TECNOLOGIA

Proteínas de cascavéis são 10 vezes mais potentes que antiveneno comercial

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, encontrou no sangue de cascavéis uma possível base para antivenenos mais eficazes. Em testes de laboratório, combinações de proteínas produzidas naturalmente pelas serpentes foram cerca de 10 vezes mais potentes do que um antiveneno comercial usado atualmente contra a peçonha da cascavel.Continua após a publicidadeAlgumas víboras são resistentes à própria peçonha, e a equipe investigou as proteínas do sangue responsáveis por essa proteção. O estudo mostrou que, quando combinadas, essas proteínas conseguem bloquear a peçonha com maior eficácia.Para quem tem pressa:
Pesquisadores da Universidade de Maryland encontraram no sangue de cascavéis proteínas que podem ajudar no desenvolvimento de antivenenos mais eficazes;

Combinações dessas proteínas foram cerca de 10 vezes mais potentes que um antiveneno comercial contra peçonha de cascavel nos testes de laboratório;

A estratégia ainda está em fase experimental e precisa ser testada contra outras toxinas antes de chegar a tratamentos para humanos.
Proteínas trabalham juntas contra a peçonha
Cascavel-diamante-ocidental – Imagem: Clint H/ShutterstockA pesquisa teve como foco proteínas da família FETUA. Em um estudo anterior, os cientistas já haviam identificado uma delas, a FETUA-3, e observado sua capacidade de bloquear algumas toxinas presentes na peçonha da cascavel-diamante-ocidental.Na nova investigação, os pesquisadores analisaram diferentes proteínas do grupo. Separadamente, nenhuma conseguiu impedir completamente os efeitos letais da peçonha. Já as combinações apresentaram uma proteção significativamente maior.Os testes também indicaram que as misturas foram capazes de neutralizar peçonhas de outras espécies de víboras, inclusive de animais que estão separados por milhões de anos de evolução.Isso pode ser importante porque um único veneno pode conter cerca de 100 proteínas tóxicas diferentes, além de variar bastante entre espécies.Leia mais:Tratamento ainda está em fase de pesquisa

Apesar dos resultados, o estudo não significa que um novo antiveneno já esteja disponível. Os experimentos foram realizados em laboratório e, até o momento, a pesquisa se concentrou principalmente nas metaloproteinases, uma das famílias de toxinas encontradas nas peçonhas de víboras.Os cientistas pretendem ampliar a estratégia para outras toxinas e desenvolver antivenenos produzidos em laboratório a partir dessas proteínas naturais.Segundo os pesquisadores, a abordagem pode futuramente resultar em tratamentos mais abrangentes e fáceis de produzir em larga escala. As primeiras aplicações podem surgir na medicina veterinária, enquanto o uso em humanos ainda depende de novas pesquisas.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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