Zuckerberg critica proposta de desaceleração da IA e mira laboratórios rivais
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Mark Zuckerberg, CEO da Meta, entrou no debate sobre a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e criticou a proposta de uma desaceleração coordenada em toda a indústria. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (15), o executivo afirmou que os principais laboratórios de IA deveriam concentrar seus esforços em segurança, e não em melhorar continuamente a própria tecnologia.Continua após a publicidadeZuckerberg não citou diretamente a Anthropic ou seu CEO, Dario Amodei, mas sua manifestação ocorreu poucos dias depois de Amodei defender uma desaceleração global do desenvolvimento de IA por causa da rápida evolução das capacidades da tecnologia.“Cada laboratório tem a responsabilidade e o incentivo para avançar no ritmo necessário para treinar seus modelos com segurança. A Meta assumiu esse compromisso e outros laboratórios também podem fazer isso”, escreveu Zuckerberg.Zuckerberg defende que cada empresa controle seu próprio ritmo
O debate sobre a velocidade do desenvolvimento e os possíveis riscos da IA ganhou força nos últimos dias após a saída de um pesquisador da Anthropic. Antes de deixar a empresa, ele afirmou que companhias do setor estavam “apostando nossas vidas” no avanço da tecnologia;
Na sequência, Amodei defendeu uma desaceleração e recebeu apoio de nomes, como Sam Altman, CEO da OpenAI; Elon Musk, cuja empresa espacial SpaceX vem aumentando os investimentos em IA; e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind;
Outros líderes do setor, como David Sacks, investidor de capital de risco e conselheiro do presidente Donald Trump, questionaram as motivações de Amodei. Eles sugeriram que o executivo estaria exagerando os riscos da IA para dificultar a competição de outras empresas com a Anthropic e os demais grandes laboratórios.
Meta tenta recuperar terreno perdido no campo da IA – Imagem: jackpress/ShutterstockZuckerberg adotou uma posição intermediária. O executivo reconheceu os riscos associados à IA, mas afirmou que as empresas já possuem incentivos para proteger seus usuários e podem desacelerar o desenvolvimento por conta própria, sem a necessidade de uma pausa coordenada para todo o setor.Como exemplo, ele citou o Muse, novo agente de IA da Meta capaz de utilizar softwares de forma autônoma. Segundo Zuckerberg, a empresa adiou o lançamento do produto por vários meses para garantir que ele estivesse seguro.“Nós não pedimos que todos os outros fizessem isso antes de nós. Simplesmente fizemos isso como parte do nosso trabalho diário porque era claramente a coisa certa para as pessoas e para nós”, afirmou.Leia mais:
CEO critica corrida pelo autoaperfeiçoamento da IAZuckerberg também fez críticas a laboratórios de IA que, segundo ele, estão correndo em direção ao chamado “autoaperfeiçoamento recursivo”. O conceito envolve o uso de sistemas de IA para desenvolver ou aprimorar a própria tecnologia.Na avaliação apresentada pelo executivo, as empresas deveriam concentrar seus esforços em atender às necessidades das pessoas, em vez de priorizar essa corrida pelo desenvolvimento da própria IA.A Meta vem tentando recuperar espaço na disputa de IA depois de ficar atrás da Anthropic e da OpenAI no ano passado. A empresa planeja lançar nas próximas semanas seu modelo de IA mais poderoso até o momento, desenvolvido internamente sob o codinome Watermelon.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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