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TikTok é alvo de denúncias sobre exploração de menores em lives

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Funcionários do TikTok alertaram repetidamente a liderança sobre riscos a crianças e adolescentes, incluindo exploração sexual em transmissões ao vivo e exposição a conteúdos nocivos. Os relatos constam de documentos judiciais analisados pela NPR (National Public Radio).Continua após a publicidadeOs depoimentos também apontam falhas em mecanismos de proteção e questionamentos internos sobre a monetização de transmissões irregulares. As alegações fazem parte de processos nos Estados Unidos que ainda não foram julgados por um júri.
Depoimentos apontam problemas em ferramentas de controle de idade e supervisão familiar da plataforma. – Imagem: Inna_Kandybka/Shutterstock
Investigação identificou menores em vídeos ao vivoUma investigação interna citada nos documentos identificou crianças de 13 a 15 anos em 112 mil vídeos do TikTok Live apenas em janeiro de 2022. Segundo os depoimentos, o levantamento apontou riscos de aliciamento por predadores e produção de material de abuso sexual infantil. Também registrou receita significativa com presentes virtuais enviados a transmissões que violavam as regras da plataforma.Reagen Maher, que ocupou cargos seniores nas áreas de segurança e investigações entre 2021 e 2024, afirmou ter tentado resolver o problema durante meses. Em uma conversa interna, escreveu: “Tenho brigado para consertar isso há meses com pessoas que não achavam que os danos eram graves o suficiente”.A preocupação não se limitava ao conteúdo transmitido. Para Silvija Krupena, diretora da Unidade de Inteligência Financeira da RedCompass Labs, os pagamentos feitos durante essas lives precisam ser considerados no contexto da exploração sexual de menores.“Tire a linguagem de presentes, moedas e diamantes, e a acusação fica clara. Um adulto pagou. Uma criança foi explorada. A plataforma ficou com uma parte”, afirmou à NPR.Falhas nos controles e nas recomendaçõesOs depoimentos também descrevem problemas em recursos destinados a limitar o acesso de menores e permitir a supervisão dos responsáveis. Entre os pontos relatados estão:
Acesso à versão adulta: segundo Maher, havia uma maneira de chegar à versão 18+ do aplicativo usando contas vinculadas ao Google, Facebook ou Instagram.

Supervisão familiar: um link oculto permitia que adolescentes desfizessem o pareamento com as contas dos responsáveis pelo recurso family pairing.

Conteúdo recomendado: funcionários discutiram o risco de o algoritmo conduzir usuários repetidamente a vídeos sobre suicídio e automutilação.

Estimativa de idade: mensagens internas registraram receio de que autoridades solicitassem os resultados de pesquisas sobre a idade dos usuários.


Sobre o controle parental, Jordon Furlong, gerente de produto de bem-estar digital, escreveu em um chat de 2021 que a possibilidade de desfazer o pareamento “torna a função meio inútil”.As discussões sobre recomendações também chegaram a conteúdos relacionados ao suicídio. Eric Han, chefe de segurança do TikTok entre 2019 e 2023, citou um relatório interno de 2020 que apontava: “Há um efeito real de contágio. Ideação e comportamento suicida, e a forma como isso é falado na plataforma”.
Contas vinculadas a outras redes sociais permitiam que menores acessassem a versão 18+ do aplicativo. Imagem: Luiza Kamalova / Shutterstock
Processos questionam a proteção de menoresOs relatos integram uma ação coletiva iniciada em 2022, que reúne centenas de processos contra TikTok, Meta, Google e Snap. As ações alegam que as plataformas foram projetadas de forma prejudicial a usuários menores de 18 anos e que as empresas conheciam riscos que não teriam sido devidamente informados.Continua após a publicidadeOutro ponto envolve a COPPA, lei norte-americana que protege a privacidade de crianças menores de 13 anos. Adam Wang, então responsável pelo TikTok Live, escreveu que incluir a opção “ensino fundamental” em uma pesquisa “definitivamente viola a COPPA”. Em outra mensagem, demonstrou receio de que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) solicitasse os resultados: “Se a FTC souber dessa pesquisa, talvez queira que a gente envie os resultados, e eu não tenho certeza se é um bom resultado”.A NPR também citou um acordo de US$ 8 milhões (cerca de R$ 39,8 milhões) firmado em maio de 2026, em uma ação sobre saúde mental e vício movida por um distrito escolar do Kentucky.Os processos mencionados ainda não foram julgados por um júri. Procurado pela NPR, o TikTok não comentou diretamente as alegações e direcionou a emissora às políticas publicadas em seu site.Continua após a publicidade

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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