TECNOLOGIA

iPhone dobrável: quem vai investir na novidade de R$ 30 mil da Apple?

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A Apple lançou nesta quarta-feira (9) seu primeiro iPhone dobrável, o iPhone Duo, por US$ 1.999 nos Estados Unidos, cerca de R$ 10,4 mil (no Brasil, o dispositivo custa a partir de R$ 21.999, podendo chegar a R$ 30.999). A empresa aposta na tela maior para trabalho, criação de conteúdo e entretenimento.Continua após a publicidadeA questão é quem estaria disposto a pagar tanto pelo novo modelo. Analistas esperam uma procura forte entre os fãs da marca, mas avaliam que o preço e a falta de um público claramente definido podem manter o aparelho restrito a consumidores de maior poder aquisitivo.
A expectativa é que a Apple venda cerca de 6 milhões de unidades do iPhone Duo até o fim de 2026. – Imagem: Reprodução/ApplePara quem é o iPhone Duo?No lançamento, a Apple mostrou o iPhone Duo com aplicativos como Zoom, Slack e Netflix na tela aberta. A demonstração apresentou o aparelho para diferentes situações, sem definir uma finalidade principal.O novo CEO da empresa, John Ternus, destacou a tela ampliada como um dos pontos centrais do produto. Segundo ele, a experiência se aproxima da oferecida pelo iPad e pode fazer do aparelho uma central pessoal de inteligência artificial.“Uma tela maior que parece tão natural e intuitiva quanto a do iPad”, afirmou Ternus.Leia mais:A falta de uma definição mais clara chamou a atenção de Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies.“A Apple normalmente não define quem é o comprador, mas, neste caso especificamente, realmente se afastou disso”, disse à Reuters.O preço reforça a dúvida. Nos Estados Unidos, a versão mais cara do iPhone Duo chega a US$ 3.199, aproximadamente R$ 16,7 mil.Criação de conteúdoLucas Rangel foi um dos primeiros criadores de conteúdo brasileiro a ter em mãos o iPhone dobrável. Ele esteve no Apple Park, em Cupertino, na Califórnia, para o lançamento.
Eu acho que as funções do iPhone Duo ainda serão descobertas. É um lançamento. Acho que desenvolvedores vão produzir aplicativos nativos para essa tela dobrável, para essa experiência de usar na tela de fora, de usar na tela de dentro, de usar na tela expandida. Acredito também que a própria Apple irá desenvolver novas funções. Mas eu ainda acho que vem um upgrade de você falar assim: ‘isso faz jus, esse é o motivo de eu ter comprado um telefone dobrável’
Lucas Rangel, em entrevista ao Olhar Digital

Sobre o uso para criação de conteúdo, o influenciador já percebe vantagens em aparelhos dobráveis:
Para mim é sempre vantajoso que todo novo telefone avance em algo na captação, na produção, na qualidade (das câmeras). Desta vez, como temos o lançamento do iPhone Duo, eu acho que a gente também vai poder brincar um pouco mais com ângulos, encontrar novas formas de captar o conteúdo. Acaba que, por ser um foldable, você consegue colocar ele e apoiar como se fosse um tripé. Agora eu estou tendo que apoiar o meu iPhone, que não é dobrável, num copo. Então, no meu caso, para os criadores de conteúdo, acho que o iPhone Duo seria um iPhone mais funcional do que o iPhone 18.
Lucas Rangel, em entrevista ao Olhar DigitalDobráveis ainda são um nichoO segmento continua pequeno diante do mercado geral de smartphones. A IDC estima que os celulares dobráveis representarão menos de 3% do mercado global em 2026. Para 2027, a consultoria não espera uma mudança significativa.Continua após a publicidadeNeil Shah, vice-presidente da Counterpoint Research, também questionou o posicionamento do aparelho.“Não ficou claro se ele é para trabalho ou lazer, mas acho que o que o iPhone sempre representou é ser um dispositivo versátil.”A situação lembra o lançamento do Vision Pro, em 2023. O headset recebeu elogios pela tecnologia, mas o preço elevado e a falta de uma finalidade clara além do entretenimento levantaram dúvidas sobre seu potencial.
O alto preço pode transformar o iPhone Duo em um símbolo de status entre os consumidores mais fiéis da Apple. – Imagem: Reprodução/AppleFãs devem puxar as primeiras vendasMesmo com as incertezas, a Apple deve ter um começo forte. Shah estima que a empresa venda perto de 6 milhões de unidades do iPhone Duo até o fim do ano, impulsionada pela demanda acumulada entre usuários de iPhone. Esse volume representaria cerca de um quarto do mercado global de dobráveis.Continua após a publicidadeA chegada da Apple também deve mexer com um segmento no qual a Samsung já ocupa a liderança.
A Samsung detém 40% do mercado de celulares dobráveis, segundo a Counterpoint;

A fabricante vende aparelhos desse tipo desde 2019;

Google e Huawei também disputam o segmento;

A Omdia prevê 22,3 milhões de dobráveis no mercado global em 2026.
A Samsung apresentou em julho um aparelho redesenhado e lançou uma campanha em resposta ao iPhone Duo, chegando a provocar a rival por supostamente estar “requentando nossas sobras”.Preço pode virar símbolo de statusBob O’Donnell, analista-chefe da TECHnalysis Research, avalia que o preço reduz o público potencial do iPhone Duo, principalmente entre os consumidores mais jovens. Ainda assim, os fãs mais fiéis da Apple devem sustentar as vendas iniciais.
Será algo cobiçado. Será um símbolo de status por algum tempo, porque acho que será difícil conseguir um.
Bob O’Donnell, analista-chefe da TECHnalysis Research, à Reuters.Continua após a publicidadeA Omdia espera que a entrada da Apple provoque o maior avanço anual nas vendas globais de celulares dobráveis desde 2021. A previsão é de 22,3 milhões de unidades em 2026. Resta saber se o interesse inicial pelo iPhone Duo será suficiente para levar os dobráveis além do público que já acompanha de perto essa categoria.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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