notas e outros participantes avaliam se elas são úteis, considerando aspectos como a pertinência das fontes e a clareza das informações.Segundo Lionel Kaplan, presidente da agência de criação de conteúdos em redes sociais Dicenda, o mecanismo busca reunir avaliações de diferentes participantes antes que uma nota seja exibida. O X também afirma que as avaliações consideram não apenas a quantidade de pessoas que classificaram uma contribuição como útil ou inútil, mas também a diversidade entre os colaboradores.

Testes começaram na América LatinaDe acordo com a Meta, as pessoas dos 16 países incluídos no teste já podem se cadastrar para atuar como colaboradoras. A empresa afirma que, quando estiver confiante de que o produto funciona bem e pode ter sucesso, avaliará a possibilidade de realizar o lançamento completo nesses mercados.Nesse cenário, a Meta começará a publicar as Notas da Comunidade e eliminará o programa de verificação de fatos de terceiros nesses países. A companhia também descreve o modelo como uma forma de ampliar a diversidade de vozes nas plataformas e fornecer informações adicionais sem depender de organizações independentes de checagem.O princípio é comparado ao funcionamento da Wikipédia. Para Kaplan, a ideia é utilizar os usuários mais ativos de uma plataforma para contribuir com a qualidade das informações publicadas. A Meta considera o sistema de notas menos parcial do que o modelo de fact-checking profissional.Continua após a publicidadeO recurso está sendo implementado no Facebook, Instagram e Threads. A Meta afirma que seu objetivo é fornecer informações que ajudem as pessoas a decidir o que ler, em que confiar e o que compartilhar, sem que a empresa atue como árbitra da verdade.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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