TECNOLOGIA

Missão japonesa quer trazer amostras de uma lua de Marte à Terra

A agência espacial japonesa JAXA prepara a missão MMX para coletar material de Fobos, uma das luas de Marte, e trazê-lo à Terra. A análise das amostras poderá ajudar a esclarecer como os dois satélites do planeta vermelho se formaram há bilhões de anos.Continua após a publicidadeO lançamento está previsto para 19 de outubro de 2026, com um foguete H3. A espaçonave deve chegar a Marte em agosto de 2027 e retornar à Terra em 2031, com uma cápsula destinada a pousar na Austrália.
Os cientistas querem descobrir se Fobos e Deimos são asteroides capturados ou fragmentos de uma antiga colisão. – Imagem: Elena11/Shutterstock
Como a missão vai explorar FobosA MMX reúne três módulos principais — propulsão, exploração e retorno — e transporta o rover IDEFIX, desenvolvido em parceria pelas agências espaciais da França e da Alemanha.Nos primeiros meses em Marte, a nave vai observar Fobos de diferentes altitudes para mapear o terreno e escolher locais de pouso. O rover deve ser liberado entre o fim de 2028 e o início de 2029, durante um dos ensaios de descida. Devido à baixa gravidade da lua, ele poderá cair até a superfície e se estabilizar após alguns saltos.A coleta de material poderá começar em dezembro de 2028. A missão prevê duas tentativas de pouso, com a meta de recolher pelo menos 10 gramas de amostras. Para investigar a superfície, a MMX levará instrumentos com funções complementares:
TENGOO e OROCHI: câmeras que vão registrar o relevo e as características da superfície.

MIRS: espectrômetro que identificará minerais e procurará compostos orgânicos.

MEGANE: instrumento desenvolvido com participação da NASA para medir a composição química de Fobos.

RAX e miniRAD: equipamentos do rover que analisarão minerais e propriedades térmicas do terreno.
Depois de cerca de três anos dedicados a Fobos, a nave fará sobrevoos de Deimos em 2030 para comparar dados das duas luas. No fim daquele ano, o módulo de retorno iniciará a viagem à Terra. A cápsula com as amostras deverá pousar de paraquedas na região de Woomera, na Austrália, em 2031.

O que as amostras podem revelarA origem de Fobos e Deimos ainda é um mistério. Uma hipótese sustenta que as duas luas são asteroides capturados pela gravidade de Marte. Outra propõe que elas se formaram a partir de fragmentos lançados à órbita após uma grande colisão com o planeta, em um processo que lembra uma das teorias sobre a formação da Lua terrestre.As evidências disponíveis apontam para direções diferentes. As superfícies das luas apresentam semelhanças com asteroides primitivos, enquanto suas órbitas quase circulares levantam questões sobre a hipótese de captura.“É uma questão intrigante porque duas linhas de evidência apontam em direções diferentes”, afirmou Tom Statler, cientista da divisão de ciência planetária da NASA envolvido na missão.A composição química poderá ajudar a distinguir os cenários. A presença de determinados elementos voláteis pode favorecer a hipótese de captura de asteroides. Já sinais de alterações provocadas por temperaturas extremas seriam compatíveis com a formação após uma colisão.Continua após a publicidade“Até o momento, não sabemos nada sobre a composição de Fobos”, afirmou David Lawrence, responsável pelo instrumento MEGANE. Embora os cientistas tenham informações sobre a mineralogia da lua, ainda faltam dados sobre seus elementos químicos.Desenvolvido por agências europeias, o robô IDEFIX tem tamanho comparável ao de um forno micro-ondas. – Imagem: CNES/DLR/JAXA (ASTERIX® OBELIX® IDEFIX® © Année LES EDITIONS ALBERT RENE / GOSCINNY-UDERZO)Parceria internacionalLiderada pela JAXA, a MMX conta com contribuições da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA), que participam com instrumentos, equipamentos e apoio às comunicações.A NASA investiu aproximadamente US$ 87 milhões até o fim da missão e deverá receber pelo menos 15% das amostras. O material será preservado no Centro Espacial Johnson, nos Estados Unidos, para análises laboratoriais.Continua após a publicidadeO estudo detalhado dos minerais, dos elementos químicos e dos isótopos poderá ajudar a determinar a origem do material coletado. Com isso, a MMX poderá esclarecer como as luas marcianas se formaram e revelar aspectos da história de Marte e do Sistema Solar.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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